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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

15º Domingo após Pentecostes, 24.08.2008

Predigt zu Isaías 51:1-6, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

Brasileiro é pessoa desconfiada. Uma pesquisa revelou que apenas 4% da população de nosso país acha que pode, em termos gerais, confiar nos seus semelhantes. É o índice mais baixo em toda a América Latina. A grande maioria das pessoas olha com suspeita o mundo em que vive. Isto é compreensível. Quantas vezes fomos enganados, seduzidos com falsas promessas, decepcionados! Novamente temos eleições pela frente. Será que vai ser diferente dessa vez? Serão cumpridas as promessas feitas durante a campanha, ou serão logo mais esquecidas? A "classe política" é a mais desacreditada, infelizmente. Evidentemente, há também políticos honestos, graças a Deus. Mas os escândalos havidos corroeram a credibilidade dos governantes. Também no mais há gente desonesta que explora a ingenuidade dos desavisados. A crônica policial está cheia de histórias de horror. Confiar? De jeito nenhum. É preciso ficar de olho para a gente não ser passada para trás. A falta de confiança é uma grave enfermidade no corpo da sociedade brasileira. É preciso reagir.

Falta de confiança é também o tema do texto para a pregação de hoje. O profeta se dirige a um povo desenganado, humilhado, castigado. Trata-se do segundo Isaías, a quem se atribui a autoria dos capítulos 40 a 55 do livro que traz este nome. Portanto é um outro Isaías, diferente daquele que fala nos primeiros 39 capítulos. Isto é importante. Pois este segundo Isaías viveu e atuou em outra época do que o primeiro. Ele prega a um povo no exílio e tem diante de seus olhos os estragos causados pela guerra em sua terra natal, uma pátria devastada, um templo destruído, gente na miséria. Isto no sexto século antes de Cristo. E não são apenas as condições externas que preocupam. Também a fé de seu povo sofreu abalo. Como Deus pôde permitir tamanha desgraça? Ainda dá para acreditar em Deus, confiar nele acima de todas as coisas?

O segundo Isaías é o profeta da consolação. "Consolai, consolai meu povo, diz o vosso Deus". Assim ele inicia o seu anúncio. Também neste texto este propósito está em grande evidência.  Em nome de Deus ele proclama: "Eu, o Senhor, terei compaixão de Jerusalém e de todas as suas casas que estão em ruínas." Deus promete transformar as terras num jardim, onde vai morar a felicidade. Prosperidade em lugar de miséria, alegria em lugar de pranto, louvor a Deus em lugar de lamentação. "Isaías segundo" é um profeta que prega salvação. O que o inspira é o novo cenário político da época. O rei da Pérsia, de nome Ciro, derrotou os babilônios e está em vias de libertar os exilados. Podem voltar para casa e reconstruir sua pátria, para o que o novo rei expressamente prometeu ajuda. Isaías enxerga a mão de Deus por detrás dos acontecimentos políticos de seu tempo. E ele se entusiasma: Acabou o tempo da escravidão. Deus concede uma nova chance a seu povo.

Hoje a situação é diferente. Em termos políticos não há nenhum "Ciro" à vista, ou seja, alguém que vai mudar o curso da história e trazer um novo período de paz e de bem estar. Pelo contrário. O cenário global é de ameaças a um planeta que está sendo devastado, em que as reservas de energia estão se esgotando e os preços dos produtos alimentícios vão aumentando. Os jogos olímpicos em Pequim que hoje terminam, foram um espetáculo fantástico, impressionante, sensacional. Mas não conseguiram impedir a guerra na Geórgia, por exemplo. Será que promoveram a paz? Nós continuamos desconfiados. O mesmo vale com relação à prosperidade. Quem promete muito, pode ser charlatão. Existem religiões que se especializaram no ramo. Prometem riqueza e sucesso a quem deposita confiança em Deus - e dinheiro na conta da igreja. Os profetas da prosperidade costumam explorar a boa fé do povo. Acumulam fortunas com as suas profecias, e na maioria das vezes deixam as pessoas no desespero. De fato, quem promete muito, quem promete demais, merece mesmo desconfiança.

