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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

7° Domingo após Pentecostes, 11.07.2010

Predigt zu Deuteronômio 30:9-14, verfasst von Harald Malschitzky

 

Querida comunidade em Cristo.

Uma das telenovelas que está sendo transmitida no momento, dá uma forte ênfase no transcendente. Por detrás está - explicitamente - uma doutrina de reencarnação. Em evidência está a relação dos vivos de hoje com espíritos de determinados antepassados. Uma vidente é também cartomante e, por vezes, até conselheira. Ela afirma receber mensagens do além. A trama da novela é marcada por intrigas, inveja, roubo, mentiras deslavadas. A coisa é tão complicada que o simples bom senso ou um comportamento correto e ético têm pouco espaço e parecem insuficientes para as pessoas saírem das enrascadas em que se meteram. Elas precisam recorrer a outros poderes, elas precisam de ajuda do além para se acharem ou para manterem o seu jeito irresponsável e mentiroso de levar a vida. Vemos pessoas realmente desnorteadas procurarem a vidente/cartomante, mas também um típico malandrão que foge de compromissos, engana esposa e filhos com promessas vazias e falsas e deseja ganhar dinheiro fácil; ou um sujeito que engana, trai, suborna, rouba, chantageia, incrimina pessoas, é calculista e frio. Todos querem conselhos do além - para continuar fazendo o que já fazem, não necessariamente para dar outro rumo às suas vidas.

Ouçamos o texto sugerido para o domingo de hoje, do livro de Deuteronômio, capítulo 30, os versículos 9-14. Inicialmente gravemos em nossa memória apenas um detalhe: O texto se dirige a pessoas, a um povo que precisa de conselhos norteadores para a sua vida. Trata-se de um povo que já tem uma história longa de experiências com seu Deus. Se folharmos a nossa Bíblia, vamos ver que se trata quase sempre de experiências de salvação: Deus tira o seu povo das enrascadas em que este se mete. Faz parte do credo desse povo, que Deus criou o céu, a terra, o universo, a vida e, especialmente, o ser humano para ser cuidador da criação. Mas isso tantas vezes foi e vai para o esquecimento; faz parte do credo que esse povo só é povo graças ao bom Deus. Lembremos a bela história de salvação que se liga à figura de José, que fora vendido como escravo por pura inveja, por puro ciúme. Recordemos a história de Noé, que recebe a bênção de Deus para recomeçar a criação destruída pelo dilúvio. Lembremos a fuga do Egito, uma aventura arriscada e perigosa e a longa peregrinação pelo deserto. Em todos esses episódios, como um fio condutor, vemos o amor de Deus que deseja que seu povo seja diferente justamente no jeito de viver e conviver. Não, não se trata apenas de olhar para o céu e louvar a Deus - isso também, sem dúvida - mas se trata de concretizar o louvor na vida partilhada, convivida em amor e solidariedade.

Colocando essas experiências como o um espelho diante do povo se constata que ele tantas e tantas vezes teve e tem memória curta: Em vez de seguir no rumo indicado por Deus para desfrutar de sua bênção e de seu cuidado, ele envereda por caminhos muito próprios e egoístas. Os irmãos de José o vendem por inveja e ciúme; em certo momento um bando de visionários, movido pela vaidade, quer ser igual a Deus e resolve construir uma torre até o céu - pobres daqueles que estão no lado de baixo! Na longa caminhada pelo deserto houve momentos de revolta e até de saudades do tempo da escravidão! São apenas cenas, cenas que ilustram como um povo, como o ser humano perde de vista o norte de sua vida e existência. Para evitar mal-entendidos: Não está dito e nem escrito que na longa jornada do povo com Deus não houvesse sofrimento, não existissem dificuldades, mas está dito e escrito que Deus nunca abandonou esse seu povo.

O texto que ouvimos coloca o espelho diante do povo e pergunta se ele quer "tornar ao Senhor" (30.2), se ele pretende se colocar no rumo apontado por Deus para viver em abundância e prosperidade, quer dizer, para conviver e partilhar tudo aquilo que Deus dá. Ora, sabemos que até hoje a prosperidade existe, mas a ganância não permite que ela chegue a todo mundo. Milhões e milhões de toneladas de alimentos, por exemplo, ficam estocadas, em parte deteriorando, porque somos incapazes e achar formas de uma partilha justa de tudo aquilo que Deus proporciona. Deus não quer a prosperidade de apenas alguns indivíduos, grupos ou povos. O povo de Israel - essa a visão de Deus - deveria ser exemplo de vida norteada pela fé, exemplo para outros povos, testemunho para as nações.

