Göttinger Predigten

deutsch English espańol
portuguęs dansk Schweiz

Startseite

Aktuelle Predigten

Archiv

Besondere Gelegenheiten

Suche

Links

Gästebuch

Konzeption

Unsere Autoren weltweit

Kontakt
ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

3° Domingo na Quaresma , 07.03.2010

Predigt zu Isaías 55:1-9, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

No mundo de hoje existe mercado para tudo. Falamos no mercado de bens, no mercado de trabalho, no mercado financeiro, entre tantos outros. Nossa sociedade funciona à base da "lei da oferta e da procura". Nós devemos vender o nosso produto, seja agrícola ou industrial. Temos que vender a nossa competência, nossa força de trabalho, idéias ou invenções, assim como por outro lado devemos comprar o que nos falta desde os alimentos até os serviços de empresas e pessoas. É um grande sistema de troca à base do dinheiro que compra (quase) tudo e que esperamos receber como salário para o nosso trabalho. Quase não há o que não se possa transformar em "mercadoria". Vivemos numa economia de mercado.

Entre os muitos mercados existe também o mercado religioso. Pois também religião pode ser um bem de consumo. É impressionante quantas igrejas existem em nosso país, fazendo propaganda e tentando conquistar fiéis! Há gente batendo às nossas portas para nos converter a uma outra religião. As livrarias estão cheias de escritos sobre ocultismo, espiritismo e novos movimentos religiosos. E mesmo em jornais e televisão percebe-se algo do clima de concorrência que se instalou entre evangélicos e católicos, cristãos e não cristãos, entre grupos de diversos credos. É grande o fervor religioso no Brasil. As pessoas procuram solução para os seus problemas junto a grupos que dizem ter as receitas. Religião movimenta muito dinheiro, é um enorme mercado, e há gente extremamente hábil em explorar essa procura. Também neste caso vale que, quem não sabe competir, vai à falência. Vai desaparecer do mapa.

Também nós como evangélico-luteranos nos sentimos acuados. Qual é a religião certa? Onde está a verdade? Quem nos orienta em meio a tanta oferta tentadora? A IECLB está muito consciente da necessidade de oferecer às comunidades auxílio nessa crucial questão. Mas as possibilidades são limitadas. Mesmo para um especialista é difícil entender o que está acontecendo. De qualquer maneira, importa buscar a informação. Aliás, ainda mais importante é conhecer a própria igreja, ou seja, a igreja de confissão luterana. Quem está bem integrado na IECLB não vai logo cair na armadilha dos que afirmam ter oferta melhor. Ser evangélico de confissão luterana e ser membro desta igreja, isto faz bom sentido. Temos razões para sermos gratos por isto.

Na verdade, o mercado religioso é nenhuma novidade. Não é invenção dos nossos dias. Ele já sempre existiu. Quando se formaram as primeiras comunidades cristãs, há quase dois mil anos atrás, elas se defrontaram com um exuberante mundo religioso. Havia religião para todo tipo de preferência. Ainda assim os primeiros cristãos não se intimidaram. Lançaram-se à missão, plantaram a fé, criaram comunidades por todo o mundo conhecido de então. A fé sempre teve que lutar com outras crenças. Disto é testemunho também o texto para o domingo de hoje. Ainda antes de Cristo, o profeta Isaías chama o povo de volta à fé em Deus. Para tanto ele se lança ao mercado como se fosse um vendedor em busca de clientes.

Falando em nome de Deus, o profeta clama: "Escutem, os que têm sede, venham beber água! Venham, os que têm dinheiro, comprem comida e comam. Venham e comprem leite e vinho, que tudo é de graça." Parece que estamos no mercado público. Deus oferecendo o seu "produto". Eu tenho água, diz ele, que mata a sede para sempre. E de imediato nós pensamos no Novo Testamento, no pão da vida que Jesus ele mesmo é. Deus tem alimento para nos saciar e para satisfazer a nossa fome de vida. Venham comprar este alimento, aliás, ele é de graça. Nem comprar não precisa. É só receber, assim como numa distribuição gratuita de alimentos. E mais! Deus faz promessas. "Escutem-me e venham a mim, prestem atenção e terão vida nova. Eu farei uma aliança eterna com vocês e lhes darei as bênçãos que prometi a Davi." Deus quer atrair o seu povo para que volte a buscar nele o socorro em suas necessidades, as bênçãos e a orientação em suas vidas.

