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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

10º Domingo após Pentecostes (Dia dos Pais), 09.08.2009

Predigt zu 1 Reis 19:4-15, verfasst von Hans Trein

 

Querida Comunidade de Jesus Cristo, caros pais!

Elias foi para a fé judaica o profeta mais significativo depois de Moisés. Até mesmo Jesus foi interpretado como sendo Elias redivivo. E não é para menos! Ele viveu e atuou ao redor de 850 anos antes de Cristo. Foi protagonista de muitas lutas e batalhas. Ajudou a pobre viúva de Sarepta a sobreviver, não deixando que lhe acabassem a farinha e o azeite. Ressuscitou o seu único filho que era a sua segurança na velhice. Enfrentou o rei Acabe que queria tomar a terra do pobre Nabote, para fazer um jardim do seu palácio. Enfrentou a mulher do rei, Jezabel, que quase consegue levá-lo a execução. Previu uma devastadora seca, durante a qual foi alimentado por corvos. Enfrentou um severo processo de idolatria a que todo o povo de Deus estava sendo submetido Teve que testemunhar sozinho o Deus verdadeiro contra 450 profetas de Baal. Sua vitória foi contundente. Mas a chuva que tardava lhe consumia as energias e a confiança. Finalmente, veio a chuva. Mais uma vitória contra Baal, considerado o manda-chuvas. Deus mostrou seu poder sobre o ídolo. Mas, Elias cansou. Jezabel ameaçava sua vida. Elias resolveu fugir para o deserto. Leio os versos de 1 Reis 19, 4-8, o texto base para a pregação de hoje:

Leitura: 1 Reis 19,4-8.

Elias está no prego. Ainda por cima decepcionado. Depois de todo o seu empenho, seu engajamento por Deus contra tudo e contra todos, contra o poder do reinado ele tem que fugir, ele corre por sua vida. Ele tem aquela sensação de que ele não é melhor do que eram seus pais. E surge aquela pergunta insistente: de que valeu tudo isso, para o que serve? Isso não tem sentido. Elias experimenta o poder de Deus, realiza grandes feitos e agora vem a queda, a sensação de inutilidade, de falta de sentido, da solidão. Nada mais resta do que querer a morte.

No dia de hoje somos lembrados dos pais. Desde meninos, os futuros pais são treinados a serem antes de tudo fortes. "Homem que é homem não chora!" São ensinados a serem duros, firmes, e até mesmo agressivos, se necessário. Homens são admirados quando ambiciosos, quando se arriscam. Ambição e competitividade passam a ser consideradas virtudes quando pais de família as demonstram, para garantir o sustento de esposa e filhos. Até mesmo falta de escrúpulos é tolerada quando empregada em favor da família. Pais travam grandes lutas para melhorar as condições de vida. O fracasso está sempre rondando. O estresse está sempre presente. Quando menos os pais se dão conta, os filhos se formam, saem de casa, constituem suas famílias, não são mais de sua responsabilidade. Os pais se aposentam, ainda querem curtir um pouco a vida... e a sensação do dever cumprido de repente vira em depressão. A saúde começa a ratear, a pessoa vai se deixando cair. Cadê o anjo para cutucar a gente, a levantar, a se alimentar, a caminhar, a mostrar que tem mais vida e mais tarefas com sentido pela frente?

Certamente cada pai tem sua história de lutas para contar. Uns tiveram grandes vitórias outros tiveram sucessos menores, outros conseguiram sustentar razoavelmente as suas famílias, ainda outros, com muito esforço, conseguiram contornar maiores perdas e fracassos. Certo é que cada pai chega à meia idade, olhando para uma história de lutas e esforço, para cumprir a sua missão e o seu papel, aquilo que dele se espera na família e na sociedade. E essa história de lutas deixou as suas marcas. Muitos que nunca ouviram os gritos de socorro do seu corpo e da sua alma chegam a esse ponto de sua vida e são alcançados por questões não resolvidas na juventude. Muitos que não se permitiram a admitir suas fragilidades, agora se sentem ameaçados por elas. Agora, que a vida poderia ser mais leve, sem aquela grande responsabilidade, aparecem esses fantasmas não trabalhados. E todo o esforço e empenho dado, toda a energia investida para o que serviu? Os filhos estão grandes, seguem o rumo de sua vida...

