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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Noite de Natal, 24.12.2008

Predigt zu Isaías 11:1-9, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

Quando aconteceu o primeiro Natal, há mais de dois mil anos atrás em Belém da Judéia, a situação na Palestina era nada boa. O rei Herodes exercia seu cruel regime, o banditismo terrorizava a população e a pesada carga tributária multiplicava a pobreza. Era uma terra sofrida esta, na qual Jesus nasceu. Talvez não seja acaso que Maria "deu à luz" não durante o dia, e, sim, à noite. Nós cantamos "Noite Feliz", e neste exato momento celebramos a "Noite de Natal". Natal é um evento "noturno". Ele acontece na escuridão, e isto significa não só depois do por do sol, como também nas angústias que as trevas simbolizam. Diz Martim Lutero: "A luz eterna vem brilhar, nosso mundo iluminar; em nossa noite raia a luz que ao Reino celestial conduz. Aleluia!" (HPD 18,4).

É por isto que o Natal sensibiliza mais do que outras festas. Dificilmente alguém consegue resistir ao fascínio das luzes e da beleza típica da comemoração do aniversário de Jesus. Apesar dos abusos comerciais de que o Natal se tornou vítima, permanece um encanto difícil de explicar. E ele é não só das crianças. O nascimento de Jesus faz vislumbrar, mesmo que por poucos instantes, um outro mundo do que aquele que aí está e sob o qual tantas vezes sofremos. "A luz eterna vem brilhar, nosso mundo iluminar." Natal fala em paz, alegria e amor, tocando assim em profundos anseios humanos. Quem não se comove com tal mensagem?

Aliás, escuridão existia não só quando Maria e José foram à Belém, onde iria nascer Jesus. De certa forma ela acompanha a história da humanidade. Naturalmente sempre houve épocas melhores, épocas de prosperidade e paz, de alegria e de festa. Nem tudo é trevas neste mundo, graças a Deus. A criação de Deus é bela, cheia de oportunidades, convidando a agradecer e a alegrar-se. Mesmo assim, as trevas ameaçam tomar conta da criação divina e transformar o paraíso em inferno. É o que acontece por demais vezes. Também hoje há densas nuvens no céu da humanidade. Basta lembrar a crise financeira, a crise ambiental, para não falar das tantas crises pessoais e familiares. As "noites" são uma realidade, e elas nos angustiam. Vivemos num mundo cheio de medo.

Também o texto para a prédica de hoje foi escrito num desses momentos escuros. O povo de Israel vivia sob terríveis ameaças. Foi quando o profeta Isaías desenvolveu uma visão fantástica. Diz ele que virá um descendente do glorioso rei Davi. Ele vai inaugurar uma nova era de justiça, paz e temor a Deus. O Espírito de Deus estará sobre ele e lhe dará sabedoria, capacidade e poder. E não só isto. Também as condições naturais serão alteradas. O leão vai comer capim, as cobras já não mais matam, vacas e ursas pastarão juntas. Enfim, a terra ficará cheia do conhecimento da glória do Senhor.

O profeta descreve uma situação de absoluta paz, sem motivo para pavor e desespero. O que expõe é ditado pelo ardente anseio por um mundo diferente. A profecia é nostálgica por um lado. Dirige os olhares para trás. Como eram bons os tempos do grande rei Davi. Transformação poderá vir somente através de um descendente seu. Por outro lado dirige a atenção ao futuro, ou seja, a uma nova terra. O mundo de Deus que ele aguarda ultrapassa tudo o que nós seres humanos conseguimos imaginar. A profecia de Isaías nasceu do sofrimento. Da mesma forma, porém, nasceu da esperança. Pois Deus não vai deixar tudo como está. Isaías escreveu numa situação de trevas, mas não sem enxergar luz no horizonte.

A comunidade cristã reconhece em Jesus de Nazaré aquele filho de Davi, enviado por Deus para a salvação de seu povo. Cumpriu-se a promessa de Isaías dizendo que o Espírito Santo está sobre ele e que a sabedoria de Deus nele se revela. Na manjedoura em Belém começa aquele novo mundo de Deus, com o qual não só os profetas sonharam. Fim da violência, justiça para todos, esperança por um futuro melhor, sem fome, sem doença, sem drogas - quem não se entusiasma com tais perspectivas? Não é este o desejo de todos e de todas nós? Com Jesus de Nazaré inicia algo novo neste mundo. Uma estrela nasceu em meio à noite. E seu brilho traz luz à escuridão.  

