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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

6º Domingo após Pentecostes, 08.07.2007

Predigt zu 1 Reis 19:1-18, verfasst von Lindolfo Pieper

O SERVO ABANDONADO

1 Reis 19.4,5,8,9,10: "Então Elias foi para o deserto, caminho de um dia, veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si mesmo a morte e disse: Basta, toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que os meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e disse: Levanta-se e come. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. Ali entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido zeloso perante o Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada;  e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida".

Conta-se que um fazendeiro tinha um velho lenhador, que vivia o dia todo reclamando, dizendo que era melhor morrer do que ficar cortando lenha.

Certo dia, depois de trabalhar o dia todo, ele voltava para casa, cansado, com um feixe de lenha nas costas, quando tropeçou numa pedra e caiu no chão, esparramando lenha para todos os lados. Desanimado da vida, pediu que a morte o viesse buscar, pois preferia morrer que ficar sofrendo.

E a história diz que a morte atendeu o seu pedido e, num instante, ela estava diante dele em forma de uma caveira, dizendo: "Você me chamou? Estou aqui. O que você quer comigo?" E o lenhador, assustado com a presença da morte, respondeu: "Eu te chamei sim. Eu te chamei para me ajudar a colocar esse feixe de lenha nas minhas costas".

Essa história mostra que, na verdade, o homem não queria morrer. O que ele queria era apenas se livrar do sofrimento, do seu trabalho de ajuntar lenha.

Assim como esse homem, muitas pessoas, quando estão em grandes dificuldades, pedem para morrer. Mas, passadas as dificuldades, fazem de tudo para continuar a viver.

A Bíblia nos conta a história de um homem que também queria morrer. É o profeta Elias, cujo relato nós encontramos no Livro dos Reis.

Nós vivemos numa época muito difícil, de falta de amor, de fé, de sinceridade e de consagração a Deus.

Isso vem prejudicando o trabalho da igreja, pois muitas pessoas, diante das dificuldades, estão abandonando a fé. E quem mais sofre com isso é o servo de Deus, que acaba levando a culpa por tudo o que acontece na igreja.

O profeta Elias viveu numa época assim. Elias é tido como um dos maiores profetas da Bíblia. Ele era um homem de fé, coragem e decisão. Um homem que falava o que devia e não tinha medo de ninguém.

Elias dedicou a sua vida toda ao serviço do Senhor. Anunciou a palavra de Deus para milhares de pessoas, fez milagres, ajudou os necessitados e confortou o coração dos aflitos.

Tudo parecia ir bem. Mas não demorou Elias teve que enfrentar terríveis tempestades, que deixaram abalados os alicerces da igreja na época.

É que no meio do povo de Deus surgiram pessoas que se diziam servos de Deus, mas que trabalhavam para o diabo. Eram os profetas de Baal.

Estes profetas começaram a atiçar o povo contra Elias, dizendo que isso de adorar apenas ao Senhor não estava certo, que se devia adorar também a Baal, pois ele também era uma espécie de Deus.

E para atrair o povo, estes profetas começaram a usar vários truques e a mostrar muitas coisas boas que Baal fazia.

E quando Elias se deu conta, o povo todo estava contra ele, indo atrás de Baal. Ninguém mais queria acreditar nas suas palavras, todos achavam que quem estava certo eram os profetas de Baal.

E Elias não teve outro jeito do que convocar o povo para uma manifestação pública. Elias resolveu fazer um teste com o povo, a fim de mostrar de que ele estava com a razão, e não os profetas de Baal.

Como Elias fez o teste nós sabemos. Também sabemos o resultado da prova: Elias venceu, pois Deus atendeu a sua oração, consumindo com o holocausto; enquanto que os profetas de Baal não foram ouvidos, pois Baal era um deus morto, que não pode ouvir e nem ajudar a ninguém.

Todo mundo viu ali o poder de Deus, de como Deus atende a oração dos seus filhos, e de como o povo estava sendo enganado pelos profetas de Baal.

Era de se esperar que o povo se arrependesse dos seus pecados e se colocasse ao lado de Elias. Mas tal não aconteceu.

O povo estava cego, não estava interessado em saber com quem estava a verdade. Por isso, mal acabara o espetáculo, todos voltam a adorar novamente a Baal. E assim Elias se vê novamente sozinho, abandonado.

Aborrecido com tudo o que estava acontecendo, Elias revolve deixar tudo de lado e ir embora. E, desanimado da vida, ele se esconde numa caverna e ora, pedindo a Deus que tire a sua vida.

Porém Deus, que estava com Elias, não o abandona, mas o consola dizendo que ele não está sozinho, de que havia ainda em Israel sete mil pessoas que não tinham dobrado os seus joelhos diante de Baal e nem dado ouvidos aos seus profetas.

Elias então se tranqüilizou. Continuou o seu trabalho até que Deus, num carro de fogo, o levou para o céu.

Outro exemplo é Jesus. Jesus também sentiu na sua carne o que é, de uma hora para outra, se ver sozinho, abandonado.

Como sabemos, Jesus viveu 33 anos aqui na terra. Trinta e três anos de vida consagrada, de serviço abnegado e de bênçãos para o mundo.

Nesses anos todo ele procurou da melhor maneira possível servir a Deus e ao povo. Assim ele andava por toda parte fazendo curas, ajudando os necessitados, consolando os aflitos e pregando a palavra de Deus.

