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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo após Epifania, 01.02.2009

Predigt zu Deuteronômio 18:15-20, verfasst von Ervino Schmidt

  

Prezada comunidade!

Temos hoje o início do mês de fevereiro. Mas ainda está muito presente entre nós a magia do Natal. Lembramos as tocantes celebrações, os hinos de todos os anos, o pinheiro e o presépio. Tantas coisas! O presépio... Ele é especial. Leva a mergulhar na beleza da história natalina. Não há necessidade de explicações. Ficamos encantados e despertamos para a noção que, de algum modo, também somos de lá. Igualmente está gravada no nosso íntimo a imagem de que "não havia lugar na hospedaria". O menino Jesus nasceu pobre. Mas foi esse caminho que Deus escolheu para demonstrar seu amor, sua compaixão, sua profunda solidariedade com os seres humanos e com sua criação. É óbvio que, desta forma, Deus questiona as estruturas na sociedade que se baseiam na violência e na sede por poder e ostentação. Deus escolheu a humildade para se aproximar de nós, indicando que somente assim é possível semear amor, compreensão, respeito e aceitação mútua entre as pessoas.

Recordamos também o dia 6 de janeiro, a festa dos magos do Oriente. "Tendo nascido em Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus'? Nós vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem". O Evangelho não enumera nem quantidade nem nomes. Foi a tradição da Igreja que quis associar cada nação conhecida no tempo de Jesus com um mago do Oriente, criando assim os reis que representam os povos brancos, negros e amarelos. Mas o importante, na história dos reis, não são os detalhes como nomes ou lugares de origem, mas a idéia do caminho percorrido para encontrar-se com Jesus. Os magos do Oriente são representantes de todos os povos.

 

A autoridade do recém nascido abrange toda humanidade. Jesus é apresentado ao mundo pagão para mostrar que o Menino veio para a salvação não só dos judeus, mas de todas as pessoas. Os magos, estes homens experimentados e sábios se prostram diante daquele Menino e, num ato de fé, reconhecem seu senhorio e sua autoridade. Expressaram tal reconhecimento no simbolismo dos presentes dados ao Salvador: com a mirra, reconheceram nele homem sofredor; sua realeza, manifestada no ouro e a sua Divindade, manifestada pelo incenso.

 

O reino inaugurado pelo Jusus-menino  vem para o mundo todo, dissemos. O poder do amor encarnado se estende a todas as pessoas e é testemunhado e vivido com autoridade. Isso começa a ser destacado cada vez mais. O evangelista Lucas, por exemplo, mostra o menino Jesus "sentado no meio dos mestres da Lei, ouvindo-os e fazendo perguntas a eles. Todos os que o ouviam estavam muito admirados com a sua inteligência e com as respostas que dava". É uma maneira de sublinhar a autoridade de Jesus. E logo no início do evangelho de Marcos, no contexto de uma narrativa de cura, é dito que todos ficaram espantados e perguntavam uns aos outros: Que quer dizer isso?  "É um novo ensinamento dado com autoridade".

Até aqui vimos que a Epifania do amor de Deus se dá através do nascimento de Jesus em humildade e através do seu ensino com autoridade. Esse é o início. Jesus ensina a partir das Escrituras como o faziam os escribas e fariseus. A sua autoridade na interpretação da vontade de Deus é comparável à autoridade de Moisés que está na origem da formulação da Lei. Mas ao contrário dos intérpretes que dependem da autoridade de Moisés, ele tem luz própria! Nesse contexto está situada a passagem de Deuteronômio, prevista para ser base de pregação nesse Domingo após Epifania. "Do meio deles escolherei um profeta que será parecido com você. Darei a esse profeta a minha mensagem, e ele dirá ao povo tudo que eu ordenar" (Dt 18.18). Essa promessa messiânica se cumpriu em Jesus. E é isso o que importa! Poderíamos parar aqui. Mas convido para olharmos ainda alguns detalhes desse trecho do Antigo Testamento.

Chama atenção que Israel sempre teve que enfrentar os costumes dos povos pagãos ao seu redor. Eram-lhe muito estranhas as maneiras destes de entrar em contato com o poder divino. Por isso a advertência : "Não ofereçam os seus filhos em sacrifício, queimando-os no altar. Não deixem que no meio do povo haja adivinhos ou pessoas que tiram sortes; não tolerem feiticeiros, nem quem faz despachos, nem os que invocam os espíritos dos mortos" (Dt 18.10,11).

Israel tem bem outra maneira de se relacionar com Deus. São os profetas que comunicam a vontade divina para o povo. Eles não são adivinhos, mas intérpretes da lei. O povo precisa deles. E ele tem necessidade de um profeta e solicita a Moisés que assuma essa tarefa. É a comunidade que toma a iniciativa e propõe. Assim deve continuar. Também os futuros profetas devem ter estreita ligação com o povo: "do meio deles escolherei para eles um profeta". Serão pessoas que se identificam com o povo e o compreendem, pessoas que vivem a sua realidade e falam a sua linguagem. É nesse sentido que o profeta é "suscitado" por Deus

Ao mesmo tempo é mencionado que ser intermediário profético significa assumir risco. Pode ser perigoso, pode custar a vida. Esse intermediário entre Deus e o povo está aí para servir e, quem sabe, até para sofrer. De fato muitos profetas de Israel experimentaram incompreensão, perseguição e morte. Aliás, a imagem do Servo Sofredor caracteriza, por excelência, a vida e obra de Jesus que, tendo amado amou até o fim, até à morte, e morte de cruz.

Vejamos ainda algumas indicações que o livro Deuteronômio dá sobre a função do profeta, tendo por exemplo Moisés. Antes de mais nada, o profeta intercede pelo seu povo. Além disso, é tarefa sua atualizar a vontade de Deus. Coube a Moisés codificar a vontade de Deus para seu povo. A ele foi revelada a Lei. Mas esta precisava ser constantemente lembrada. Lugar capital também ocupa o cuidado pelos pobres. Enfim, é tarefa sua zelar para que a Lei venha a se constituir caminho único por onde o povo deve seguir.

E nós? Qual é nossa tarefa? Temos os textos bíblicos inspirados. Aceitamos a autoridade dos mesmos e de quem no-los legou. Somos intérpretes para os nossos dias, mas com autoridade derivada. Descobrir o caminho por onde a Igreja de Cristo deve seguir é tarefa da comunidade profética, hoje, como sempre o foi. A vida da Igreja de acordo com a vontade de Deus deve ser uma preocupação constante de todos nós. Nem sempre vamos encontrar a interpretação profética nos círculos tradicionais das nossas comunidades. Cabe-nos também estar atentos a movimentos eclesiais alternativos ou mesmo não cristãos. Profético pode ser, por exemplo, um grupo que se empenha por libertação e tenha clara consciência de sua vocação.

E para encerrar. Uma canção, muito cantada nos comunidades cristãs de base no Brasil, resume assim a missão do profeta:

"Tenho que gritar, tenho que arriscar, /Ai de mim se não o faço!

Como escapar de ti? Como calar, / Se tua voz arde em meu peito?

Tenho que andar, tenho que lutar, /Ai de mim se não o faço!

Como escapar de ti? Como calar, / Se tua voz arde em meu peito?"

 

Oração: Queremos ouvir a tua palavra, ó Deus, de forma nova. Ajuda-nos a encontrar orientação para o nosso viver.

Amém

 



P. Ervino Schmidt
Porto Alegre, RS, Brasilien
E-Mail: ervinus@bol.com.br

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