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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

13º Domingo Após Pentecostes, 11.09.2011

Predigt zu Gênesis 50:15-21, verfasst von Osmar Luiz Witt

 

Prezada comunidade de Jesus Cristo!

A novela que conta a história dos filhos de Jacó é uma narrativa envolvente. Jacó é pai de uma família numerosa e nas grandes famílias não é incomum que haja rusga entre irmãos. José recebe mais atenção do pai e os irmãos sentem ciúmes dele. Planejam e executam um plano para livrar-se do irmão que lhes rouba a melhor atenção do pai. Vendem-no para um mercador de escravos e dizem ao pai que o filho foi morto por um animal no campo onde pastoreavam os rebanhos dele. Sua mentira e seu mau proceder provocam uma dor profunda no pai que pensa ter perdido o filho, além de rebaixar o irmão à condição de escravo no Egito, para onde foi levado e vendido.

Mas, sucede que, em lugar de se livrarem do irmão acabam ficando reféns de sua bondade. Nada como um dia após o outro para trazer à luz os males praticados e pretensamente encobertos. Como diz o ditado: "a mentira tem pernas curtas", ou seja, ela não nos conduz muito longe sem sermos alcançados. E eis que Deus, "mudou o mal em bem para salvar muita gente!" Sobrevindo um tempo de seca e de fome, os irmãos precisam dirigir-se ao Egito. E, lá está José, não mais como escravo, mas promovido pelo Faraó à condição de governador, responsável por organizar a produção e negociar o cereal que pode aplacar a fome. José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram. Mesmo assim, ele se identifica e eles podem levar o mantimento à casa do seu pai Jacó. Passado algum tempo, Jacó faleceu. Neste momento, os irmãos temem pelo futuro, pois José poderia querer vingar-se do mal que lhe haviam feito.

"E agora, José?"

O que será dos teus irmãos? 

Já morreu o vosso pai, eles tremem de medo,

sua consciência os acusa, estão em tuas mãos...

E agora, José?

E José, que temia o Senhor e fazia o que era justo, "os acalmou com palavras carinhosas, que tocaram o coração deles." Ora, se dirá, e não tinha ele direito a uma devolução na mesma moeda? Não teria sido justo que os irmãos fossem castigados pelo mal que fizeram? Vejam: quando a gente paga o mal sofrido com a prática de outro mal, entramos numa espiral de maldade, na qual permanecemos presos enquanto nos deixarmos conduzir pela lógica da retribuição. José rompe com esta lógica e segue uma outra, que busca a restauração de uma relação abalada com seus irmãos. Sim, eles agiram mal e ele poderia usar a oportunidade para vingar-se. O medo que eles sentem tem uma razão de ser. Contudo, a vingança é um sentimento destrutivo, enquanto o perdão possibilita um novo começo. O desejo de vingança parece legítimo, mas, no fundo, ele nos mantém presos ao nosso passado e ao que de ruim nele aconteceu. Li, certa vez, num quadro na parede de uma casa que "perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz". Em vista desta narrativa de José e seus irmãos a frase faz sentido: a felicidade dos irmãos depende do perdão de José.

O Evangelho deste domingo (Mateus 18. 21-35) também nos lembra que vivemos de dar e de receber perdão. Queremos e buscamos o perdão de Deus e contamos com o perdão das pessoas com as quais agimos mal. Será que também estamos dispostos a dividir este perdão com quem julgamos que agiu mal conosco? A parábola contada por Jesus nos recorda de que como ele nos ensinou a orar: "perdoa as nossas dívidas assim como nós também perdoamos aos nossos devedores." O texto da carta aos Romanos (14. 1-12) que ouvimos, nos remete ao fato de que na diversidade de usos e costumes concernentes a tempos e alimentos precisamos aprender a lidar com maior generosidade e a valorizar a fé de cada pessoa.

Como se vê, os textos bíblicos deste domingo nos ensinam que o perdão não deve ser associado apenas ao âmbito religioso de nossa vida. Isto, embora muito comumente a gente faça assim. Entretanto, o perdão solicitado e anunciado em celebrações religiosas pode levar à sua bagatelização. É tão fácil vir ao culto, pedir perdão, recebê-lo de graça, voltar para casa e tocar a vida. Quem não tem consciência do pecado obviamente não sentirá necessidade de pedir perdão. No senso comum vale: não matei, não roubei, não forniquei... vou pedir perdão para quê? Não temos, às vezes, a sensação de que tudo isso é um grande teatro ritualizado que a gente cumpre, mas que não tem efeito sobre o cotidiano?" (PL 35, p. 297).

Assim, é oportuno que os próprios textos bíblicos nos apresentem situações experimentadas no dia-a-dia: o maltratado que se tornou poderoso, a pessoa que está endividada, e as pessoas que tem outros usos e costumes que os nossos. São situações que geram conflitos de relacionamento e de convívio, e o Evangelho pode e quer aí fazer a diferença: Deus pode transformar o mal em bem! Nós, que experimentamos a graça do perdão de Deus em Jesus Cristo, não precisamos nos fechar em nós, pelo contrário, podemos partilhar este perdão com generosidade para que alcance "a vida de muita gente".

Ao insistirmos em trazer o tema do perdão para dentro de nossa realidade cotidiana, somos confrontados com um acontecimento histórico, que hoje completa dez anos: o ataque terrorista que derrubou as torres gêmeas, símbolo do poderio econômico dos Estados Unidos da América. Aquele ato de violência, como sabemos, desencadeou outros atos de violência como forma de retaliação. Já se disse que o mundo não é mais o mesmo depois daquele atentado. Poderá esta lógica da vingança produzir um equilíbrio que assegure a paz mundial? Precisamos, honestamente, continuar insistindo que a opção pelas guerras e pelos atentados é o caminho para se chegar a um entendimento entre os povos e culturas diversos? Seria muito pretensioso lembrar que as Escrituras, em especial a narrativa de José e seus irmãos, apontam para uma alternativa? Corações e mentes de homens e mulheres que se dizem tementes a Deus não deveriam deixar-se guiar pela fé de que "Deus transforma o mal em bem"? Não terá a humanidade homens e mulheres com maturidade suficiente para liderarem um processo de paz com justiça que assegure a dignidade da diversidade cultural?

Como vemos, perdão é um tema atualíssimo que não fica restrito à esfera individual. Perdão é o caminho que abre as chances para a restauração de relações em todos os âmbitos, baseadas na generosidade, na misericórdia e no respeito. Temer a Deus e fazer o que é justo foram os princípios que balizaram o caminho de José. Esses princípios também podem capacitar a nós sempre que formos tentados a retribuir o mal com mal. Temer a Deus e fazer o que é justo são princípios que podem balizar o caminho da humanidade na construção de relações de paz com justiça.

E agora, José? E agora, Maria?

Vocês foram restaurados! O perdão, quem merecia?

Que farão doravante? Exercitarão a generosidade.

Envolver-se-ão com a paz. Buscarão a diaconia.

E agora, José? E agora, Maria?



P. Osmar Luiz Witt
São Leopoldo, RS, Brasil
E-Mail: arqhist@est.edu.br

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