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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

9º Domingo após Pentecostes, 14.08.2011

Predigt zu Isaías 56:1,6-8, verfasst von Manfredo Siegle

 

Estimada comunidade!

Acabamos de ler e de ouvir um texto especial no contexto de uma sociedade marcada por exclusão, preconceitos e por marginalização. Trata-se de uma bela mensagem que permite respirar o ar de liberdade, alegria e de novidade para edificar a vida em comunidade. Cremos e testemunhamos Deus que não elimina a lei. Somos chamados por Deus que derruba as cercas que dividem e que rompem os muros; muros e cercas afastam e dispersam pessoas, desorganizam comunidades e prejudicam o convívio de nações inteiras.

O profeta Isaías assume o papel de porta-voz de Deus, empenhado em inclusão e comunhão. Ele coloca sementes de esperança visando a uma nova convivência. O homem de Deus, Isaías, traduziu esta mensagem para dentro de um povo, cuja situação econômica, espiritual e política beirava a miséria. Grande era a desconfiança das pessoas não consideradas dignas de pertencer ao povo eleito por Deus, Israel. Por causa da revelação e proximidade de Deus, pessoas eram discriminadas por serem estrangeiras ou por serem pessoas mutiladas (castradas/eunucos). A lei judaica as afastava do templo e impedia de participarem da comunidade de culto e das festas religiosas.

Há poucos dias atrás, tratamos no ensino confirmatório do Sacramento da Ceia do Senhor e focalizamos a Santa Ceia como festa da inclusão e da comunhão. Perguntei os adolescentes quem eles identificavam, na sociedade moderna, sendo pessoas excluídas. Citaram, então, como exemplos: as mulheres, os idosos, os deficientes físicos e psíquicos, gente de outra cor, os violentos, gente pobre, bem como os homossexuais, os gays. O rosto das pessoas excluídas tem inúmeras marcas, inclusive aquelas que apontam às diferenças de caráter confessional, ou aquelas que praticam outras atitudes religiosas.

"Sigam a justiça e o que é direito, eu vou livrá-los, mostrando assim o meu poder salvador. Eu os levarei ao meu monte santo e vocês ficarão felizes na minha casa de oração": palavras do profeta Isaías. A prática da exclusão, indiferente a quem discriminamos, acontece quando a nossa própria imagem está em jogo. E a mensagem do profeta sublinha que o ensino e a prática da lei não se sobrepõem à "justiça" e ao que "é direito". Nada é mais importante do que a prática do amor e da misericórdia. Enquanto a lei gera concorrência e dispersa, o amor reúne e promove comunhão solidária, traz esperança e anima ao compromisso. "Guarda o amor e o direito e espera sempre em teu Deus" (Oséias 12.7). Vida em comunhão, convivência solidária, o dom do amor não são metas de chegada, mas são pontos de partida.

Aos olhos do Evangelho e no horizonte da fé em Jesus Cristo, a comunidade cristã, que se reúne em culto e celebra a comunhão em torno da mesa do Senhor, é desafiada a viver nova comunhão. A mesa da Ceia do Senhor torna-se um espaço de reconciliação, de aprendizado ao perdão e à prática da inclusão. Jesus viveu e agiu como embaixador do Deus da paz e da reconciliação. Até a morte na cruz, ele serviu a Deus que não fecha, mas "abre as portas".

A parábola do Pai bondoso apresenta o irmão mais velho que deixou de demonstrar qualquer entusiasmo, quando do retorno do irmão que havia jogado fora o dinheiro da sua herança com prostitutas e com outras coisas supérfluas. Além do pouco entusiasmo com o retorno do irmão à casa paterna e materna, o filho mais velho, um trabalhador incansável, moço direito, não se agradou com a atitude bondosa do pai. O pai bondoso recebeu o irmão "perdido e depravado" de braços abertos. A boa notícia transmitida pelo profeta Isaías permite a construção de uma ponte importante em direção às atitudes vividas por Jesus Cristo. O Filho de Deus, nascido em meio à sociedade que excluía e afastava pessoas diferentes, sempre em nome da boa moral mas um risco, devolveu dignidade aos marginalizados do seu tempo.

Jesus Cristo, condenado e sacrificado na cruz, apostou num novo relacionamento entre as pessoas. Fundamentou, tanto o seu ensino, como a prática, na justiça, na paz, e no espírito da unidade. Ele viveu, até o fim, o que Isaías anunciou muito tempo antes. As Boas Notícias de Jesus aconteceram no horizonte da justiça, cujo princípio parte do amor e da graça divina. Ele viveu o que é direito. Jesus integrou e reconciliou, declarando "felizes os pobres de espírito, os humildes, felizes os misericordiosos e os que promovem a paz". Jesus inaugurou uma nova comunhão e permitiu que todas as pessoas pudessem andar de cabeça erguida. Ensinou que o amor de Deus devolve a dignidade, torna as pessoas próximas, e cria comunhão para com "os de perto e os de longe". Ao mesmo tempo, Jesus denunciou a auto-justificação dos fariseus, que se julgavam melhores e mais qualificados; virou a mesa dos cambistas que fizeram da Casa de Oração, o templo, uma casa de comércio.

Jesus Cristo, o profeta de Deus da nova aliança, organizou o que o poder do pecado tinha desorganizado. Foi Ele quem aproximou e aceitou as pessoas marginalizadas e excluídas pela letra da lei. A âncora do amor e do perdão sempre superou, na vida exemplar de Cristo, a rigidez provocada pela justificação das obras da lei; ele não pregou um Deus justiceiro.

Na parábola do "filho pródigo" o pai, identificado com Deus, não aceitou de volta ao lar o filho mais moço, apesar da sua vida desregrada; recebeu-o de volta em casa, isto sim, por causa da sua vida faltosa!

A comunhão plena, que sonhamos em nossos cultos, pode ser festejada como um "aperitivo" de esperança; esperança essa, que enxerga a unidade, promove a inclusão e destrói os muros erguidos entre as pessoas. Um sinal de que o Reino de Deus já foi inaugurado.

Termino, citando uma frase muito interessante de um dos primeiros teólogos do povo cristão; ela provém de Agostinho: "Nas necessidades, a unidade, nas dúvidas, a liberdade; em todas as coisas, o amor"!

Amém.



P. Manfredo Siegle
Joinville, SC, Brasil
E-Mail: manfredo_siegle@hotmail.com

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