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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

1º Domingo após Epifania , 09.01.2011

Predigt zu Isaías 42:1-9, verfasst von Heitor Meurer

Prezada comunidade!

Provavelmente em boa parte das mensagens que recebemos e enviamos para o início deste novo ano, estiveram incluídas palavras como prosperidade, esperança, paz, luz, saúde e tantas outras. Com elas, ao mesmo tempo em que demonstramos nossos desejos, colocamos nossos medos e nossas ansiedades. Como será este ano, se não houver esperança, paz, saúde?

Creio que desta maneira também podemos interpretar a mensagem dos profetas. Sabiam que precisavam ser realistas, mas sabiam também que junto à denúncia precisava haver o anúncio. Nem sempre as palavras de um profeta eram boas de serem ouvidas, mas tinham que ser ditas. Isaías não é exceção a esta regra. Ele sabia que sua profecia não se cumpriria no tempo daqueles que o escutavam. Ele sabia que o "servo do Senhor", a quem ele anunciava, seria reconhecido por outra geração em outra época. Mesmo assim ele fala, pois, esperar este Messias, renovaria a esperança do povo.

Semelhante ao profeta Isaías, o último profeta antes de Jesus, João Batista, tinha que anunciar o mesmo "servo do Senhor". Ao fazê-lo ele cumpre parte da profecia do Velho Testamento. Se dermos um passeio pelos Evangelhos, veremos que a palavra que se cumpriria com a vinda de Jesus, segundo Isaías, estava ali e é apontada por João Batista. Assim o vemos no batismo de Jesus, descrito no capítulo 3 do evangelho de Mateus, versos 13 a 17. Expressões como "o meu servo", "o meu escolhido", "pus nele o meu espírito", usadas em Isaías 42.1, se cumprem quando João Batista anuncia que, depois dele, que batizava com água, viria aquele que batizaria com o Espírito Santo. Esta profecia é confirmada, quando, depois de seu batismo, Jesus ouve a palavra: "Este é meu filho amado" (Mateus 3.17).

Outra semelhança entre Isaías e João Batista é que ambos querem, por sua profecia, preparar o povo para que não tenha dúvida sobre "aquele que viria". O servo de Deus, anunciado por Isaías, é um incansável batalhador pela paz, pela justiça e pelo direito. Não seria um gritão, valendo-se da violência ou da pressão para ser ouvido, como dizem os versos 2 a 4. Ao invés de "falar, gritar e ser ouvido nas praças", o ministério de Jesus seria marcado pela conversa, por palavras simples, cheias de lições tiradas do dia a dia das pessoas. Sem saber desses detalhes, João Batista anuncia Jesus como o "Cordeiro" (João 1.29). Uma bela figura para descrever esta pessoa que viria depois dele e que foi anunciada por Isaías.

Voltemos ao nosso texto e ao anúncio do profeta. Por ser tal a pessoa anunciada por Isaías, Jesus, no qual a comunidade cristã reconhece o "servo do Senhor", precisaria do cuidado, da proteção e da orientação do Todo Poderoso Deus. Temos aí outra palavra forte no verso 6: "te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei". Talvez o momento crucial do cumprimento desta profecia esteja bem no começo no ministério público de Jesus, nos seus 40 dias no deserto. Sua resposta firme a cada uma das tentações e investidas do Diabo, como as vemos em Mateus 4.1-11, confirmam a mão de Deus, guardando Jesus quando experimentava o teste máximo de sua humanidade. Mais uma profecia se cumpriu.

Mas e o povo que aguardava este Messias anunciado pelos profetas? Que diferença Ele faria para as suas vidas? Afinal de contas Isaías está profetizando para um povo que precisava ouvir uma palavra de ânimo e conforto. Pois ela está aí, presente neste texto. Nos versos 6 e 7 aparecem as palavras que fariam a diferença, provocando esperança e confiança nos ouvintes de Isaías, mesmo que fosse uma geração futura que o experimentasse de fato: "Uma nova aliança, luz para os povos, visão para os cegos e liberdade para os cativos". Sempre que algum profeta do Velho Testamento apontava para a vinda de Cristo (anúncio messiânico), a perspectiva de coisas novas estava presente. Isaías o faz de maneira especial. Se lembrarmos o anúncio do nascimento do menino da manjedoura, recém renovado em nossas celebrações de Natal, "é o povo que andava em trevas que viu grande luz" (Isaías 9,2). Assim também o é anunciado aqui de novo, no versículo 7.

Por isso quando Jesus, procurado pela multidão que lhe trazia os enfermos, os recebe e cura, pedindo que não o divulguem, lembramo-nos de que ele não se faria anunciar nas praças. É assim que o descreve Mateus 12. 15 a 21. Não querendo ser exposto à publicidade (v.16), Ele cumpre a profecia de Isaías, citada por Mateus nestes versículos de seu evangelho (v.18 a 21). O Salvador do Mundo, como o descreveu João Batista, se torna "esperança para os gentios", ou nas palavras de Isaías, "luz para os gentios" (42.6) e "as terras do mar aguardarão a sua doutrina" (42.4).

E aqui nós nos incluímos. Sim. Todos nós. Cristãos de todos os cantos do "além mar". Nós brasileiros, inclusive. Podemos ser "povo de Deus", pois a sua luz nos alcançou, pelo anúncio do evangelho. E vejam com que precisão podemos hoje ver cumpridas as palavras de Isaías, de João Batista e do próprio Jesus. Cada um de nós é cumprimento de todas aquelas profecias. Assim como o povo do tempo de Isaías olhava "para a frente", e ainda não viu todas as profecias cumpridas em sua época, assim também as pessoas no tempo de João Batista. Ainda estavam aguardando. Mas nós que vimos Jesus, seus milagres e gestos e que ouvimos as suas palavras, compreendemos bem as profecias. Elas estão se cumprindo em Jesus. E com os milagres que presenciamos desde as primeiras predições em Isaías 42.9a estamos tendo a oportunidade de ver acontecer também as "coisas novas" de que é falado em Isaías 42.9b, bem como as que continuarão acontecendo. Isto nos pode encher de ânimo e esperança justamente neste início de ano.

Se nós mesmos já podemos provocar alegria nos outros com nossos desejos simples de prosperidade, esperança, paz, luz e saúde, como ilustrei no começo desta mensagem, quanto mais se conseguirmos ser testemunhas das palavras eternas e divinas. Ainda ecoam em nossos ouvidos as palavras do tema da IECLB do ano que passou: "Missão de Deus, nossa paixão". A profecia de Isaías continua se cumprindo. Nós somos portadores de "boas novas", de "coisas novas". Com esperança e compromisso, como desafia o tema deste ano de 2011, com "Paz na Criação de Deus".

Temos que encerrar com uma pergunta: Será que nos apercebemos da importância desta herança que recebemos?

Somos atores e não apenas expectadores. Que a boa mão de Deus, que acompanhou o Senhor Jesus em sua missão, também se estenda sobre nós a cada dia deste novo ano, enquanto deixamos que Ele mesmo faça acontecer em nós e através de nós, as "coisas novas" que devem suceder.

Amém!



P. Heitor Meurer
Novo Hamburgo, RS, Brasil
E-Mail: hjmeurer@yohoo.com.br

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