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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

1º Domingo de Advento, 30.11.2008

Predigt zu Isaías 64:1-9, verfasst von Haroldo Reimer

 

EM BUSCA DA PRESENÇA DE DEUS

Prezada comunidade!

As lamentações dos nossos antepassados na fé em geral estão marcadas por súplicas. As súplicas encerram desejos profundos. Súplica e desejo não raro desembocam na alegria antecipada da realização do desejado. A lamentação culmina no louvor!

Sim, nossos irmãos e nossas irmãs dos tempos bíblicos depositaram a sua fé em seu Deus, celebrado como o único e verdadeiro. Cultivaram esta fé e viveram na e a partir da certeza de que este Deus "sai ao encontro daquele que com alegria pratica a justiça", "desde a antiguidade..". Essa fé foi a esperança para o seu viver. Foi um norte para a vida e a prática de muitos.

Mas, situações de tribulação, de dificuldade ou de penúria colocam esta fé em xeque. Certezas dão lugar a dúvidas. Mexem com aquilo sobre o que as pessoas colocam a sua confiança. Assim aconteceu com boa parte do povo de Israel nos tempos da reorganização da vida comunitária nos tempos de pós-exílio. A grande tribulação do exílio havia passado. As famílias afetadas por mortes, devastação, deportações na destruição da cidade e do templo de Jerusalém em 586 a.C. já estavam se restabelecendo. As feridas estavam sarando. Afinal, o tempo cicatriza!

Uma parte do povo que voltara do exílio para reconstruir a cidade e o templo testemunhava feitos grandiosos que Deus fez por eles. Pela boca de um profeta de nome Isaías júnior, lhes havia sido anunciado que Deus faria coisas grandiosas como nos tempos de outrora. Haveria um novo êxodo para o povo deportado. O retorno era visto como sinal claro da presença e atuação do Deus de sua fé.

Mas, para a maioria do povo que havia permanecido na terra, Deus parecia não mais operar feitos grandiosos. Sua presença não era mais percebida. Muitos se sentiam como aqueles sobre os quais Deus não dominava mais, como os que não mais são chamados pelo nome Dele (Is 63,19). Estes perguntavam: "onde está aquele que fez subir do mar o pastor de seu rebanho?" (63,11) Onde está aquele "que fez fender as águas diante deles?" (63,12) Onde está aquele "que os guiou pelos abismos?" (63,13). Este povo perguntava de forma nova e intensa pela presença de Deus em meio às suas muitas penúrias e dificuldades.

Por isso, no início do texto se diz: "Oxalá fendesses os céus e descesses!" (v.1). "Oxalá!" "Tomara que!" O lamento expressa a busca interior! A interrogação manifesta o desejo pela presença desejada! "Fender os céus e descer" relembrava a maior de todas as manifestações de Deus. Lembrava a teofania no Sinai. Trazia à memória a intervenção salvadora de Deus em favor de seu povo. Sim, o desejo se alimenta da memória.

A tradição estava repleta de palavras e testemunhos sobre a presença e a atuação deste Deus. A fé-tradição dela vivia. Os proclamadores da palavra a repetiam em prosa e em verso. Recitavam a presença gloriosa de Deus exortando, normatizando, atuando vigorosamente. Mas, no passado! E o presente?

Prezada comunidade!

No seu presente, aquele povo tinha a tradição, tinha a fé-tradição, tinha o ensino-fé. Mas as pessoas buscavam a presença viva de Deus em seu cotidiano. E nós? E no nosso tempo presente? Ainda buscamos a presença viva de Deus?

Porque também para nós a fé se tornou tradição. Estamos rodeados de tradição, de memória, de lembranças. Especialmente neste tempo de Advento, que deveria ser por excelência um tempo de espera, estamos rodeados por tradições que cintilam como o bronze ou que retinem como címbalo. Gingle bells, gingle bells! Adornos de advento. Preparativos para o Noel. Símbolos natalinos. Soam vazios! Incitam quase só para a prática do consumo. Presentes... presentes... E o conteúdo?

Aos pregadores é dada dura tarefa nestes tempos. Há que falar da tradição! Há que manter viva a memória! Afinal, não há mais povo sem recitação da tradição. Não há memória sem a recitação! Por isso falamos. Pregamos. Mostramos. Encenamos. Celebramos. Falamos daquilo que foi prometido. Relembramos o que Deus fez. Recordamos que veio morar entre nós. Indicamos para a manjedoura. Celebramos o Messias que veio em Jesus. Essa tradição nos rodeia. Estamos cheios de tradição! Somos tradição! Mas, e o conteúdo? Ainda buscamos Deus de fato? Ainda o buscamos como nossa companhia pessoal?

Prezada comunidade!

Advento é tempo de espera. É um tempo de busca! Assim foi no passado; assim é para nós. Aquele povo trazia no coração o desejo pela presença viva de Deus. Esperava por sinais de sua companhia. Por isso sua lamentação carregava o pedido: "oxalá!". "Tomara que Deus atravesse os céus e desça!" Isso era o seu desejo! Era sua esperança.

Aquela busca já se transformava, antecipadamente, em alegria. Com o fundamento da fé, aquela gente conseguia dizer: "Senhor, tu és nosso Pai!" (v.8). "Tu és o Deus que operas em quem nele espera!" (v.4). "Nós somos o teu povo!" (v.9). "Sais ao encontro daquele que com alegria pratica justiça, daquele que se lembra de nos teus caminhos" (v.5).

Esperemos! Busquemos! Invoquemos! Expressemos o desejo profundo de que Deus ultrapasse a nuvem espessa das tradições vazias e nos encha com verdadeira fé e confiança. Porque Deus já fez! Ele já desceu! E não deixará de se fazer presente! Busquemos atentamente! Continuemos na prática da justiça! Deixemos nossa angústia romper em alegria! Que Deus fortaleça a nossa fé!

Amém.

 



P. Dr. Haroldo Reimer
Goiânia, Goiás
Brasil
E-Mail: h.reimer@terra.com.br

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