Göttinger Predigten

deutsch English español
português dansk Schweiz

Startseite

Aktuelle Predigten

Archiv

Besondere Gelegenheiten

Suche

Links

Gästebuch

Konzeption

Unsere Autoren weltweit

Kontakt
ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

5º Domingo Após Pentecostes, 17.07.2011

Predigt zu Isaías 44:6-8, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

"Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e além de mim não há Deus." São palavras de Deus proferidas pela boca do profeta Isaías. Profetas falam em nome de Deus, por suas ordens, em seu lugar. Assim também nesta passagem. Isaías inicia seu discurso com as palavras: "Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos Exércitos..." Portanto, é Deus quem fala a seu povo. E ele é categórico: Eu sou o primeiro e o último, ou seja, eu estou no início e no fim. Eu estou na criação do mundo, e quando ele acabar, lá estarei eu de novo. Eu já era antes de você nascer, e quando fechar os olhos para sempre, lá estarei eu para recepcionar você. Deus é o horizonte de tudo o que existe, o princípio e o fim, o começo e a estação final. Palavras semelhantes encontram-se no Novo Testamento. No livro do Apocalipse nós lemos: "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso." No alfabeto grego o "alfa" é a primeira letra, o "ômega" o última. Então, o sentido é o mesmo.

Além deste Deus não existe outro. As palavras de Isaías o sublinham fortemente. Provavelmente houve gente que não resistiu ao fascínio de outros deuses, deuses mais simpáticos, menos exigentes, deuses mais modernos. Em tal situação Deus desafia o seu povo. Ele pergunta: Não é verdade que me revelei sempre de novo a vocês, que cumpri as minhas promessas, que escolhi vocês para serem meu povo? Vocês são minhas testemunhas. Então, há outro Deus além de mim? E Deus mesmo responde: "Não, não há outra Rocha que eu conheça". Não há outro fundamento seguro nesta vida senão aquele Deus que desde o início tem guiado o seu povo e que vai conduzi-lo também no futuro. Poucas são as passagens na Bíblia que tão energicamente insistem em que Deus é um só. Merece ser lembrado também o primeiro mandamento que diz: "Eu sou o Senhor, teu Deus! Não terás outros deuses além de mim." E, no entanto, as palavras do profeta Isaías são ainda mais explícitas na afirmação que outros deuses não existem. "Não há outra Rocha que eu conheça." Então, outros pretensos deuses não passam de nulidades. É esta a afirmação decidida do monoteísmo.

Como visto, o Novo Testamento compartilha esta convicção. Aliás, também o islamismo é categórico nessa questão. Existe um só Deus, Alá, e um só profeta Maomé. Judaísmo, cristianismo e islamismo são as três grandes religiões monoteístas do mundo.

Além delas existem religiões politeístas, ou seja, religiões que adoram diversas divindades, a exemplo do hinduísmo ou de certas religiões tribais da África. De acordo com elas é grande o número de divindades. Nem mesmo as sociedades modernas se excluem. Também elas cultuam o que poderíamos chamar de "deuses". No fundo, tudo o que cativa a fé das pessoas e se transforma em objeto de adoração se converteu num ídolo. Penso no lucro financeiro, por exemplo, que se tornou o objetivo máximo em tempos de mercado. As riquezas, chamadas por Jesus de "Mamom" (Mt 6.24) arrastam os corações das pessoas e fazem com que percam o juízo. Existe não só um politeísmo religioso. Existe também um politeísmo secular. Certamente as divindades modernas são cultuadas em outros templos do que os tradicionais, mas às vezes com a mesma devoção. As palavras de Isaías são oportunas também e justamente hoje. É bom lembrar que não há outro Deus além daquele que criou o universo, o mundo e o ser humano, ou seja, aquele que é o primeiro e o último e que é rocha firme nas crises da vida.

Mas será o cristianismo realmente uma religião monoteísta? Na primeira carta aos coríntios o apóstolo Paulo cita um credo da primeira cristandade que diz: "Para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas e nós por ele" (1 Co 8,6). Ele poderia ter acrescentado: "E um só Espírito, que conduz a toda a verdade e que orienta também a nós." A fé cristã fala em um só Deus, o Pai, num só Senhor, Jesus Cristo, e num só Orientador, o Espírito Santo. Vários templos na IECLB têm o nome de "igreja da Trindade", nossos batismos são realizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, assim como também os nossos cultos acontecem sob invocação do trino Deus. É esta a particularidade cristã, a saber, falar de um só Deus, mas em tríplice manifestação. Deus age como Pai, como Filho e como Espírito Santo.

