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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

14° Domingo após Pentecostes , 06.09.2009

Predigt zu Isaías 35:3-10, verfasst von Ervino Schmidt

 

Estimada comunidade!

"Não tenho mais forças para nada! Não agüento mais essa vida! Perdi as esperanças!" Certamente conhecemos esse desabafo. Tudo é difícil demais. Os motivos para tal lamentação podem ser os mais diversos: Alguém cansou de procurar trabalho. Há muitas semanas já pesquisa diariamente os anúncios nos jornais. Em seguida se põe a caminho, mas as portas se fecham. Cansado retorna para casa. Já perdeu as esperanças. Ou então, há casos de doença grave que se prolonga por muitos anos. É um sofrimento só! É compreensível que então alguém, passando por indizível dor, queira desistir da própria vida. "Não agüento mais!" Ou uma outra cena: Desentendimentos constantes no âmbito da família. Elas, com o tempo, podem levar a desânimo total. Ou ainda: Perdas de pessoas de referência podem fragilizar a vida e, muitas vezes, levam a não mais querer ir em frente.

Os motivos da perda de esperança são os mais diversos e não se resumem ao estreito contexto familiar. Também situações bem amplas nos trazem preocupação, nos assustam e não nos permitem vislumbrar saídas. Pensemos na crise econômico-financeira pela qual passa o mundo hoje e que atinge a todas as pessoas, principalmente as mais pobres. O destino da economia ficou a mercê do livre jogo dos capitais. Os resultados foram catastróficos. Instalou-se uma verdadeira "economia de cassino" que não contribuiu para construir um mundo mais justo e mais fraterno. Continuam as divisões entre ricos e pobres. O moderador do Conselho Mundial de Igrejas constata que, embora as divisões, na atualidade, sejam mais complexas, mas ao mesmo tempo mais flagrantes e sutis, elas se refletem na oferta restrita ao acesso à água, à alimentação, à educação e assistência à saúde de uma grande parcela da população mundial. A crise tem, pois, conseqüências diretas para a vida do dia a dia. Também o Papa fez referência à crise financeira internacional. Em sua encíclica "Caritas in Veritate" convida a rever os atuais modelos de desenvolvimento. Preocupação em toda parte.

E o que dizer do surto da gripe A? Chegou a mudar o comportamento e a rotina das pessoas. Medo espalhou-se pelo mundo.

E no Brasil: As irregularidades no parlamento nos deixam perplexos. Já não sabemos o que se pode esperar de um Congresso Nacional onde a maioria quer apenas tratar de seus interesses particulares. Não agüentamos mais!

Em meio a tudo isso ouvimos as vigorosas palavras de esperança do profeta Isaías: "Fortalecei as mãos fatigadas, firmai os joelhos cambaleantes (...) Eis o vosso Deus. Ele mesmo vem salvar-vos." Haverá um caminho! Um bom caminho que se chamará "o Caminho Santo"! Semelhante mensagem de consolo encontramos em um outro trecho do livro de Isaías. As palavras ali pronunciadas soam como acordes de uma sinfonia. Quem delas não se lembra: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor ...".

Mas a quem são dirigidas essas mensagens? As pessoas que sofrem sob a opressão de inimigos. Estão "de joelhos cambaleantes" e de "mãos frouxas". Andam "desalentados de coração".

A situação do povo de Deus é estarrecedora! É profundo o desespero. A esperança desapareceu. Sentiam-se esfacelados. Longe de casa, em terra estranha, o povo lamentava sua sorte: "À beira dos rios da Babilônia, ali ficávamos sentados, desfeitos em prantos, pensando em Sião. Nos salgueiros da vizinhança havíamos pendurado as nossas cítaras. Ali, os conquistadores nos pediam canções..." (Sl 137.1-3). Mas o povo não conseguia cantar em terra estrangeira, entregue nas mãos do inimigo. Uma dificuldade especial era viver sem acesso ao templo que, aliás, fora destruído pelos invasores. A situação era mesmo de se ficar "desfeito em prantos".