E, no entanto, o mal continua. Não é esta a verdade? Os lobos continuam devorando as ovelhas, os leões os bezerros, os poderosos os fracos. Onde estão as mudanças produzidas por Jesus Cristo? As trevas de modo algum passaram. Não sei se Isaías teria concordado como a interpretação que os cristãos deram à sua profecia. Jesus, o descendente de Davi, salvador do mundo, cumprimento das nossas esperanças? Ele acabou crucificado. Não ofereceu nem resistência. As trevas novamente se impuseram. O primeiro a tentar apagar a luz de Natal foi Herodes ao ordenar a matança em Belém. Outros lhe seguiram, a exemplo de Pilatos. A luz de Natal é fraca, tênue, ameaçada. Não, Jesus não corresponde à imagem de um salvador. Falta-lhe poder. Pessoa tão indefesa como ele não pode mudar o curso da história. Jesus não tem o jeito de um "filho de Davi".

Verdade é que Jesus de Nazaré não aplicou um golpe de mágica a este mundo. A nova criação continua objeto de esperança. A comunidade de Jesus aguarda a vinda do reino de Deus do futuro. A profecia de Isaías tem em vista a vinda da perfeição, da paz total, do amor perfeito. Nesse sentido a profecia ainda não se cumpriu. Isto vai acontecer somente no fim dos tempos. Não! Jesus não acabou com as trevas. Mas ele acendeu uma luz em meio a elas. Permite assim enxergar por onde andar. Veio trazer o amor de Deus, não a sua violência. É o que pode decepcionar muita gente. Pois amor é fraco. Ele não mata, não subjuga, não odeia. Amor parece ser insuficiente para salvar o mundo.

O Natal diz que não. Afirma o contrário. Condena um mundo sem amor, por mais deslumbrante que seja. Uma casa com todos os requintes técnicos, com todas as facilidades modernas, construída com material de primeira qualidade; uma cidade rica, com ruas limpas e belas vitrines, com construções imponentes e automóveis luxuosos; uma nação super-desenvolvida, no topo das conquistas científicas; tudo isso, se não tiver amor, será frio, impessoal, desumano. Natal celebra a chegada do amor de Deus a este mundo, fraco, sim, mas solidário, acolhedor, aquecendo o ambiente. E ele lembra que com amor, a maioria dos problemas humanos tem solução. "Noite", "trevas", "escuridão", isto é conseqüência do desamor na sociedade. Reside aí a raiz da grande maioria dos males que nos afligem.

Onde estão os efeitos do Natal? Será que Jesus nasceu em vão? Será que Deus abandonou o seu mundo? Será que as trevas conseguiram sufocar a luz acesa por Deus? Quem assim fala é cego frente à realidade. É verdade, eu já o disse, que as trevas continuam a assustar. Da mesma forma, porém, é verdade que o Natal produziu uma "cultura de amor" em nosso mundo. A solidariedade às vítimas da tragédia de Santa Catarina, não será ela um reflexo dessa cultura? Certamente houve quem se aproveitasse da situação, gente que roubou doações ou saqueou casas abandonadas. Infelizmente as trevas sempre de novo se misturam à luz. Mas esta luz existe. Os bons samaritanos de modo algum sumiram. Deus não permite que sua luz se apague. Sempre de novo desperta amor entre os seres humanos.

A oferta de amor é absolutamente insuficiente para satisfazer a demanda. A maioria das pessoas necessita de mais amor do que admite. E as crises de que tanto se fala denuncia o pavoroso déficit que existe nesse tocante. Por isto o mundo precisa do Natal. A salvação vem pelo amor. É o nosso desejo que o amor de Deus encarnado em Jesus, seja acolhido e motive as pessoas a seguir o exemplo divino. Amemos uns aos outros, assim como Deus nos amou. E se quisermos a paz, lembremos-nos que o amor é o seu mais eficiente arquiteto. O amor pode curar feridas, reconciliar e expulsar o medo. Nesse sentido: Um feliz Natal a todos nós.

Amém!

 

 



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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