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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

6º Domingo após Epifania , 13.02.2011

Predigt zu Deuteronômio 30:15-20, verfasst von Geraldo Schach

Irmãs e irmãos em Cristo:

Viver implica em tomar decisões! Entre as muitas escolhas que temos de fazer nesta vida, uma é fundamental: adorar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas. Não fazê-lo abre espaço para a prática da idolatria, o que leva à morte.

Deuteronômio 30.15-20 é um texto que impressiona por sua clareza e objetividade! Exige tomada de posição! Mostra o caminho da vida sob as bênçãos de Deus e alerta para as conseqüências da maldição aos que optam pelo caminho do mal. Exemplifica-o muito bem o salmo 1, ao proclamar a salvação dos justos e o fim dos ímpios que não prevalecerão no juízo.

Tudo depende de quem é o Deus a quem nós adoramos. Eis uma pergunta oportuna: Quem é o nosso Deus? Lembro aqui as palavras de Jesus no sermão do monte: "porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6.21) Em nossos dias não faltam ofertas tentadoras e tesouros que desviam os corações para longe de Deus. Mas Deus, o Senhor do Universo, em seu infinito amor, vem a nós e nos dá a liberdade de escolha. Movidos pelo seu amor e na fé em Jesus Cristo, somos livres para escolher entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição.

Em meio à atual realidade, marcada por sinais de violência, destruição, sofrimento e dor, optar a favor da vida nos compromete com a justiça e com a luta contra o mal e os poderes que geram a morte. A proposta de Deus não admite neutralidade. É radical! Exige definição, visão clara do reino. Implica em compromisso com a vida e com a Criação de Deus, com uma vida de amor a Deus e de amor ao próximo!

Decisivo, porém, é o agir de Deus a nosso favor, ao indicar-nos o caminho: -"Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade, para que habites na terra da promessa que o Senhor, sob juramento, deu a teus pais Abraão, Isaque e Jacó." (v 19-20)

Ao nos propor a escolha entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição, Deus revela o seu cuidado por nós. A sua oferta de salvação, não se resume à esfera da religiosidade, mas envolve a totalidade da nossa existência. Também não se limita ao campo pessoal e particular, mas abrange a descendência, o coletivo, a comunidade, o social, os povos, as nações.

A vida que Deus propõe perpassa a história da humanidade, desde a Criação do mundo, passando pela libertação de Israel da escravidão do Egito, ao pacto do Sinai, à entrada na terra da promessa. Perpassa também o Novo Testamento, de acordo com o qual Deus visita o seu povo em Jesus Cristo, assumindo a forma humana e ofertando na cruz a sua vida para nos libertar da força do pecado. Cruz e ressurreição são sinais inequívocos da opção de Deus pela vida que Ele oferta a todos. É a Nova Aliança no sangue de Cristo que nos certifica na fé de que devemos a nossa vida à graça e a misericórdia de Deus. Optar por viver esta vida tem as suas conseqüências.

Em 2011 a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil adotou o tema: "Paz na Criação de Deus - Esperança e Compromisso". Ao confessarmos Deus como Criador, dizemos ao mundo que a vida e tudo que a cerca é dádiva, é graça de Deus. Esta fé nos compromete com a tarefa da preservação da Criação com todas as formas de vida. Isto é compromisso e responsabilidade com o dom maior: a vida que Deus nos deu e que a Ele pertence!

Assim testemunhamos Deus como o Senhor do mundo e de tudo o que nele existe. Cremos que este Deus é a fonte da paz. Paz que a humanidade só consegue vivenciar ao optar pela vida. Mesmo assim só a vivemos em pequenas porções. Pois a natureza humana, sempre ansiosa em satisfazer o próprio ego, geralmente às custas do suor e da vida alheia, nos limita na vivência do amor e da paz. Essa carência tem relação direta com a não observância dos mandamentos. Nós temos dificuldades de assumir o compromisso coletivo com a vida. Amamos demais a nós mesmos. Gostamos de ser o nosso próprio deus. A conseqüência é o descaso para com a preservação da criação e com todas as suas formas de vida, o que, por sua vez gera conflitos, concorrência desleal, relações de hostilidade, caminhos de morte.