Parece que por detrás do texto há uma pergunta, a pergunta, por assim, dizer, por um roteiro para a vida voltada a Deus e aos semelhantes. Sabemos da mesma história, que não poucas vezes o povo buscou instruções e exemplos em outros povos, nem sempre as melhores instruções e os melhores exemplos. A resposta que o texto dá é simples: As palavras estão na boca e nos corações de vocês mesmos, são as velhas palavras, cristalizadas, por exemplo, no que conhecemos como os dez mandamentos. Nosso texto se refere a ainda outras palavras norteadoras conhecidas do povo. O novo mandamento e o novo estatuto nada mais são do que os velhos mandamentos e estatutos, agora reeditados sem todas as impurezas que o tempo lhes tinha acrescentado. Nós sabemos com isso funciona: Com o tempo costumes, outras idéias e nossa própria vontade vão sendo acrescentados à mensagem salvífica de Deus. Por isso é preciso voltar às origens e perguntar o que, afinal, está lá no começo. É isso que Deus diz em nosso texto: Não procurem no céu nem nos mares longínquos, procurem nas palavras e mandamentos que vocês aprenderam, procurem nas palavras que é a confissão de fé de vocês e a partir daí vocês saberão como viver em povo solidário.

Volto aos personagens da novela que mencionei no início: Cada um busca a si mesmo indo até à vidente/cartomante: alguém quer resolver seus problemas de amor, outro quer mais alguns jeitinhos para continuar a ser malandro e enganador e outro ainda quer algumas dicas para ter sucesso em suas falcatruas, traições, chantagens. Ninguém quer conselho de como mudar radicalmente a vida e suas relações com a família e seus semelhantes. A vidente até que faz alguma tentativa. E é aqui que está a diferença radical: Deus pressupõe mudança, conversão tanto individual como coletiva, volta aos seus mandamentos para que eles indiquem o norte, a direção e o sentido da vida. Esta conversão sempre tem duas dimensões: Em relação a Deus e em relação ao mundo de Deus.

Não é por menos que os outros dois textos sugeridos como leitura para hoje mostram isso. O evangelho é a Parábola do Bom Samaritano que conhecemos tão bem, em que Jesus critica a fé desvinculada da vida. O texto da carta aos Colossenses é a saudação de Paulo em que ele agradece pelo crescimento da comunidade em fé e em vivência concreta. Se dermos atenção a palavras de Jesus nos evangelhos, vamos ver que ele sempre de novo remete "à lei e aos profetas", dizendo com isso: Vocês têm as palavras norteadoras bem perto, basta dar atenção.

Nós vivemos em um mundo sem dúvida mais complicado do que era o mundo séculos antes de Cristo, onde se situa o texto desta reflexão. Palavras supostamente norteadoras chegam a nós por uma infinidade de meios e caminhos. O mundo todo está em busca de caminhos para viver e sobreviver, e tantas vezes se escolhem caminhos perigosos e destrutivos para todos, sejam eles o caminho das armas, o caminho do lucro enlouquecido e desvairado, hoje o caminho das drogas...

Os cristãos em primeiro lugar, são chamados à conversão, a buscar o norte para suas vidas na palavra de Deus que está ao nosso alcance. Vale lembrar que também nós temos uma história com Deus, infelizmente tantas vezes manchada por nós mesmos, pelos próprios cristãos, mas a temos, tanto pessoal como comunitária e social. Bastaria fazer um pequeno exercício: Como seria o mundo sem essa história escrita por Deus através de milhões e milhões de seres humanos? Converter-se é olhar para trás, para a palavra e a história de Deus e mudar de rumo; é olhar para a frente, tendo como norte e critério de vida e ação a mesma palavra. E um lembrete importante: A conversão, a volta aos mandamentos de Deus, não é um acontecimento único com validade para toda a vida, mas diário e constante, assim como diariamente preciso organizar o que vou fazer na minha casa, no meu trabalho, no meu lazer. Nós temos e incumbência de ser testemunhas para o mundo e dentro do mundo, dando a nossa contribuição bem consciente para que o mundo possa desfrutar da vida e de tudo o que Deus concede. Porque Deus nos abençoa, sejamos também uma bênção. Este é o caminho que está diante de nós, é nesta direção que apontam as palavras que estão bem perto de nós, porque as aprendemos e podemos aprender do evangelho. Que Deus nos abençoe para que sejamos bênção.

Amém.

 



P.em. Harald Malschitzky
São Leopoldo – Brasil
E-Mail: harald.malschitzky@terra.co,.br

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