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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Domingo de Pentecostes, 27.05.2007

Predigt zu Joel 2:28-29, verfasst von Horst Kuchenbecker

PENTECOSTES

Joel 2.28,29: "E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e fossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias".

Hoje a cristandade celebra o dia de Pentecostes, a descida do Espírito Santo, o aniversário da igreja cristã. Neste dia Deus enviou o Espírito Santo, o Consolador, conforme Jesus havia prometido: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que vos tenho dito" (João 14.26). "Ele glorificará a Cristo" (João 16.14).

Mas Pentecostes não é uma simples festa na qual recordamos um fato passado. O Espírito Santo foi enviado para ficar e trabalhar na cristandade até ao fim dos tempos. Confessamos com Lutero no terceiro artigo do Credo Apostólico: "Creio que por minha própria razão e força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim também chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na verdadeira e única fé".    

Nos últimos tempos, a doutrina do Espírito Santo tem sido reexaminada por quase todas as igrejas cristãs, pois o pentecostalismo - um movimento que perpassa quase todas as denominações cristãs - dá grande ênfase à ação do Espírito Santo.

Este movimento ensina que precisamos receber um segundo batismo, a saber: o batismo do Espírito Santo, com manifestações especiais e recebimento de dons especiais. Daí não ser raro ouvirmos a interrogação: "Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?" (Atos 19.2).

Os Pentecostais dizem: As igrejas tradicionais estão do lado certo do Calvário, mas do lado errado de Pentecostes; elas estão do lado certo do perdão, mas desconhecem o poder do Espírito Santo. Será? Vejamos:    

O profeta Joel atuou, provavelmente, após o exílio, pelo ano 400 a. C.. Ele fala sobre o tempo da vinda do Messias, o Salvador da humanidade e profetiza sobre os dias do derramamento do Espírito Santo, o dia de Pentecostes. Por isso o apóstolo Pedro afirmou no dia de Pentecostes: "O que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel" (Atos 2.16).

O que o profeta diz a respeito desse dia de Pentecostes?

"E acontecerá depois" (v 28). Depois de que? Depois daqueles dias. Que dias? Depois que Deus tiver enviado o Salvador; e este ter, por sua morte e ressurreição, salvado a humanidade. Então será derramado o Espírito, como Jesus o prometera. (João 14.16)

"Derramado". O verbo denota uma continuidade. O Espírito será dado para continuar a trabalhar na terra até o dia do juízo final.

Mas o Espírito Santo já não fora dado antes? Ele não está atuando desde a criação do mundo?

Sim! O Espírito de Deus, o Espírito Santo estava presente na criação do mundo e "pairava sobre as águas" (Gênesis 1.2). Ele concedeu dons a Moisés e aos seus auxiliaras (Números 11.17,25). Ele concedeu dons a Josué e aos juízes (Números 27.18; Deuteronômio 34.9). Ele guiou profetas e reis (2 Reis 2.9). Mas agora, que Cristo completou sua obra redentora, ele é dado em sua plenitude.

Será derramado. Não como no Antigo Testamento, só para algumas pessoas especiais, mas agora de forma abundante. O texto diz expressamente: "Sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões, até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias" (v. 28).

"Sobre toda a carne". Não no sentido de que todos receberão o Espírito, pois muitos o rejeitarão. Mas ele é dado para atuar e trabalhar em todos. Ele é dado de tal forma que não fará distinção entre homens e mulheres, jovens e adultos, patrões e servos (escravos).     

Ele é dado para que todos possam profetizar, isto é: ouvir a Deus e falar dele aos outros. Pois agora todos os que se arrependem e crêem na graça de Cristo "são sacerdotes reais" (1 Pedro 2.9) e "templos do Espírito Santo" (1 Coríntios 3.16; 6.19).

Crianças, jovens e adultos serão capacitados para falarem de Cristo como seu Salvador.

 "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão".  Quantas crianças, mesmo pequenas, testemunharam com simplicidade de seu Salvador e levaram os seus pais a Cristo.

"Vossos jovens terão visões". É impressionante observar, desde o início do cristianismo, o entusiasmo dos jovens pela causa de Cristo.

Com que entusiasmo Estevão testemunhou e não temeu a ira de seus mestres! O entusiasmo dos jovens está bem colocado no próprio Hino da Juventude Luterana: "Juventude, tem toda a parte, desde a serra ao mar, ora e trabalha pela igreja e o lar."

"Vossos velhos sonharão".  Velhos normalmente não têm mais sonhos, planos, esperanças de grandes realizações. Mas os cristãos idosos têm sonhos. Eles têm a grandiosa esperança da vida eterna e tão testemunho             disto. Nossos pais o colocaram no Credo Apostólico: "Creio... na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna".

Que esperança essa do novo céu e da nova terra!

 "Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias". Que testemunho vibrante o do escravo Onésimo, que o apóstolo Paulo menciona na carta a Filemom! Muitos outros escravos testemunharam a sua fé e levaram seus senhores à fé em Cristo.

