Göttinger Predigten

deutsch English español
português dansk Schweiz

Startseite

Aktuelle Predigten

Archiv

Besondere Gelegenheiten

Suche

Links

Gästebuch

Konzeption

Unsere Autoren weltweit

Kontakt
ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Dia dos Finados, 02.11.2010

Predigt zu Isaías 25:1 (6-7) 8-9, verfasst von Jorge Schieferdecker

Graça e Paz da parte daquele que era, que é e será para sempre. Amém!

Prezada Comunidade!

Neste dia de finados é natural que o assunto da nossa reflexão, aqui na igreja, seja a morte. Ouvi dizer que a sociedade ocidental contemporânea evita se confrontar com este tema. Há alguns indícios comportamentais que confirmam esta tese. Para nós cristãos o tema da morte está associado à esperança, expectativa de salvação, vida plena. Isto porque a morte significa assumir uma outra condição de vida. "nem a morte pode nos separar do amor de Cristo" dizia o apóstolo Paulo. Mas apesar desta verdade evangélica superar o medo da morte e a perda de uma pessoa querida é sempre difícil.

Permitam-me, portanto, tratar do assunto fazendo a distinção entre: morte e morrer. Eu sei das limitações da comunicação verbal e estou consciente que este assunto pode não despertar interesse dos jovens que estão no auge do vigor físico. Também não é minha intenção falar de coisas que geram tristeza. Ao contrário, morte deve ser entendida como sinônimo de vida plena. Desde a morte e a ressurreição de Cristo se descortina uma nova perspectiva de abordar este assunto. A salvação e a vitória sobre a morte de Cristo propiciaram aos cristãos um olhar positivo para a realidade inexorável da morte.

A vida adquire sentido elevado quando se compreende que a morte é necessária para acessar a plenitude de vida. A dificuldade maior está em aceitar que a etapa temporal da existência tem um limite. A morte, nesta perspectiva, pode ser encarada com muita naturalidade.  Até pode parecer meio estranho o que vou falar. Você pode achar que não tem nada a ver, mas eu já percebi, há pessoas que sofrem mais para morrer. Outras, porém,  partem com  facilidade que até surprende. Isso até transparece no semblante sereno e repercute diretamente na serenidade dos enlutados. Quanto mais a pessoa se realiza como pessoa, mais serena ela vai ao encontro de sua morte e melhor encara os limites fisiológicos. E eu afirmo,  ajuda até no processo de luto das pessoas que ficam.

Antes mesmo de Jesus, de sua obra, morte e ressurreição, o povo de Deus alimentava grande esperança na salvação e na superação da morte. Vejamos as palavras do profeta Isaías no capítulo 25, versículos 8 e 9:

"Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse.

E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos." (Isaías 25. 8-9)

É muito provável que esta palavra do profeta Isaías anunciando o fim da morte, a salvaçao, o fim das lagrimas e o retorno da alegria, está relacionada à superação de um estado de vida em sofrimento. No  contexto de Isaías, talvez, o cenário tenha sido a situação de  escravidão  do povo de Deus.

Diante desta palavra de esperança do profeta, fica claro, primeiramente, que a morte não é um fato isolado, mas acontecem situações de morte. Cito alguns exemplos contemporâneos: escravidão branca; pobreza extrema associada à falta de saneamento básico; o sistema de saúde ineficiente; associação do tráfico com corrupção,  gerando violência. Hoje nos deparamos com uma ameça à vida ainda mais aterradora:  o colapso do eco-sistema. O consumo de nossos bens naturais pode tornar a vida do planeta insustentável. São situações de morte, muito próximas e reais.

Independente destas ameças terríveis e cotidianas, a condição natural da vida terrena é a transitoriedade. "Para morrer, basta estar vivo" diz a filosofia popular. Faz parte da existência humana  o conviver com a possibilidade da morte. Para ser mais direto: é preciso aprender a conviver com o morrer.

Assim somente nos resta a conviver com o fato que a cada dia vamos morrendo.  Quando uma pessoa se dà conta desta sua condição ela não consegue ficar indiferente. Ela, consciente ou inconcientemente, reage. Esta resposta está diretamente relacionada à sua fé, sua experiência pessoal com o  criador e doador da vida. No entanto, mais e mais a sociedade secularizada leva as pessoas a " apostar todas as suas fichas" nesta curta jornada terrena. Nega-se toda e qualquer possibilidade da existência que transcende a matéria. E a palavra de ordem é aproveitar a vida.

Na perpectiva cristã, aproveitar a vida tem outro sentido. Aliás, a vida tem outro sentido quando vivida fundamentada na fé. A vida temporal é apenas uma dimenção parcial da vida plena. Por mais frágil que a vida se apresente, deve ser encarada como graça de Deus. Por isso o apóstolo Paulo chega a afirmar: "em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus".

O morrer, portanto, é inerente a condição da  natureza e pode ser objeto de preparo por parte da pessoa. Saibam,  eu acredito que as pessoas podem -  em grande medida -  determinar a condição pessoal em que vão encontrar a morte. Como nos preparar para morrer? Perdoar e buscar o perdão das pessoas o que é fundamental para que se tenha paz de espírito. Resolver os aspectos relacionados aos bens materiais o que serve também como exercício para despreendimento das coisas materiais. Refletir e falar sobre o morrer e a morte, embora nem sempre você encontre pessoas dispostas a ouvir, mas ajuda na tomada de decisões importantes. Cuidar da sua espiritualidade, pois esta deve ser sempre uma prioridade. Servir a Deus por  gratidão o que significa atuar na igreja, assumindo seu papel na missão de Deus o que vai lhe trazer satisfação e amadurecimento na fé. Conduzir a vida de maneira simples e saudável. Preparar-se para o morrer, não significa negar a existência terrena. Fazer tudo para ter elevada qualidade de vida e para garantir longevidade.

Trata-se, portanto, de uma questão de atitude. Da mesma forma que cada pessoa deve se preparar para a aposentadoria, deve também se preparar para o morrer, sempre na perspectiva da esperança cristã. Não estou aqui afirmando que agente deva desejar morrer ou buscar morrer. Não! Apenas e tão somente, encarar o morrer como uma etapa da vida. Assim como o profeta Isaías, mesmo diante de situações de morte -  sofrimento, lágrimas, dor e luto -  nossa postura deve ser de esperança ativa. Espera-se a salvação, mas de maneira proativa, ou seja, agindo, resistindo e superando as situações de morte. Infelizmente existem  pessoas que não compartilham desta esperança de salvação e que se tornam amedrontadas, pessimistas ao ponto de ficarem  indiferentes, inertes frente a inúmeras  situações.

Gostar da vida, fazer de tudo para manter-se vivo é a atitude mais coerente com a fé evangélica. A vida é dádiva, é sinal da graça e do amor de Deus. O ideário cristão está entre a cruz de Cristo como referência de serviço em favor da vida e a ressurreição de Cristo como sinal de esperança para todos/as. O convite está posto para você: ouse  confiar na promessa de alegria, sem lágrimas, sem medo nem vergonha. Mas não somente confie, atue de maneira  coerente com a promessa de salvação anunciada pelo profeta Isaías. E assim você poderá enfrentar a morte com a mesma ousadia do apóstolo Paulo, que em sua primeira carta aos corintios escreve: Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó morte, a tua vitória? (1 Cor. 15.55).

Amém.



P. Jorge Schieferdecker
Curitiba, PR, Brasil

E-Mail: sinodo@paranapanema.com.br

(zurück zum Seitenanfang)