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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo após Epifania, 01.02.2009

Predigt zu Deuteronômio 18:15-20, verfasst von Harald Malschitzky

 

Irmãs e irmãos em Cristo.

 

Uma passagem impressionante no livro do profeta Isaías é a sua visão do trono de Deus, que literalmente o derruba a ponto de ele exclamar: "Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o Senhor Todo-Poderoso" (Is 6.4b). Também Moisés, no Sinai, tem um encontro com Deus que lhe diz: "Pare aí e tire as sandálias, pois o lugar onde você está é um lugar sagrado". Depois de Deus se identificar, Moisés cobre o rosto "porque ficou com medo de olhar para Deus" (Ex 3.5 e 6b). Deus e seu âmbito são tão sagrados, que o nome de Deus no Antigo Testamento simplesmente é ilegível. As traduções Javé, Jeová ou Jeovah são apenas tentativas de dizer o indizível. A rigor todas estão erradas.

Isto significa: O ser humano não pode se atrever a ingressar no âmbito sagrado de Deus. Ele é frágil demais e impuro demais para suportar o brilho e a glória de Deus. Será que a solução é manter a distância entre criador e criatura? Será que nada resta do que ter medo do sagrado, do desconhecido, de forças e poderes ocultos? Certamente conhecemos pessoas que têm medo e vivem no medo. Quantas vezes o medo de Deus e do sagrado é ensinado às crianças como meio pedagógico para se conseguir obediência! O ser humano, ao longo de sua história, foi criando formas de se proteger e também formas de adivinhar aquilo que supostas forças e poderes ocultos poderiam estar planejando para o futuro. Os resultados são conhecidos!

A resposta para o distanciamento entre criador e criatura, sagrado e humano, é dada pelo próprio Deus. Ouçamos o texto sugerido para o domingo de hoje, do livro Deuteronômio, capítulo 18, os versículos 15 a 20.

(...)

Então, Deus chama pessoas para, por assim dizer, serem pontes entre ele e sua criatura; ele chama gente de carne e osso para serem seus profetas. Aliás, neste ponto é preciso dar uma pequena explicação. Acontece que no imaginário por aí - também no nosso! - profeta é uma pessoa que adivinha o futuro, desde como será o tempo no próximo final de semana até como será o futuro de nossa vida. Na verdade, porém, o papel do profeta, assim como a Bíblia o descreve, é outro. O profeta tem a tarefa de fazer conhecer ao povo a vontade de Deus, tanto em palavras como em ações concretas. As vidas de muitos profetas nos ensinam que eles sofreram para cumprir esta tarefa. Muitos o pagaram até com a vida. Sem dúvida, os profetas falam também do futuro, mas sempre no horizonte do próprio Deus e de sua vontade. É sua tarefa chamar o povo à razão para que a vida seja preservada em sua dignidade para todas as pessoas. Os profetas não separam as questões de fé das questões da vida cotidiana, porque tanto a fé como a vida tem a ver com Deus. Eles anunciam a boa vontade de Deus para a criatura e a criação e criticam - por vezes duramente- tudo aquilo que, no jeito de nós levarmos a vida, é destrutivo.

A pregação profética mais forte e mais radical sem dúvida foi e é a de Jesus de Nazaré, que era mais do que os profetas na história anterior. Ele foi a encarnação do próprio Deus. Sabemos dos Evangelhos que suas palavras não receberam somente aplausos e aceitação, mas também - e muito - rejeição. Isto pela autoridade com que ensinava em nome de Deus e com que criticava os desvios e os abusos. Dizia que não era preciso ter medo do desconhecido, nem da violência de seres humanos. Porque Deus não deseja manter distância entre criador e criatura, ele quer antes a comunhão com ela. Certamente não é demais dizer que Deus usou e usa seus profetas para a preservação do ser humano e da criação, que são a sua paixão.

Mas o texto para a prédica de hoje chama a atenção também a um outro fenômeno que desde sempre acompanhou e ainda acompanha os profetas. Trata-se dos falsos profetas, que anunciam o que Deus não disse e que nem é de sua vontade. São aqueles que dizem que tudo vai bem, quando tudo está mal; que tudo vai dar certo quando a catástrofe é visível; que Deus não se importa com sua criatura e que por isso, vale a lei do mais forte, do mais astuto. Uma cena da vida do profeta Jeremias é uma boa ilustração: O profeta estava vendo que os babilônios eram mais fortes e que iriam subjugar todo o povo. Ele saiu pelas ruas com uma canga no pescoço. Veio um outro "profeta", lhe arrancou a canga e a quebrou diante das pessoas. Dias depois Jeremias apareceu com uma canga de ferro... O Cativeiro Babilônico veio e o povo foi transformado em escravo!

Deus continua chamando profetas e profetisas também fora dos muros das igrejas. Sem dúvida, os reformadores da Igreja foram também profetas e a gente sabe que exercer este papel podia ser pesado. Lembremos Martin Luther King, cujas palavras, muitas vezes na melhor tradição profética, mudaram as relações entre negros e brancos nos Estados Unidos e estão na raiz de outros movimentos antiracistas; lembremos Desmond Tutu, bispo anglicano na África do Sul e o político Nelson Mandela, cuja pregação e ação minaram o sistema de apartheid; não por último lembremos Dietrich Bonhoeffer e tantos outros cristãos na Alemanha que anteviram o desastre do nazismo e que levantaram a voz contra ele, pagando a sua ação muitas vezes com a própria vida; mencionemos ainda Hélder Câmara no Brasil. Estes nomes são representativos para muitos outros que exerceram um papel profético.

No entanto, também em nossos tempos as vozes dos falsos profetas falam alto, vozes que nos dizem que sempre houve pobres e ricos, palavras que insistem em afirmar que sistemas econômicos estão acima da vida individual de pessoas. De repente, porém, o sonho acabou e milhões de pessoas, criaturas de Deus amargam o desemprego e o desamparo. Igrejas, grupos, organizações há muito tempo vêm alertando para as "bolhas de desenvolvimento". Novamente trata-se apenas de exemplos. A verdade é que Deus precisa chamar muitos profetas e muitas profetisas porque o mundo teima em tomar caminhos destrutivos.

Deus continua sagrado, santo. Ele não depende de nós para fazer a sua obra. Nós, porém, dependemos de Deus para sobreviver. Nascimento, vida, sofrimento e morte do Cristo não ficam diminuídos se não o tomamos a sério. Prejudicados saímos nós, porque, fechando olhos e ouvidos à santidade e ao amor de Deus, fatalmente ouviremos os falsos profetas e suas falsas promessas. Roguemos a Deus que nos dê profetas e profetisas e nos faça profetas e profetisas para que tenhamos coragem de resistir às propostas de caminhos fáceis e cômodos, porém falsos.

Amém

 

 

Oração: Senhor nosso Deus, tu escolhes o caminho de nossa fragilidade para proclamar a tua vontade, que deseja que os seres humanos e o mundo vivam em plenitude diante de ti. Dá-nos o teu Santo Espírito para que, ouvindo tua voz, tenhamos coragem de falar e agir em teu nome. Obrigado por profetas e profetizas que são exemplos para nós. Por Cristo, que viveu a tua vontade até o amargo fim, nós pedimos e agradecemos. 

Amém.

 

 

 



P. Harald Malschitzky
São Leopoldo, RS, Brasilien
E-Mail: harald.malschitzky@terra.com.br

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