Sem se importar com a vontade de Deus o ser humano administra a vida na face da terra, numa ânsia de desenvolvimento e de progresso, carregada de equívocos. O avanço tecnológico, a prioridade do lucro e da riqueza sobre o dom da vida resulta em injustiça social, em desigualdade manifestada no abismo entre pobres e ricos. Em seqüência o pecado assume as formas da miséria, da luxúria, da violência, da criminalidade, enfim da adulteração da criação de Deus.

Vivemos numa sociedade permissiva na qual escolher a vida nem sempre é uma decisão fácil. Estamos envoltos em práticas de promiscuidade, perversidade, e injustiça. As aparências e as fúteis vaidades humanas tomam o lugar da essência do amor, da paz, da justiça. Raros são os gestos de partilha e de solidariedade. Multiplicam-se os sinais anti-vida. Exemplos são a destruição e a queimada da floresta amazônica, e a emissão industrial de efluentes químicos que poluem terra, o ar e o mar. Enquanto isso aumenta a incidência de catástrofes da natureza sob o ônus e o sacrifício de muitas vidas. Mais de 800 mortos foram as vítimas das chuvas no mês passado, na região serrana do Rio de Janeiro. Deus quis assim? Claro que não!

Ao mesmo tempo a indecisão de grandes potências mundiais em relação à redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa, atesta que a vida e a morte travam uma batalha renhida. O Protocolo de Kyoto, tratado assinado em 1997 no Japão, treze anos depois, ainda carece de forças para a implementação das medidas a favor da preservação do meio ambiente. São enormes os receios de que as medidas de redução dos gases poluentes trarão prejuízos para as grandes economias mundiais. Enquanto uns procuram garantir as macroeconomias, outros morrem prematuramente pela falta de tratamento da saúde e de recursos básicos para a sua vida. Bênção ou maldição? Morte ou vida?

Urge retomarmos o pacto pela vida. Urge reconhecermos a nossa total dependência de Deus. Em humildade façamos também nós a nossa confissão de pecados. A adoração e o amor ao consumismo, o endeusamento das aparências, o culto ao corpo humano, e a valorização das pessoas pelos seus méritos, são práticas de idolatria que denotam como as ideologias nos levam a optar pela morte. Deus diz: "Vê que te proponho, hoje, a vida e o bem...." Decida-se! A radicalidade desta opção não permite neutralidade. É preciso escolher entre bênção e maldição. Isso tem a ver com a nossa fé. Mesmo quando há poucas perspectivas de vida, a fé nos induz a orar a Deus, na confiança de que Ele pode transformar o mundo. Ela também nos induz ao engajamento nas políticas públicas em favor do bem comum. Deus é o Senhor do mundo. É dele que recebemos fé e esperança para testemunharmos a supremacia da força do amor.

Retomar o pacto a favor da vida é apegar-se a Deus e orar para que Ele tenha misericórdia de nós, e, em seu infinito amor, mova mentes e corações em gestos de comunhão e de solidariedade. É deixar-se contagiar pela dádiva da vida. É caminhar na certeza de que o amor de Deus ilumina nossas palavras e ações. Sim, em sua misericórdia, Deus continua ofertando-nos a vida. Aceitá-la é comprometer-se com o seu amor. A partir da fé em Cristo vivemos na esperança de que este mundo tem salvação. Portanto, deixemos o Deus da vida ser o nosso Deus, na certeza de que podemos contar com a sua bênção. Escolhamos, pois, a vida...

Amém!



P. Geraldo Schach
Itapema/SC/Brasil
E-Mail: geraldoschach@gmail.com

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