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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

17. Domingo Após Pentecostes, 09.10.2011

Predigt zu Isaías 25:1-9, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

Todos nós sonhamos. Não me refiro àqueles sonhos durante a noite, quando dormimos. Estes são passageiros. Nós os esquecemos em poucos momentos e normalmente nem tomamos consciência deles. São sonhos inconscientes. É verdade que há também aqueles casos em que acordamos e o sonho ainda está bem vivo na memória. O acordar pode ser extremamente agradável. Pode nos livrar de um pesadelo. Foi somente um sonho, graças a Deus. Não é verdade o que sonhei. Mesmo assim, ele deu um susto. Assim são os sonhos. Dizem os cientistas que nosso cérebro precisa deles para "relaxar". Ele tem necessidade de digerir as impressões colhidas durante o dia e o faz produzindo sonhos, mesmo que esses nos pareçam bobagens. De qualquer maneira, sonhos são indispensáveis para a saúde do corpo e da nossa alma.

Mas eu não me refiro aos sonhos noturnos. Eu tenho em vista os sonhos durante o dia, os sonhos diurnos. Também para estes vale: Todo mundo sonha. A gente pode sonhar com o passado. Os nossos pensamentos se voltam para trás e revivem situações de felicidade. Temos saudade de pessoas que faleceram e já não estão conosco. Sonhamos com os tempos em que éramos jovens, cheios de vigor e saúde, de planos e de energia. Sonhamos com chances que tínhamos e que, infelizmente, desperdiçamos. Nostalgia é uma forma de sonho que se prende a um passado supostamente dourado. Ai! Como seria bom se os tempos de outrora voltassem. Lamentavelmente eles não voltam, nunca mais.

Enquanto pessoas idosas sonham antes com o passado, a juventude sonha com o futuro. Adolescentes imaginam como será quando terão renda própria e se tornaram independentes dos pais, quando conseguiram algum patrimônio, quando terão família. Gente jovem sonha com o sucesso profissional, com a amizade e a aventura. Infelizmente há também sonhos muito constrangedores que envergonham a sociedade. Há crianças que sonham com um prato de comida, com a possibilidade de estudar, com a volta do pai que as abandonou. Nem todas as pessoas em nosso país têm respeitados os seus legítimos direitos. Salário justo, segurança, assistência médica, por demais vezes tais coisas, em vez de serem realidade, não passam de sonhos, de desejos não cumpridos. Certamente os sonhos variam de pessoa a pessoa. Nem todos sonham com as mesmas coisas. Mas todos têm anseios que gostariam de ver atendidos.

Pois também o profeta Isaías tem sonhos. O texto para a prédica de hoje deve ser assim interpretado. O profeta sonha com um futuro que ainda não se fez. Ele inicia com um hino de louvor e gratidão. "Ó, Senhor, tu és o meu Deus. Eu te adorarei e louvarei o teu nome, pois tens feito coisas maravilhosas." O profeta agradece a Deus por ter destruído as cidades dos inimigos. Elas ficaram arrasadas e reduzidas a ruínas. Jamais seus palácios serão reconstruídos. Sirva isto de advertência a todo mundo. Gente cruel tem motivo para o temor. O castigo de Deus não tardará. Pois ele é o "protetor dos pobres, o defensor dos necessitados, um abrigo na tempestade e uma sombra no calor". Deus fez calar o grito de vitória dos violentos. O profeta agradece por algo com o que ele sonha. Ele fala de algo que ainda não aconteceu, de algo que ele aguarda. Trata-se, de um agradecimento antecipado.

Nós não sabemos a que cidades o profeta que viveu no oitavo século antes de Cristo, se refere. As circunstâncias históricas deste sonho são desconhecidas. Mas quanto à realidade social não há dúvidas. Ela parece ser uma constante na história da humanidade, a saber, violência, opressão dos fracos, exploração dos pobres. De momento nos apavora a onda de brutalidade que assola diversos países árabes. Não menos, porém, assusta a crueldade dos magnatas financeiros, responsáveis pela crise econômica mundial. A especulação até mesmo com gêneros alimentícios produz uma alta dos preços que multiplica a fome e a pobreza no planeta. Eu não preciso entrar em detalhes. Eu queria tão somente desatacar que violência e crueldade nem sempre terão forma física, elas podem ser também de natureza econômica. Isaías está sonhando com um mundo não violento, justo, sem opressores. Ele enxerga, como que por antecipação, a derrota dos maus e a vitória de Deus.