Tal discurso é escandaloso para os defensores de um rigoroso monoteísmo, especialmente para os muçulmanos. Enxergam nele uma ofensa a Deus que não poderia ter filho. Por isto mesmo culpam os cristãos de serem incrédulos. Será verdade isto? Falamos nós em três deuses diferentes? No mundo multicultural, plural de hoje, não podemos manter as religiões à distância. Temos que achar uma forma de convivência pacífica. Isto significa, não por último, eliminar mal-entendidos. Não, a fé cristã não afirma a existência de três divindades diferentes. Jesus Cristo não é outro Deus além de Deus Pai, e o mesmo vale para o Espírito Santo.

O Novo Testamento não deixa margem de dúvidas quanto a isto. Vejamos mais uma vez o que o apóstolo Paulo diz a esse respeito imediatamente antes da passagem já citada. Nós "sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há senão um só Deus." (1 Co 8.4). Mas ele é realista o suficiente para admitir: "Porque ainda que haja também alguns que se chamam deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores" (8.5) para então continuar: "todavia para nós há um só Deus, o Pai..." Deuses por si não são nada. Mas há pessoas que adoram deuses criados por eles mesmos, falsos deuses, ídolos, deuses feitos por imaginação, por desejo, por pecado humano, bem assim como o foi o bezerro de ouro no tempo de Moisés (Ex 32). Ainda hoje idolatria é um mal difundido. Isto apesar de que nós sabemos que Deus é um só. A fé cristã insiste nessa verdade. Não abre mão do monoteísmo.

Mesmo assim não pode deixar de falar de Jesus Cristo como filho de Deus. Não porque fosse um novo Deus, um outro Deus, mas porque por ele chegou a conhecer quem Deus de fato é. Em Jesus Cristo o amor de Deus se revelou, por ele Deus falou como jamais falou a seu povo, por ele se deu a conhecer. A fé cristã aprendeu de Jesus a invocar Deus como Pai. Jesus, ele mesmo se dirigiu desse modo a Deus e ensinou a seus discípulos a oração do "Pai Nosso". Se Deus não pode ter Filho, ele também não pode ser Pai. Mas é justamente isto que Jesus nos ensinou. Deus é como um pai em relação a nós, amoroso, misericordioso, benigno. A melhor ilustração dessa verdade, Jesus a expressou na parábola do filho pródigo. Por isto quem nega a filiação divina a Jesus cuide para não falar de outro Deus do que aquele que Jesus nos mostrou. Aliás, o mesmo vale para o Espírito Santo. Ele é de acordo com o testemunho bíblico o Espírito do amor, da vida, da verdade, em tudo igual a Deus Pai.

Nós não falamos de três deuses. Falamos de um só. Mas nós falamos de Deus do jeito como Jesus o ensinou e como o Espírito Santo o demonstra. Repito, Deus é um só, e não há outro além dele. Mas ele se comunica de modo distinto, como criador, redentor e orientador. É assim que nós chegamos a conhecer quem de fato é. Isto é importante. Pois as maneiras de falar de Deus divergem. As pessoas têm imagens diferentes daquele um Deus. Inclusive devemos constatar que monoteísmo pode ser altamente cruel. Se eu imagino Deus como um tirano, um vingador em seus inimigos, um empresário que faz negócio com os fiéis, então será outro Deus do que aquele a quem Jesus Cristo se dirigiu e que por ele se revelou. O Deus trino não condena o ser humano, não lhe impõe cargas pesadas, não o maltrata com exigências absurdas, não lhe mete medo. Pelo contrário, ele condena o assassinato em seu nome. O Deus de Jesus Cristo quer a paz. Ele liberta de opressão e quer o bem de sua criatura. É este o único Deus, ao lado do qual não existe outro.

Permanece a pergunta: Quem é teu Deus? Não é pergunta à toa. Pois da maneira como falamos de Deus depende nossa conduta. Rogamos ao Espírito Santo para que nos conduza a toda a verdade e nos ajude a distinguir Deus dos ídolos.

Amém!



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

(zurück zum Seitenanfang)