Ao mesmo tempo Deus adverte. Ele se admira da estupidez das pessoas que gastam dinheiro com o que não é comida. Ele pergunta: "Por que gastam o seu salário com coisas que não matam a fome?" Pois é! O povo se deixa seduzir por ofertas que prometem prosperidade, cura milagrosa, sucesso e outros bens e estão dispostos a pagar caro por isto. Mas cuidado, também no mundo da religião nem tudo o que brilha é ouro. Certamente há também coisas boas. Como evangélico-luteranos podemos aprender dos outros. Depende de um exame. Mas quantas vezes as pessoas são enganadas, exploradas, chantageadas. Sim, existem ofertas religiosas mais simpáticas do que as do Deus da Bíblia, do Pai de Jesus Cristo, do Senhor da igreja cristã. A pergunta é pela qualidade. Cumprem o que prometem? Sustentam na vida e na morte? Nesse trecho do profeta Isaías Deus se queixa da leviandade de seu povo. As pessoas deveriam ser mais críticas frente aos propagandistas religiosos, avaliar o seu discurso e sua prática, testar a solidez de sua proposta.

Isto, aliás, vale em todos os tempos e em todos os sentidos. O próprio mercado o exige. Vender produto estragado é proibido. Quem o faz pode ser multado. Mas isto não dispensa a responsabilidade do consumidor. Ele deve dar atenção ao que ele compra, ver o prazo de validade e se informar sobre a qualidade. Claro, religião não se compra num supermercado. Não é produto qualquer e o teste costuma ser mais difícil do que no caso dos alimentos e dos aparelhos domésticos, por exemplo. Mesmo assim se aplica também às ofertas religiosas o alerta de não se deixar enganar. A gente pode gastar muito dinheiro naquilo que não mata a fome, que não ajuda, que desvia da estrada da vida. É preciso ser prudente e saber escolher o certo.

Por isto o profeta quase implora seus ouvintes: "Procurem a ajuda de Deus enquanto podem achá-lo." É dele que vem o nosso socorro. É ali que recebemos o pão e a água da vida. Não sejam como os perversos. Estes não querem saber de Deus, não querem mudar seu estilo de vida, eles se satisfazem com religião adulterada. O texto para a pregação neste domingo é um grande apelo para voltar a Deus, para respeitar-lhe os mandamentos, para buscar nele a força para viver. Eu quase diria que é um texto missionário. Isaías, em nome de Deus, não se constrange em fazer propaganda pela fé. Ele faz missão para Deus. Ele se mistura aos vendedores de religião, fazendo de conta como se fosse um deles. Isto apesar de que a oferta de Deus tem outra natureza do que os produtos à venda no mercado. Mas Deus se rebaixa, entra no jogo, procura a adesão voluntária das pessoas. Ele não despreza o "marketing", a publicidade, a propaganda.

Assim também hoje. A fé cristã, e não por último a confissão luterana, necessita de mais publicidade. Seria triste, se deixássemos a propaganda religiosa aos outros e nos recolhêssemos em nossa toca. Não! Vamos enfrentar o mercado. Não temos nada a esconder. Vamos falar da nossa fé e fazer públicas as maravilhas que Deus fez e continua fazendo. É evidente que esta propaganda deve ser honesta. Ela deve ser condizente com o evangelho. Não se lhe permite a mentira, a violência nem mesmo a condenação do diferente. Deus atrai as pessoas pelo seu amor. Seus pensamentos são mais altos do que aqueles dos perversos. Estes aproveitam a credulidade e mesmo as dificuldades das pessoas para lucrar com o negócio da fé. Enquanto isso o esforço de Deus por reconquistar seu povo é motivado pela misericórdia que pretende o bem da criatura. Deve ser este também o jeito da missão cristã. Por ser assim seria um erro evitar o mercado religioso de nossos dias e ficar devendo às pessoas o testemunho de Jesus Cristo.

O texto para a reflexão no domingo de hoje mostra que o profeta Isaías foi um grande missionário. Ele nos convida a seguir-lhe o exemplo.

Amém!



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

(zurück zum Seitenanfang)