E ele prossegue sonhando. Torna-se até atrevido. A atenção se concentra no monte Sião em Jerusalém, o monte onde se localizava o santuário de Deus. Lá Deus oferece um banquete para todos os povos com as melhores comidas e os vinhos mais finos. Ele convida todo o mundo para ali se regalar. Tira dos povos a nuvem da tristeza e o choro das pessoas, possibilitando plena alegria. E mais: "O Senhor Deus acabará para sempre com a morte. Ele enxugará as lágrimas dos olhos de todos e fará desaparecer do mundo inteiro a vergonha que o seu povo está passando." Então todo o mundo vai dizer: "Ele é o nosso Deus. Nós pusemos a nossa esperança nele, e ele nos salvou. Ele é o Senhor, e nós confiamos nele. Vamos cantar e nos alegrar porque ele nos socorreu."

Com tais palavras do profeta nós estamos praticamente no Novo Testamento. Elas nos lembram da Páscoa, quando a morte foi derrotada e Cristo ressuscitou. Normalmente é a morte que devora tudo. Na Páscoa ela mesma foi devorada. Doravante há reais motivos para a esperança. Isaías a antecipa neste grandioso sonho. É verdade que ele não fala de Jesus Cristo. E nem podia fazê-lo, porque ainda não havia chegado o tempo. Mas já para ele está claro serem incompatíveis o domínio de Deus e o domínio da morte. Se Deus se torna Senhor, a morte deve recuar e dar-se por vencida. Quem crê em Deus não pode crer na onipotência da morte. Então, não há motivo para a resignação diante da realidade do mal no mundo. Isaías tem um sonho. Ele de modo algum, é ficção. Por Jesus Cristo ele se realiza.

Ele inclui a reconciliação dos povos. Aquele banquete que terá lugar no Sião é sinal de confraternização. O ódio entre os povos, entre os grupos, entre o povo e seus governantes terá um fim e será substituído pela festa comum. Também Jesus usou a figura do banquete em diversas de suas parábolas. Ele falou das bodas que Deus fará com muitos convidados. O banquete é imagem da perfeição futura, símbolo de paz e de alegria. Assim será o reino de Deus. Isaías sonha com a afluência dos povos ao monte Sião, onde irão adorar topos o mesmo Deus e onde ódio, dor, violência e mesmo a morte já não existem.

Em Jesus Cristo este sonho se realizou, sim! Ele ressuscitou e inaugurou novidade neste mundo. Mas nós ainda não ressuscitamos. A esperança se concretizou somente em parte. Nós continuamos rogando "Venha o teu reino!" Jesus nos deu a certeza de que a esperança pelo banquete celestial não é em vão. Ela vai ser cumprida. E, no entanto, nós continuamos vivendo neste mundo. A violência, o ódio, a dor, a morte continuam a nos afligir. Nesse sentido nossa situação é semelhante à de Isaías. Também nós sonhamos com a libertação do mal. Ela continua sendo objeto de esperança. Há diferenças, sim. Nós não sonhamos com o grande banquete no monte Sião. Não esperamos os povos chegar. Jesus mandou seus discípulos a sair de casa em de ir à nações. Ele disse: "Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus discípulos..." Jesus quer que sua gente vá e anuncie o evangelho onde quer que seja. Mas também cristãos se incomodam com o sofrimento das pessoas que resulta do crime, da violência, do pecado.

Por isto é importante continuar sonhando. Não com o passado. Este já foi. O texto de hoje não quer estimular o saudosismo. Certamente também a memória é importante. Pois sem ela perderíamos a nossa identidade. É essencial lembrar-se de Jesus Cristo, de Isaías e dos demais profetas. Mas seria fatal permanecer preso ao passado. Lembrar-se do passado, sim, mas sonhar com o passado - nem tanto. Pois a fé promete futuro. Quem desaprendeu a sonhar com coisas novas vai ser pessoa acomodada. Ele ou ela não terão interesse em melhorar as coisas. As mais recentes pesquisas mostraram que o índice de aprovação da presidenta Dilma subiu depois de ela ter se empenhado no combate à corrupção em nosso País. O povo brasileiro sonha com o fim da corrupção. Que bom! Corrupção não precisa ser. A inconformidade com este mal é indispensável para superá-lo. Então vamos em frente e sonhar com uma sociedade honesta, engajando-nos na luta em favor da mesma.

Prezada comunidade! O povo de Deus está a caminho do grande banquete que Deus vai preparar no final da jornada. Nem mesmo a morte será empecilho. Pois a Páscoa mostrou ser Deus mais poderoso do que ela. Tudo o que nos angustia e atormenta um dia ficará para trás. Ainda não chegamos lá. Mesmo assim podemos também nós agradecer antecipadamente, assim como Isaías o fez: Podemos glorificar Deus pelas demonstrações de sua graça e pela maravilhas que fez, faz e fará.

Amém!



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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