Qual o principal trabalho do Espírito Santo? Jesus responde: Ele é "o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade... Ele me glorificará" (João 16.14).

Qual é, portanto, o trabalho do Espírito Santo? Que verdade o Espírito Santo vem revelar? "Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo; do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado" (João 16.8-11).

Este é o trabalho do Espírito Santo. Como o Espírito Santo faz isto?

Ele o faz por meios, a saber: a palavra de Deus, quer lida ou ouvida, e a palavra visível; e os sacramentos: batismo e santa ceia. Por estes meios o Espírito Santo vem ao coração. Abre os nossos olhos para reconhecermos a Deus e a sua santidade; para reconhecermos que, como criaturas de Deus, devemos de andar na presença de Deus e ser perfeitos. (Genesis 17.1).

Mas eis que nascemos em pecado, com o pecado original, a completa corrupção de toda a natureza humana, inclinada para todo o mal e sujeita à condenação. Pois "a alma que pecar essa morrerá" (Ez 18.4). Somos míseros pecadores, que merecemos a eterna condenação.

Quando, no dia de Pentecostes, o povo reconheceu que os seus pecados foram à causa da morte de Jesus, lemos: "Compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?" (Atos 2.37). E o apóstolo Pedro respondeu: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, pare remissão dos vossos peados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar" (At 2.38,39).

E a palavra de Deus conclui, dizendo: "Então os que lhe aceitaram a palavra foram batizados; havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (Aos 2.41).

O Espírito Santo os chamou pelo evangelho e os iluminou com seus dons. Estes dons são o conhecimento da verdade bíblica de que eles eram pecadores e de que Cristo era o seu único e suficiente Salvador, e a confiarem no evangelho que lhes estava sendo anunciado plenamente, na mensagem que lhes mostrava Cristo como o seu único e suficiente Salvador. Foram então batizados.

O Espírito Santo os congregou. Estava formada a primeira congregação cristã. A respeito da qual lemos: "E perseveravam na doutrina os apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédios dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinham necessidade" (Atos 2.42-45).   

Sim, dizem alguns, e hoje, onde estão os prodígios e sinais?

Precisamos lembrar que a promessa de Jesus, registrada no evangelho de Marcos: "Ide por todo o mundo e pregai e evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais há de acompanhar aqueles que crêem..." (Marcos 16.15-18).

Quem determina quando, como e até onde o Espírito Santo deve acompanhar alguém é Deus Pai. Os apóstolos fizeram prodígios e sinais, mas não quando eles o queriam, mas quando o Espírito Santo o queria.

Paulo era um homem muito doente, tinha um "espinho na carne"; Timóteo também, ele tinha um problema no estômago. Porque eles não curaram si mesmos e aos demais que os rodeavam? Por que os pretensos milagreiros de hoje, que dizem serem capazes de curar qualquer enfermidade, não dão plantão nas portas dos hospitais e não curam todo mundo que lá é trazido, aliviando os seus sofrimentos? Por que não se substituem os médicos, que custam tanto dinheiro aos cofres públicos, por curandeiros profissionais?

Por outro lado, quantos milagres acontecem ainda hoje, quando Deus atende misericordiosamente as orações e súplicas de seus filhos. E, ao sermos atendidos, não precisamos logo fazer grandes alaridos, dando testemunhos e escrevendo a respeito. Outros tantos milagres que Deus, em sua graça realizou, talvez nem notamos na nossa vida.   

O apóstolo Paulo escreve: "Na esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos., Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza: porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos" (Romanos 8.24-27).

Esses gemidos não são esses que alguns pregadores querem imitar. Eles são realmente inexprimíveis. Pode ser que sentimos, por vezes, profunda tristeza diante de problemas e angústias pessoais ou da igreja, e nem achamos palavras para expressar o que sentimos, nem sabemos o que realmente devemos pedir: se isto ou aquilo. Nesta tristeza, que o Espírito Santo conhece, ele intercede por nós. Quão maravilhoso é isso!     

O Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho, que é um com o Pai e o Filho, atua até hoje, não fora da palavra, mas pela palavra.

Nós estamos amarrados à palavra. Na palavra devemos procurar o Espírito Santo e não em nossas experiências, que podem nos enganar.

A principal obra do Espírito Santo não é enaltecer-se a si mesmo ou ser enaltecido, mas glorificar a Cristo nos corações, isto é: tornar Cristo grande nos nossos corações, para reconhecermos a obra de Cristo e a louvá-lo.

Ele nos guia em toda a verdade. Ele nos fortalece a fé, dá-nos força para uma vivermos uma vida santificada. Ele nos guia. A ele agradecemos por nos ter levado e conservado na fé.

Supliquemos, pois, que o Espírito Santo nos fortaleça e guie em toda a verdade; que nos dê força para servir na família, na sociedade e na igreja, cantando: "Espírito divino, que vens do Salvador, pedimos teu ensino na ciência do Senhor. Fazermos a vontade de Deus vem ajudar, perdão e santidade em Cristo revelar". Amém.



Horst Kuchenbecker
www.ielb.org.br
E-Mail: horstrk@cpovo.net

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