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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

22° Domingo após Pentecostes , 01.11.2009

Predigt zu Deuteronômio 6:1-9, verfasst von Martin Dreher

 

Irmãs e irmãos!

Nosso texto forma, com Dt 11.13-21 e Números 15,37-41, o Sch'ma, o credo de Israel, que deveria ser orado duas vezes ao dia, pela manhã e à noite e no qual Jesus viu o principal mandamento (Mateus 22,37). Com as palavras "Ouve, Israel" eram iniciados todos os cultos do Israel antigo. Em nosso texto também está contido o principal mandamento, o primeiro. Cada vez que o lemos somos lembrados de que a comunidade cristã tem suas raízes na sinagoga judaica. Lembrado é também o martírio de muitos judeus que morreram, proferindo o Sch'ma, palavras proferidas pelo moribundo judeu até nossos dias. É verdade que nós, como comunidade cristã, oramos estas palavras, englobando nelas a Jesus e ao Espírito Santo, como Lutero o fez em seu hino: "Nós cremos todos num só Deus" (HPD 88). Mesmo que não sejamos Israel segundo a carne (1 Co 10,18), somos o Israel de Deus (Gl 6,16) seu povo (1Pe 2,9s). Estamos na história de seu amor. Por isso vale, tanto para Israel como para a comunidade cristã, que devemos colocar a Deus sobre todas as coisas, dedicar-lhe todo o nosso coração e todos os nossos sentidos.

1. Deus é aquilo em que colocamos nossa confiança: dinheiro, inteligência, poder, honra. Por isso, o Pai de Jesus Cristo, sempre de novo tem que se impor contra seus concorrentes. Na teoria podemos crer nele, mas como estão as coisas na prática? Na prática estamos circundados por politeísmo. Nossa confissão, porém, afirma que nosso Deus é tão poderoso, santo e bondoso, que diante dele todos os demais deuses empalidecem. Quando o sol se levanta, as demais estrelas empalidecem. Quando se conhece ao Pai de Jesus Cristo, os demais deuses ficam desinteressantes. Por isso, nosso texto pode afirmar: "O Senhor nosso Deus é o único Senhor". Ele é único por causa da experiência única que fizemos com ele.

Mas o credo quer dizer também que Deus é único em um outro sentido que complementa o primeiro. O Pai de Jesus Cristo não se divide em muitos deuses como acontecia com Baal que se apresentava de distintas maneiras em distintos lugares. O único Deus não se divide aqui em Deus da prosperidade, ali em Deus da cura, ali em Deus do poder e em todos os anseios que nele depositamos. O único Deus é o Deus que tirou seu povo de existência escrava no Egito e que preparou para ele um futuro. Por isso, seguir a outros deuses é recair na escravidão e ficar sem futuro. Assim como ele nos amou incondicionalmente, nosso amor a ele tem que ser incondicional. Ele dedicou-nos seu coração e quer que lhe dediquemos o nosso. O amor é exclusivo. Por isso: devemos temer e amar a Deus acima de todas as coisas.

2. Há um só Deus - só temos um coração. A esse Deus único que experimentamos na salvação da escravidão pertence nosso único coração. Será? Sei que essa entrega incondicional a Deus não existe entre nós e seria falso de minha parte exigi-lo, agora, de ti, comunidade. Sei também que Jesus espera essa incondicionalidade de nós. Por quê? Porque para dar bom fruto, a árvore tem que ser boa (Mt 7.17). Nosso corpo só será luminoso se nossos olhos forem bons (Mt 6.22). De nada adianta a gente ficar tentando tirar o cascão corpo com muitas escovas, pois a pureza ou a impureza vem do coração (Mc 7.15). Deus se interessa pelo que está no oculto, não pelo que se apresenta com fanfarras. Devemos ser perfeitos como é perfeito nosso Pai celeste. Deus é único; nós também o deveríamos ser. E, de fato o somos.

