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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Domingo Cristo Rei, 22.11.2009

Predigt zu Daniel 7:9-10,13-14, verfasst von Ruben A. Bonato

Prezadas irmãs e prezados irmãos em Cristo!

Final de ano Eclesiástico. Hoje, 22 de novembro, é o último domingo do mesmo, chamado "Cristo Rei." Para entendermos melhor o texto da pregação precisamos ter presente "esse estado de final, de divisa, de linha limítrofe, de fronteira". É como estar vivenciando a passagem por uma fronteira ou ter uma experiência do outro lado da fronteira. Quando estamos na divisa, na fronteira, podemos ultrapassá-la legalmente, se as leis e a constituição do país no qual queremos ingressar definirem que nosso estado é legal e que nosso conduta nos abona. O que o texto de Daniel e o ano Eclesiástico propõem, não é simplesmente a passagem de um ano para o outro sem maiores conseqüências. Querem mostrar algo além. Querem mostrar aquilo que será depois dos tempos terrenos, onde somente Cristo é rei.

Ainda comparando, lembro-me de uma situação bem específica ocorrida no Brasil, no período da ditadura, quando um grupo de "extremistas" seqüestraram uma autoridade diplomática de outro país. Em conseqüência desse episódio, ainda há pouco tempo atrás, um integrante desse então "grupo terrorista", não conseguiu visto de entrada naquele país, muito embora a visita fosse de cunho oficial, representando o Brasil. Faço essas considerações para ilustrar como os que estão do outro lado da fronteira nos vêem. Se Cristo é Rei, será que ele exerce seu reino como nós terrenos regemos o mundo? Na visão apocalíptica de Daniel o procedimento do governo de Cristo não é o mesmo como aquele que é comum entre as nações.

Por ser assim não podemos deixar de olhar o texto do penúltimo domingo do ano eclesiástico, Hebreus 10.11-18. Essa perícope começa fazendo referência às promessas e ofertas dos serviços sagrados dos sacerdotes. Estes não conseguem verdadeiramente cumprir as promessas. Enquanto isso, tudo do que precisamos, Cristo fez por nós. Essa é a virtude do verdadeiro rei, esse é Cristo Rei que nos acolhe em seu Reino. Assim também o diz a mensagem contida no texto de Daniel , capítulo 7.9-10,13-14.

Vamos relembrar o contexto no qual Daniel está inserido. O lugar onde vive é a Babilônia durante o exílio de Israel. Depois da queda de Jerusalém, em 587 a.C. parte de Israel tinha sido levada para o cativeiro na Babilônia. Era um período difícil, angustiante e de incertezas para esse povo que vivia longe da terra natal. Daniel aponta para o outro lado da fronteira, mostrando que existe esperança, que a angústia pode transformar-se em alívio e que a incerteza pode desaparecer definitivamente. O que, conforme as visões de Daniel, é complicado antes da vinda do Filho do Homem, vai tomar outro rumo. As coisas vão para o lugar e a salvação se aproxima. De fato, após algum tempo começa o retorno para Jerusalém, embora esse retorno acontecesse lentamente. O povo de Israel viu nisso o início da salvação.

Feitas essas considerações precisamos trazer esse texto para os nossos tempos. Qual é a sua mensagem? Ora, alguns aspectos desse texto são especialmente importantes neste fim de ano eclesiástico, cujo último domingo celebramos hoje. E, por tratar-se do último domingo precisamos necessariamente olhar para trás. Devemos fazer um levantamento, uma auto- avaliação, para ver se conseguimos alcançar os objetivos que nos propusemos neste ano. Certamente muito ficou por fazer. Se tivermos a clareza do que não conseguimos realizar e porque não conseguimos alcançar os objetivos que nos propusemos, teremos uma boa base para olhar para frente. Nós vamos dar então uma olhada por cima da fronteira, para lá onde Jesus Cristo reina. Vamos perceber que somos aceitos por ele, que é o "Filho do Homem", "sentado no trono". Ele não é um Rei como os governantes terrenos, que regem seus governos única e exclusivamente pela lei. Seu reinado vem trazer o amor de Deus à humanidade. É isto o que Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus, revela.

Não podemos deixar de considerar a questão "cativeiro" em nossa mensagem. Essa situação para quem perde uma guerra é humilhante, degradante. Mas o Filho do homem nos tira dos cativeiros. Ao mesmo tempo nos chama à luta pela transformação da realidade, fortalecendo em nós a esperança de que é possível mudá-la. Ele nos anima a nunca desistir de perseguir o objetivo, mesmo que isso demande sacrifícios.

Certamente queríamos executar muitas coisas durante esse ano. Por exemplo, queríamos tanto acabar com a injustiça neste país, acabar com a corrupção, acabar com os preconceitos, acabar com a pobreza, acabar com a exploração, enfim acabar com tudo que desabona o testemunho do SER CRISTÃO. Queríamos ter promovido justiça, paz, compreensão, fraternidade, honestidade, humildade, amor ao próximo e tudo aquilo que nos aproxima de Deus. É o que nos foi ensinado por Jesus Cristo e que por fé aceitamos.

Todo o desserviço que eu presto a Deus me aprisiona mais no cativeiro do pecado. Os desserviços que praticamos diariamente no mundo sujam meu passaporte, podendo me comprometer quando eu me apresentar na fronteira para ingressar no reino onde Cristo reina. Nós sabemos que esse reino é inabalável. Não é como o reino de Israel que caiu nas mãos do rei da Babilônia. O Reino de Cristo é um reino estável, não como o reino babilônico, que mesmo forte e poderoso foi enfraquecendo e se desestabilizando. Em certo momento teve o seu fim.

O Reino de Cristo é mais poderoso e acolhedor do que qualquer outro. Não é como essa potência que se arroga o direito de julgar as pessoas, que lhes nega o perdão e não lhes concede o visto de entrada. O Reino de Cristo é muito mais seguro do que qualquer um de nós. Questiona a quem se considera sem pecado, auto suficiente ao ponto de não dar atenção ao outro. No Reino de Cristo não precisamos adotar a teologia da prosperidade para sermos felizes e vivermos com dignidade. Esse é o Reino que buscamos, esse é o Reino no qual certamente gostaríamos de viver. Esse Reino existe além da fronteira que somos convidados a ultrapassar. Aliás, é este o único e verdadeiro reino no qual encontramos todas essas qualidades. Para esse reino somos encaminhados pela Palavra do Senhor. Para ele somos convidados por quem somos verdadeiramente amados: Jesus Cristo, o Filho do Homem.

Amém.  



P. Ruben A. Bonato
Rio Grande, RS, Brasil

E-Mail: mismarrg@gmx.net

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