Mas voltemos nossa atenção a Isaías, esse profeta do exílio. Será ele igualmente um representante da "religião da prosperidade"? Ele prega salvação, sim! Mas cuidado! Não vamos jogá-lo numa só panela com outros mágicos que dizem ter a receita para o enriquecimento rápido. Ele não quer dar receitas. Pretende, isto sim, reconquistar a confiança de seu povo em Deus. Para tanto ele apela à memória. Ele diz: Lembrem-se da rocha da qual foram cortados, da pedreira de que foram tirados. Lembrem-se quem vocês são e de onde vocês vêm. Lembrem-se de Abraão e Sara, seus ancestrais. Em outros termos, lembrem-se de sua história em que Deus se manifestou de maneira tão abundante e maravilhosa. Vocês acham que este Deus seja capaz de abandonar vocês e de negar-lhes agora a sua ajuda? Um meio para superar a desconfiança é refrescar a memória.

Isto é importante também para a comunidade cristã. Posso imaginar que a desconfiança em Deus bate também à nossa porta. Os problemas são muitos e as perspectivas são poucas. Há tanta coisa absurda acontecendo em nosso mundo, e mesmo em nossas vidas, que às vezes a gente desanima. Nós temos as nossas crises. Então, assim acredito, deveríamos seguir o método de Isaías. Vamos nos lembrar do "material do qual nós fomos esculpidos", da nossa origem, da nossa tradição. Nós fomos batizados, nós carregamos o nome de Jesus Cristo, nós temos um tesouro em nossa bagagem, que é a Bíblia. Ela contém consolo para as nossas tristezas e promessa de um novo futuro. É este o primeiro passo a dar para reconquistar a confiança.

E mais! Conforme Isaías o povo terá motivos para louvar a Deus. Eu repito esse profeta anuncia salvação. E ele o faz em termos muito concretos. Fala em felicidade, alegria, música e cântico. Também isto é significativo. Salvação inclui isto. E sejamos honestos: Não temos também nós motivos para render glória a Deus e louvar o seu nome? Será tudo aflição e tristeza? Certamente não devemos esperar de Deus o sucesso fácil nem a prosperidade em excesso. Deus não é banqueiro que paga juros ou dividendos sobre ações compradas na bolsa de valores. E, no entanto, ele sabe abençoar as nossas atividades e nos prover o pão de cada dia, sim às vezes até um pouco mais. Então, vamos descobrir os benefícios que devemos a Deus e louvar o seu nome, mesmo em épocas difíceis. Deus não abandonou o seu povo. Ainda existem motivos para louvar o seu nome.

Isaías é concreto em seu anúncio. Não deixa a salvação no abstrato. Prenuncia melhoras de vida. Ao mesmo tempo, porém, deixa muito claro que todas as coisas aqui na terra são passageiras. Diz ele: "O céu desaparecerá como fumaça, a terra ficará gasta como uma roupa velha, e os moradores morrerão como moscas. Mas a minha vitória será total, o meu poder durará para sempre." Pois é, vejam aí. O profeta é inimigo das ilusões. A prosperidade que ele anuncia, não é eterna. Nada neste mundo é eterno. A imagem da "terra gasta" me parece extremamente atual. Não é isto o que estamos observando de momento? Uma terra cansada, poluída, esgotada? Seja como for, também essa realidade não justifica o desânimo. Pois Deus não se rende diante da ruína do mundo. Sua salvação dura para sempre. Quando nós estamos no fim, Deus ainda não está. Ele pode renovar nossa esperança mesmo em situações difíceis, desesperadoras, fechadas. Nem a morte é o limite da ação de Deus. Por que ter medo? Quem confia em Deus, sempre terá futuro, mesmo na hora da morte.

Prezada comunidade! O profeta Isaías quer consolar o seu povo. Ele "consola" também a nós. Convida a novamente depositar a nossa confiança em Deus e com isto arriscar confiança neste mundo. Há muito que nos assusta. De certa forma somos como os exilados naquela época - desiludidos, angustiados, desconfiados. Mas não estamos abandonados, não. Isaías nos lembra a promessa de Deus, com o que, aliás, aponta diretamente a um outro profeta que viveu quinhentos anos depois dele. Refiro-me a Jesus Cristo. Nele a compaixão de Deus com a raça humana se tornou pessoa. Morreu, mas ressuscitou, mostrando em definitivo que não há motivo para ter medo neste mundo. Podemos confiar! Se as crises são grandes, Deus não vai deixar de oferecer a sua ajuda. Seu direito vai levar a vitória sobre o mal. Seu reino há de enxugar todas as lágrimas e trazer felicidade e alegria que já ninguém mais vai poder aniquilar.

Então, povo de Deus, confie em seu Senhor, agradeça pelos benefícios recebidos, tenha coragem para enfrentar o futuro. Deus sempre abre caminhos e mostra por onde andar.                                                                 

                                                                                                    Amém   

 

 

   



Pastor Dr Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasilien
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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