Importava dar ânimo, dar esperança a esse povo. Era necessário deixar claro que Deus é fiel à sua aliança e que nele está a verdadeira libertação. Ele abre o futuro para os seus mesmo onde não há absolutamente nada a esperar. Deus se volta aos que nada são, aos que não mais tem esperança, aos que nada tem a oferecer ou do que se orgulhar. A aliança que ele firma é graça. Ele é o sujeito. Mesmo quando o povo que ele chamou para ser luz e salvação para as nações se tornou um pobre grupo abatido, ele suscita vida e o ergue. É nesse sentido que o profeta proclama a sua enérgica mensagem de renovação do povo eleito. Ele não alimenta esperanças ilusórias, mas aponta concretamente para Deus que é poderoso para criar situação nova, para criar um mundo novo. Unicamente ele é capaz de criar uma situação transformada em que reinem paz e bem estar.

E ele não é um desconhecido! Por isso o profeta diz expressamente: "Eis o vosso Deus"! Não é grandeza qualquer. É "o vosso Deus". Os endereçados são convidados a lembrarem-se de como ele libertou seu povo do Egito e como ele sempre lhes tem mostrado fidelidade e cuidado. Essas lembranças serão capazes de desencadear associações sem fim e de criar novo ânimo. "Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará." Não é por acaso que o nosso texto muitas vezes é usado na época de Advento. Mas "ele vem" é apropriado para qualquer período do ano eclesiástico, pois Deus está em permanente vinda. E ele vem com poder. "A vingança vem". Aqui não se trata de manifestação de terror, mas de restabelecimento do direito aos que não têm mais condições de fazê-lo. Ele faz vingar a justiça e depõe aqueles que a desrespeitam.

É exatamente dessa forma que o dia da vingança se torna o dia do consolo. Ele vem com poder, dissemos. Sim, "ele vem e vos salvará". Isso significa que ele conduzira a uma existência de bem estar onde reinem tranqüilidade, paz, saúde, abundância. Tudo isso se dará concretamente na vida das pessoas, ou seja, na história real. E agora essa nova realidade que já pode ser vislumbrada, com a qual se pode contar, é descrita com as mais vivas imagens. Vejamos:

Inicialmente é a bordada a questão da saúde. No abandono em que o povo se encontrava certamente havia muitos e graves problemas nessa área. São mencionados os cegos, os surdos, os coxos. Mas o que chama atenção e também encanta é o emprego de uma linguagem que exagera a verdade das coisas a fim de apontar para uma cura maior. Os coxos não caminharão simplesmente. Eles "saltarão como cervos". A língua dos mudos não somente falará, mas "cantará".

Outro forte símbolo da salvação é a imagem de água jorrando na terra seca. "Águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo". Haverá vida. Crescerá a erva com canas e junco." Com isso animais perigosos do deserto desapareceram, pois era este o seu habitat. Não há mais o que temer.

E, por fim, salvação significa libertação da opressão dos inimigos. Finalmente será possível o tão esperado retorno. Haverá um bom caminho. Não é qualquer caminho que leva de volta a Sião, que possibilita o retorno à pátria. Tem que ser um caminho Santo, isto é, separado para Deus. Todos que passarão por ele estarão de relações restauradas, reatadas com Javé. E tem mais: ninguém correrá o risco de se perder, de se desviar nesta estrada. É garantido um trânsito livre dos perigos que costumeiramente ameaçavam os viajantes e peregrinos. São sinais da transformação radical e ocorre nos novos tempos. Como cristãos devemos lembrar ainda, que o caminho seguro por excelência veio a ser o próprio Filho de Deus.

O profeta nos conclama para confiarmos inteiramente nesse Deus libertador, que não abandona os seus, nem mesmo nas situações mais adversas e que renova nossas forças para construirmos uma nova realidade mais conforme com o Reino dos Céus. Temos motivo para júbilo e alegria e de nós "fugirá a tristeza e o gemido". Sede, pois, fortes. Não temais!

Amém!



P. Ervino Schmidt
Porto Alegre, RS, Brasilien
E-Mail: ervinus@bol.com.br

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