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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

11° Domingo após Pentecostes , 08.08.2010

Predigt zu Gęnesis 15:1-6, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

O domingo de hoje é dedicado à homenagem dos pais. Assim como existe um "dia das mães", assim existe também um "dia dos pais". Pois é de um pai que fala o texto para a prédica de hoje. É verdade que se trata de um "pai" muito especial. Ele viveu já há muito tempo, há mais ou menos 1.200 anos antes de Cristo, portanto há três mil e duzentos anos atrás. Mesmo assim ele continua vivo na memória de muita gente. Trata-se de Abraão, patriarca de judeus, cristãos e muçulmanos. Todos eles se consideram de alguma forma descendentes deste ancestral. É a razão porque judaísmo, cristianismo e islamismo são chamados de religiões "abraâmicas". Atribuem cada qual a Abraão um papel fundamental para a sua fé. Abraão é também o nosso "pai".

Isto não significa diminuir Jesus Cristo. Por ele, assim nós confessamos, Deus mesmo falou. Com respeito a Abraão não vale o mesmo. Jesus Cristo é o nosso Senhor. Abraão não o é. Antes de sermos uma religião abraâmica somos uma religião cristã. E, no entanto, Abraão continua importante também para nós, igreja de Jesus Cristo. Abraão foi um homem de fé. E é nisto em que ele permanece sendo exemplar até hoje. Quem mais destacou este aspecto foi o apóstolo Paulo. Em suas cartas aos romanos e aos gálatas ele exaltou o patriarca como exemplo da pessoa justificada pela fé. Quem agrada a Deus? Ora não a pessoa que se gaba de sua religiosidade, que procura impressionar por boas obras, que se considera sem pecado. Não, a pessoa que agrada a Deus é a que confia nele e sabe que depende de sua misericórdia.

E é isto o que enxergamos em Abraão. Ele não foi uma pessoa perfeita. Teve os seus defeitos e às vezes errou. Lutou com problemas e enfrentou uma vida dura e difícil. Os textos do livro de Gênesis nos falam a esse respeito. Abraão nem sempre foi um herói. Mas ele creu em Deus, e isto lhe foi imputado para justiça, como diz o nosso texto. Em outros termos, foi por causa da fé que este homem agradou a Deus. Então, de Abraão podemos aprender o que significa crer. Certamente não somos descendentes físicos dele, assim como os judeus o afirmam de si. Mas nós lhe seguimos os trilhos da fé. Neste sentido também nós continuamos sendo filhos e filhas de Abraão. Reconhecemos ter nele o nosso "pai espiritual".

Vale a pena olhar a fé de Abraão um pouco mais de perto. O texto de Gênesis 15, esse que acabamos de ouvir, explica muito bem. Fala de uma visão de Abraão. E nessa visão Deus falou a ele, e ele fala a Deus. O diálogo entre os dois inicia com uma promessa. Deus garante que vai amparar Abraão e abençoá-lo ricamente. Mas Abraão reage resignado. Percebe-se certa amargura em suas palavras. Ele e sua esposa Sara, ambos já avançados em idade, continuam sem filhos. E ele fica triste ao imaginar que um estrangeiro de nome Eliezer ser o seu herdeiro. Morrer sem filhos, naquela época era outra coisa do que hoje. Era quase um vexame. De qualquer maneira, Abraão se queixa dessa sua situação, e cobra de Deus a sua promessa. Então, Deus o conduz para fora da casa e manda Abraão olhar o céu estrelado. "Conta as estrelas", diz, "se é que podes. Assim será a tua posteridade." Deus promete a Abraão que será pai de numerosa descendência, patriarca de muitas nações. E o trecho termina, dizendo que Abraão creu no Senhor e que isto lhe foi imputado para justiça.

Abraão, um homem de fé. Ele confiou em Deus contra todas as evidências. Deu crédito a Deus mesmo quando as probabilidades de cumprimento de suas esperanças eram mínimas. Por isto o apóstolo Paulo conclui que Abraão, "esperando contra esperança" "creu no Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem." Em outros termos, Abraão não capitula frente à realidade. Ele se firma na promessa de Deus e continua confiante apesar dos entraves. Fé é força para resistir quando o céu se fecha e já não mais parece haver motivos de esperança. É de tal atitude que Deus se agrada. E ele é capaz de fazer milagres, assim como o fez no caso de Abraão que de fato veio a ser patriarca através de seu filho Isaque.

Hoje é dia dos pais. Ele lembra a importância da figura do pai. Crianças necessitam de ambos, da mãe e do pai. Não há nenhuma necessidade que nós homens nos transformemos em "patriarcas". Essa palavra até mesmo adquiriu um soar negativo. Dá a impressão de um sujeito autoritário, "machão", dominador. Pai não é isto. Não! Também Abraão certamente não cabe nessa categoria. Pai deve amor a seus filhos, proteção, cuidado. E vejam, é exatamente isso o que temos em mente, quando nos dirigimos a Deus e o invocamos "Pai Nosso". Nós confessamos: Creio em Deus Pai. Portanto, de Deus não precisamos ter medo. Ele é como um pai para conosco, inclusive perdoando-nos quando erramos. Ele nos ampara no perigo e quando morremos nos acolhe em seus braços. Nós pais humanos não somos Deus. E, no entanto, Deus ensina como um pai deve ser. Naturalmente ele ensina também como uma mãe deve ser. Mas hoje no dia dos pais vamos falar antes de tudo dos deveres paternos.

E aí também Abraão continua instrutivo. Pois como eu já disse, este homem é exemplar pela sua fé, uma fé que não se rende diante das dificuldades, que permanece fiel a Deus. A boa paternidade necessita de pelo menos algo desta fé. Fé não só como força para viver. Da mesma forma é importante aquele olhar a Deus que podemos aprender de Abraão. O patriarca creu no Deus que é poderoso para nos ajudar. Lembro mais uma vez as palavras fortes do apóstolo Paulo, dizendo que Abraão creu no Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. Não estamos sozinhos neste mundo. Há um Deus no qual podemos confiar, que certamente sempre de novo vai achar saídas de nossos impasses e que nos abraça quando o ânimo nos foge.

Hoje não é somente dia dos pais. É também dia de batismos. Estão aí pai e mãe, padrinhos, madrinhas, familiares, uma comunidade e, não por último, as crianças a serem batizadas. Que fazemos no ato do batismo? Ora, nos agimos como bons pais, entregando nossos filhos ao cuidado de Deus. Ele é o pai por excelência. Nós não temos nenhum direito de propriedade em nossos filhos. Nós os recebemos, isto sim, como precioso dom entregue à nossa guarda. E somos imensamente gratos por isto, gratos não por último por termos em Deus o nosso "Pai que está nos céus" e no qual podemos crer assim como Abraão o fez e como fizeram muitos dos que lhe seguiram o exemplo. Que Deus desperte tal fé também em nós, bem como nas crianças que hoje batizamos.

Amém!

 

 

 

 

 



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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