Deus quer que o amemos (v.5). O que é isso? É difícil descrever essa palavra, amor. Até parece que não precisamos refletir sobre ela. Todos sabemos o que é. Será? Amor é o interesse profundo, que vem lá do fundo de nosso coração, pela outra pessoa. É pensar, querer, sentir e agir a partir da outra pessoa e em direção a ela. É ligação ao outro, sabendo que dele não podemos prescindir. A outra pessoa me é valiosa. Quero fazer até o impossível por ela. Não é difícil viver para ela porque meu coração está colado nela. -

Olhando para Deus: quando Deus tem nosso coração, aí ele nos tem completamente. Nosso pensamento, nossos desejos, nossos sentimentos, nosso anseio, nosso olhar. Dele é nosso trabalho, nossa alegria de viver, mas também nossa tristeza. Mesmo quando sofremos, nosso amor é dele. Na maneira pela qual assumimos o sofrimento, honramo-lo. "Sou ainda pequenino e tenho o coração limpinho e nele, sem cessar, Jesus há de morar".

Nosso respirar deveria estar repleto do amor de Deus. "De toda a tua alma". "Que respiramos, com saúde estamos, que nossos lábios, mãos e pés movemos, à tua bênção nós o agradecemos: Glória cantemos" (HPD, 274,3). Com toda a força, com veemência. Deus quer que o amemos desesperadamente. Sobre todas as coisas. Nada deveria ter a importância que ele tem. Como discípulos de Jesus, acrescentamos: Amar a Deus e ao próximo desesperadamente!

Mas, espera aí! Tal amor não existe! Se alguém quisesse exigir tal amor de si mesmo, chegaria ao desespero, como aconteceu com Lutero na cela do mosteiro. E é bom que nossa consciência saiba disso, pois: só levamos Deus completamente a sério, quando percebemos que não o podemos amar completamente. É bom sabermos que só podemos amar a Deus sobre todas as coisas, quando ele nos coloca na relação correta para com ele mesmo, quando ele nos torna justos em Jesus Cristo. O amor a Deus, do qual fala e o qual exige o Deuteronômio, é resposta ao amor de Deus. É esse o amor que dá início a toda a relação. Ele nos amou primeiro, diz o Novo Testamento. Ele também nos diz em que consiste o amor: Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 Jo 4.10). Saber a respeito do que devemos a Deus é o amor esperado por Deus. Quando se crê, Deus reconquistou o coração humano.

3. A esse Deus dedicamos toda a nossa atenção, dizem os versos 7-9. O credo básico de Israel deve ser lembrado, meditado e transmitido. Nossa eventual aversão à pieguice não nos deveria impedir de ouvir o que nos é ordenado. Gostamos de dizer: só ir à igreja não resolve; só ler a Bíblia não resolve. Pode ser verdade. Mas também é verdade que estamos ocupados com mil e uma coisas ... e o papai-do-céu fica a ver navios. No tocante à fé é importante tomar conhecimento: "Tu as inculcarás a teus filhos". Serás catequista. A fé não vive daquilo que vivemos dizendo a nós mesmos. Necessitamos da pregação e do ensino. É catástrofe para a vida da Igreja o fato de muitos de seus membros não serem continuamente confrontados com a Palavra de Deus e com o Catecismo. Saber das coisas faz parte da vida cristã.

Seria errado entendermos o texto como se ele estive pedindo de nós que, continuamente, estivéssemos proferindo palavras piedosas. Ele também não deseja que andemos pelo mundo, tendo as mãos continuamente postas. O texto está a nos dizer que o "setor religioso" não é o lugar ao qual devamos confinar Deus. Deus nos acompanha e devemos saber que ele está continuamente conosco: "Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração". Quem quer viver com Deus deve inscrever suas palavras em seu coração. Quando estiveres misturando cimento, quando estiveres amamentando, ao capinares, ao fazeres a cirurgia cardíaca... "estarão no teu coração". Sempre haverá situações em que teremos a necessidade de proferir o "inculcado": nas noites de insônia, em situações que requerem decisão. O que Deus diz deveria soar como melodia em nossos ouvidos; ser como aquele cantarolar que só notamos, quando outros nos perguntam: Por que estás a cantar essa canção? Há um contato contínuo com Deus que, por vezes, só se expressa no "Jesus" que minha avó proferia.

Disso faz parte o meditar, o refletir, o perceber com todos os sentidos. Como haveríamos de amar a Deus, se não lhe permitimos morada contínua em nós? Se o amamos, o contato com ele não nos é estranho ou "desnecessário". Gostamos de estar tão perto quanto possível da pessoa que amamos.

Amém.

 



P. Martin Dreher
São Leopoldo, RS, Brasilien
E-Mail: martindreher@terra.com.br

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