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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

5º Domingo de Quaresma, 21.03.2010

Predigt zu Salmo 126:, verfasst von Lindolfo Pieper

 

É PRECISO PLANTAR PARA COLHER

Conta-se que dois homens trabalhavam juntos rachando lenha. Um trabalhava o dia todo sem descansar. O outro, no entanto, trabalhava 50 minutos e descansava 10 minutos. E, por incrível que pareça, ao final do dia o monte de lenha dele era sempre maior do que do seu companheiro.

"Como você sempre tem mais lenha rachada do que eu? Afinal, eu trabalho mais que você!" - perguntou o primeiro. "Porque durante o tempo em que eu faço os intervalos, além de descansar eu afio o meu machado", - respondeu o segundo.

Na vida é preciso saber planejar. Muitas pessoas trabalham dia e noite e não conseguem nada. Outras, no entanto, trabalham bem menos, e conseguem prosperar.

É porque elas aprenderam a planejar, a usar a cabeça,a inteligência. Elas plantam na época certa, só vendemquando o produto tem preço e não se deixam enganarpelos aproveitadores. Além disso, diversificam os seusnegócios e não ficam investindo sempre na mesma coisa.

O Salmo 126 fala de alegria e tristeza, de abundância e escassez. O povo de Israel acabara de voltar da Babilônia, onde havia sido escravizado durante vários anos. Eles trouxeram juntos apenas alguns grãos de trigo e de cevada. Tinham agora que escolher: plantar aquilo que trouxeram junto e passar fome alguns dias ou comer o que trouxeram junto e passar fome o resto do ano.

Eles escolheram semear o que trouxeram junto. E não se arrependeram do que fizeram, pois eles obtiveram uma grande colheita, muito maior do que esperavam. Por isso diz o salmista: "Grandes coisas tem feito o Senhor por nós, por isso estamos alegres. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes" (Salmo 126.3,6).

A vida na roça não é fácil. Além das formigas, dos mosquitos e do calor, tem que se lutar contra o mau tempo, o preço baixo da mercadoria e as pragas que infestam a lavoura. Mas é preciso semear, é preciso plantar. Do contrário não haverá colheita.

Antigamente se passava menos fome, pois se plantava de tudo um pouco. Plantava-se milho, feijão, arroz e mandioca. Cada um tinha uma pequena horta, onde se colhia repolho, tomate, alface e legumes. Hoje todo mundo vem comprar tudo na cidade, até chuchu. Preferem plantar pasto para criar gado, cana para fazer etanol, mamona para extrair biocombustível, eucalipto para fabricar celulose... do que produzir comida. É por isso que os preços nos supermercados estão assim tão altos, pois vem tudo de fora.

Sei que é mais fácil comprar do que produzir. Mas o problema é o custo, é o dinheiro que se gasta sem necessidade. Se ninguém mais for produzir, plantar, colher, vai chegar o dia em que vai faltar alimento; ou os preços aumentarão assustadoramente, como estamos vendo nos nossos dias. E a culpa então é de quem? Nossa, porque em vez de produzir alimento estamos produzindo conforto. Portanto: é preciso plantar para colher, o mundo precisa de mais comida para alimentar a sua população.

Cinqüenta anos atrás 75% da população moravam na roça, apenas 25% na cidade. Hoje é o inverso: mais de 70% das pessoas moram na cidade, apenas 25% vivem no campo. Isto quer dizer que menos do que um terço das pessoas vivem na roça produzindo comida para si mesmo e para os dois terços que moram na cidade.

Ora, na cidade não se produz alimento, apenas se industrializa o que foi produzido. Em conseqüência disso temos duas situações:

Primeiro: de um lado vemos os campos cada vez mais vazios, em que se andam quilômetros e mais quilômetros sem encontrar um morador; de outro lado vemos a população das cidades crescendo cada vez mais, não tendo mais onde as pessoas poderem morar, a não ser em encostas e beiras de rios, onde frequentemente são vítimas de enchentes e desmoronamento.

O homem da cidade está ficando sufocado. Está se construindo uma casa em cima da outra, e não há mais espaço para a respiração. Certo sociólogo vê essa sufocação da seguinte maneira: "O homem saiu da caverna, fez a vila, depois a cidade, a metrópole, a megalópole. E agora está construindo a sua necrópole. Só que não há mais espaço nas cidades para enterrar os seus mortos".

Segundo: está começando a haver uma escassez muito grande de alimentos, fazendo com que o seu custo se eleve cada vez mais; isso faz com que muitas pessoas não conseguem mais comprar comida para se alimentar e precisam passar fome.

É preciso que se faça alguma coisa para reverter esse quadro, para fazer com que as pessoas voltem novamente para roça a fim de produzir alimento. Há terra sobrando, falta mão-de-obra, pessoas dispostas a trabalhar. Para isso é necessário que haja uma mudança na política governamental, que faça uma melhor distribuição de terras e incentive a produção rural. Alguma coisa deve ser feita, cada país deve encontrar a melhor forma de se fazer isso para que o povo volte a produzir alimento em abundância.

Deus nos quer abençoar. Ele nos quer dar o necessário para a vida. Mas ele espera que nós usemos da nossa responsabilidade, do nosso esforço, da nossa capacidade. Por isso, lembremos-nos sempre das palavras do salmista: "Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes" (Salmo 126.5,6).

Além do alimento para o corpo, precisamos também do alimento espiritual para a nossa alma. Este alimento Deus nos oferece através da sua palavra e dos santos sacramentos. Jesus é o pão da vida, o alimento para a nossa alma. Quem se alimenta dele pela fé não terá fome para sempre. Diz o Senhor Jesus no Evangelho de João, capítulo 6: "Eu sou o pão da vida: o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede".

Preocupemos-nos, pois, não apenas com o alimento corporal, mas também e, sobretudo, com o alimento espiritual, sabendo que "não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4.4). Amém.



Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
E-Mail: piperlin@uol.com.br

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