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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Véspera de Ano Novo, 31.12.2010

Predigt zu Der Prediger Salomo 3:1-13, verfasst von Carlos A. Dreher

Querida comunidade!

O texto que ouvimos é bastante conhecido em sua primeira parte, nos v. 1 a 8: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Num belo poema, o autor vai desfilando uma série de catorze oposições, referindo-se a diversos momentos da vida. Algumas dessas oposições soam positivas aos nossos ouvidos e nos propõem um sentimento de alegria. É bom saber que existe tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria. Também é bom ouvir que há tempo de estar calado e tempo de falar; que há tempo de rasgar e tempo de coser. Melhor ainda é saber que, se há tempo de guerra, também há tempo de paz. Se  há tempo de derrubar, há também tempo de edificar; e, se há tempo de espalhar pedras, também há tempo de ajuntá-las.

Outras, porém, não soam tão bem, embora ainda, de certo modo, sejam positivas: há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Já um tanto incômoda soa a afirmação de que há tempo de matar e tempo de curar. Por fim, há aquelas que não nos agradam: há tempo de abraçar e tempo de afastar-se do abraço. Há tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de amar e tempo de aborrecer. A menos agradável de todas está logo no começo: há tempo de nascer e tempo de morrer!

Tais afirmações nos tocam de diferentes maneiras, dependendo em muito da situação em que nos encontramos. Se penso sobre como eu mesmo já as interpretei, percebo que houve momentos em minha vida em que me pareciam normais e lógicas e até me deslumbravam por sua beleza poética. Hoje, o texto me assusta, quanto mais pela primeira de suas afirmações. Era bem mais fácil ler ou ouvir a frase “Há tempo de nascer e tempo de morrer” em minha juventude. Agora, aos 61 anos, ela me atinge de outra forma, soando tanto mais cruel.

Tive um tempo de nascer, vi meus filhos nascerem. Batizei crianças. Que belos tempos! Também vi pessoas morrerem. Como pastor, oficiei sepultamentos: de pessoas idosas, de gente de meia idade, mas também de jovens e de crianças. Vi meu pai morrendo, perdi minha sogra, meu sogro, amigos, além de outras pessoas próximas. E, muitas vezes, a morte veio de forma tão absurda e cruel.  Péssimos tempos!

Agora chega o tempo em que cada vez mais sou levado a pensar em minha própria morte. E isto me assusta. A vida é tão bela, apesar de vários maus momentos! Também outras afirmações me inquietam: tempo de abraçar e tempo de afastar-se do abraço; tempo de amar e tempo de aborrecer. ­Separações?  Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Ganhos e perdas? Parecem tão brutais, estas frases.

Olhando para a segunda parte do texto, outra afirmação me abala. Está no v. 11: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”. São formosas aquelas outras afirmações que ouvíamos há pouco? Algumas, sim. Outras, de maneira alguma. Em meio a isso, o autor parece contradizer-se: “Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir”. Fadiga e aflição são o resultado do trabalho imposto por Deus aos seres humanos!

Não é de admirar que o autor conclua sua reflexão, dizendo: “Sei que nada há melhor para o homem do que regozijar-se e levar vida regalada; e também que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho.” Se tudo o que fazemos na vida representa apenas fadiga e aflição, de fato, não há nada melhor do que ter uma bela e boa ceia de fim de ano, do que comer, beber do bom e do melhor que se tiver e que se puder! Mas será essa toda a esperança? Boas festas de fim de ano? Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos?

Talvez seja oportuno procurar entender a época e a situação em que viveu o autor do Eclesiastes. Aceita-se que o livro tenha sido composto na segunda metade do século III a. C., portanto, entre 250 e 200 anos antes do nascimento de Jesus. Nesta época, a Palestina encontra-se mais uma vez dominada, agora pelos gregos. O regime é duro. Mais duro ainda para quem leva a Palavra de Deus a sério. O teatro grego fala de outros deuses. Nos ginásios de esporte, os gregos andam sem roupa, nus. Estas coisas não são bons costumes para os judeus. Além disso, guerras entre reis gregos rivais devastam a terra. Não é a primeira vez que a Palestina é dominada. Antes estiveram aí os persas, os babilônios, os assírios. Séculos de dominação estrangeira tornam a palavra liberdade sinônimo apenas de saudade. E não há perspectivas de sair dessa situação.

No que crer, então? Talvez a partir dessa situação se compreenda a frase: “Deus também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa compreender as obras que Deus fez desde o princípio até o fim”. Tudo isso já dura tanto tempo, e não há como entender o que Deus quer. Na verdade, não há como entender Deus. Aí, o que resta é desânimo e falta de esperança. Então, vamos comer e beber entre o tempo de nascer e o tempo de morrer. Tudo se torna tão triste e sem sentido.

O autor de Eclesiastes não conhecia a palavra que ouvimos hoje, antes do texto de pregação. Lembram-se? O texto de Apocalipse 21.1-5 nos dizia: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.”

Sim, o autor do Eclesiastes não sabia, e nem podia saber, que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Ele não sabia de Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido em uma estrebaria, deitado numa manjedoura, que passou a anunciar que o Reino de Deus estava no meio de nós, que morreu pregado na cruz, por nós, por nossos pecados, que ressuscitou ao terceiro dia. Não sabia que esta morte e esta ressurreição significaram o fim da morte, porque, como Ele vive, também nós viveremos!

Sim, houve tempo de matar, agora é tempo de curar! Houve tempo de aborrecer, agora é tempo de amar! Houve tempo de guerra, agora é tempo de paz! Houve tempo de chorar e de prantear, agora é tempo de rir e de saltar de alegria! Sim, há um tempo de nascer e outro de morrer, mas há o tempo de ressuscitar para a vida eterna, junto com Deus, sem lágrimas, sem luto, sem ódio, sem guerra, sem fadiga e sem aflição, porque Ele faz novas todas as coisas! Esta é a nossa certeza, esta é a nossa esperança. E assim como um ano velho se acaba e um ano novo começa, nós sabemos: Ele faz novas todas as coisas.

Amém!



P. Carlos A. Dreher
Săo Leopoldo, RS Brasil
E-Mail: cdreher.nho@terra.com.br

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