A nossa sociedade, em seu mais recente processo de divisão de trabalho, coloca os idosos no asilo. Lucio Flores, um indígena da etnia Terena, do Mato Grosso do Sul, em visita a um lar de idosos na Alemanha, observava como um grupo de idosos realizava trabalhos manuais ao redor de uma mesa. Estavam na sala da terapia ocupacional. Todos já tinham severas limitações físicas, alguns estavam em cadeiras de rodas. Bordavam, tricotavam ou simplesmente giravam uma manivela ou enrolavam fios. Depois de observá-los por algum tempo, Lucio Terena fez dois comentários muito interessantes: 1) Essas pessoas estão fazendo coisas, mas elas no fundo sabem que isso é apenas para ocupá-las, não tem mais um valor produtivo. O que será que essa consciência faz com eles? Será que de fato os torna mais felizes? 2) Na sociedade indígena seria inimaginável viver com idosos que têm as limitações físicas das pessoas nesse asilo. Nossos idosos na aldeia indígena se tornam bem velhinhos, mas trabalham até o fim da vida. Não existe aposentadoria na comunidade indígena. Ninguém é isentado de fazer algo para o próprio sustento ou em beneficio da comunidade. E aí arrematou, perguntando: Será que a forma de a sociedade moderna tratar os seus idosos, como aposentados, como pessoas sem valor na esfera produtiva, não os degrada para se tornarem exatamente esses velhos dependentes que temos em nossa frente? Quanto mais urbana a sociedade, tanto mais isso parece tornar-se dramático.

A sensação de aposentado passa a ser a de um sobrante. Isso pode desembocar em depressão e vontade de morrer. As pesquisas mostram que muitos homens investidos de pesadas responsabilidades durante sua vida profissional, não duram muito tempo depois da aposentadoria. Quem teve uma vida repleta de atividades e correrias, quando pára, morre. A vida perde em sentido, não há mais forças para refazer outros sentidos. Então vem aquelas perguntas insistentes sobre a validade de tudo isso. A depressão passa a rondar ameaçadoramente os pensamentos e os sentimentos. É quase como Elias que se deita embaixo de uma árvore e quer morrer.

Deus continuava com Elias, mesmo sem ele sentir. Deus enviou o seu anjo, para animar Elias e refazer suas energias com comida. O anjo teve que vir uma segunda vez, para trazer comida e, dessa vez, também uma perspectiva: "o caminho te será sobremodo longo"! Elias comeu, sentiu-se revigorado e caminhou quarenta dias e quarenta noites até o monte Horebe. Durante o pernoite numa caverna, Deus lhe perguntou: "Que fazes aqui, Elias?" Essa pergunta faz Elias despejar a alma e tudo o que a oprime. Ele recorda todo o seu zelo e empenho pela causa, para cumprir a sua tarefa e, no fim, sente-se sozinho e ainda ameaçado em sua vida.

Nesse momento, Deus tem uma revelação importante a fazer para Elias. Quarenta anos o povo de Israel andou pelo deserto até chegar à terra prometida. Quarenta dias e quarenta noites Jesus jejuou e se preparou para o seu ministério. Deus pede que Elias suba o monte Horebe e observe. Sobe um forte vento, fendendo montes e despedaçando rochas, mas Deus não estava no vento. Dá um terremoto, tudo ao seu redor começa a balançar, mas Deus não estava no terremoto. Depois cai fogo ao redor, mas Deus não estava no fogo. Depois do fogo veio uma brisa leve. Elias percebeu que Deus podia estar nessa brisa e cobriu o rosto, para não vê-lo e morrer. Elias volta à caverna. Deus lhe pergunta de novo. Elias despeja novamente toda sua frustração e decepção. Deus lhe dá uma tarefa que revela o sentido de tudo pelo que o profeta se empenhou. Elias aprende que sua luta não foi em vão. Também nós podemos confiar que Deus completa no silêncio e na suavidade de uma brisa leve o nosso fazer fragmentário, para que coopere no crescimento de Seu Reino.

E para os pais aposentados, um recado bem especial: Vocês não estão aposentados da fé! Ninguém se aposenta da fé! Podemos aprender dos indígenas que as pessoas idosas são verdadeiros depósitos de experiência de vida e de sabedoria. Aposentadoria não significa não fazer mais nada, não prestar mais para nada, ir para o estaleiro. Pelo contrário, ter uma tarefa, ter a sensação de que a gente está contribuindo para a própria subsistência, que a gente não está sendo um peso para os outros da família preenche a pessoa idosa com dignidade de vida. Nas comunidades indígenas isso ainda é muito claramente perceptível.

Talvez até alguns de vocês mais idosos já perceberam que o seu nome foi mudado para "Jaque". Pois vêm muitos aí e dizem: "Já que" tu estás aposentado, tu não poderias fazer isso ou aquilo? "Já que" não estás fazendo nada não poderias assumir um cargo na comunidade? "Já que" tens tempo sobrando, toparias assumir uma tarefa em benefício da comunidade ou do município, da coletividade? Entre estes certamente também estão os anjos que Deus está enviando, para alimentá-los, animá-los, encorajá-los. A vida continua com sentido. Deus ainda tem missões para vocês. A comunidade não pode prescindir de nenhum de vocês e de sua experiência de vida. Venham!

E a paz de Deus que supera todo o nosso entendimento conserve os nossos corações e mentes em Cristo Jesus.

Amém

 

 



P. Hans Trein
São Leopoldo, RS, Brasilien
E-Mail: comin@est.edu.br

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