Enquanto tudo ia bem, distribuía pão, curava enfermos e ajudava os pobres, o povo estava do lado dele. Mas foi só ele exigir dos seus seguidores uma vida mais consagrada, para que eles logo se afastassem dele.

É que Jesus começou a ensinar de que não dá para seguir a dois senhores. De que, se alguém não é capaz de abandonar tudo para segui-lo, não era digno dele.

E começou a mostrar isso na prática quando não permitiu que um jovem o seguisse, pois estava agarrado demais às riquezas; quando uma pessoa queria segui-lo, mas queria primeiro se despedir da família, e Jesus não o aceitou, dizendo: "Ninguém que tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus" (Lucas 9.62).

Devagarzinho eles também começaram a observar a vida de Jesus, a dureza com que ele tratava as pessoas.

Numa certa ocasião ele chamou os escribas e fariseus de hipócritas, guias cegos e sepulcros caiados. Numa outra vez ele chamou os judeus de filhos do diabo. Numa outra vez ainda ele chamou o próprio apóstolo Pedro de Satanás, pelo fato de se opor ao plano de Deus.

E para complicar ainda mais a situação, ele se dirige aos próprios discípulos e diz que alguns deles eram fingidos, descrentes e filhos do diabo: "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita. As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Não vós escolhi em número de doze? Contudo, um de vós é o diabo! (João 6.70)".

Isso foi a última gota de água para eles. Até aqui eles tinham agüentado tudo, mas ser chamado de descrente e diabo já era demais.

E, decepcionados, um por um, começam a abandoná-lo. Não podiam mais suportá-lo, pois era muito rigoroso e duro demais com as pessoas.

E Jesus, vendo que todo mundo estava contra ele, que até os seus próprios discípulos começam a abandoná-lo, se dirige aos doze e lhes pergunta: "Porventura, quereis também vós retirar-vos?".

Os discípulos então começam a pensar melhor, analisam a situação, e então dão esta bonita resposta: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus!" (João 6.68).

Como Jesus não deve de ter ficado alegre com esta resposta. O seu coração deve de ter se enchido de alegria em saber que ao menos alguns estavam com ele e queriam segui-lo.

Mas logo veio a decepção, a maior decepção de sua vida.

Depois de entrar na cidade de Jerusalém aplaudido pelo povo, Jesus é preso e condenado.

No julgamento, quando Pilatos pergunta ao povo quem é que eles preferem, se é a Jesus ou a Barrabás, o povo escolhe Barrabás, gritando num coro ensurdecedor: "Solte-nos Barrabás, crucifica a Jesus".

Embora Jesus estivesse preparado para enfrentar tudo isso, não deixou, no entanto, de ficar triste diante de tanta maldade e ingratidão.

E, com o coração cortado pela dor, ele desabafa para os seus discípulos, referindo-se a Judas, dizendo: "Até o meu íntimo amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar" (João 13.18).

Também João Batista e Paulo enfrentaram esta decepção.

João Batista, acostumado de se ver rodeado por uma multidão de pessoas, a quem pregava o amor de Deus, de repente se vê preso numa cadeia em Maquero, onde mais tarde é degolado pelo rei Herodes.

Paulo foi o maior pregador do Evangelho. Deu a sua vida pela causa de Cristo. Mas um dia ele foi preso pelo próprio povo de Deus.

Agora ele está lá em Roma, preso, sem amigos e sem povo. Um por um, os seus seguidores o foram abandonando. Primeiro foi Demas, depois Crescente, mais tarde Tito. Somente Lucas ficou com ele.

Com o coração cortado de tristeza, ele se desabafa com Timóteo, dizendo: "Procura vir comigo, Timóteo. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica. Crescente foi para Galácia, Tito para Dalmácia. Somente Lucas está comigo" (2 Timóteo 4.10).

Podemos imaginar a tristeza desses homens. Foram pessoas que dedicaram a sua vida ao Senhor, que sacrificaram tudo: pai, mãe, irmão, irmãs, enfim: a própria família, para servir a Deus no trabalho da igreja.

Pessoas que tinham um coração cheio de amor e que faziam de tudo para chamar o povo ao arrependimento. De repente, quando mais precisam desse povo, ficam sozinhos, abandonados, como se eles não valessem nada.

O povo se esquece de todo o seu trabalho, das suas pregações, para dar lugar ao ódio, ao desprezo e ao abandono.

Isso deve de ter cortado os seus corações. Não é a toda que Elias pede a Deus que o venha buscar, que Jesus se queixa dos seus discípulos e Paulo reclama dos seus amigos por o haverem abandonado.

Mas Deus, no seu grande amor, tão desampara os seus filhos num momento assim. É nessas horas que ele mais conforta, consola e fortalece.

A Elias Deus fez ver que nem todos estavam contra ele. A Jesus Deus o confortou através do seu anjo, fazendo-o ver o fruto do seu trabalho. Ao apóstolo Paulo Deus fez ver que isso é normal na vida de um pregador, pois, conforme ele diria mais tarde: "Todos os que quiserem viver piedosamente serão perseguidos" (2 Timóteo 3.12).

É isso que consola também os servos de Deus hoje, espalhados pelo mundo afora, que se dedicam ao trabalho do Senhor. Que, em vez de serem amados, respeitados e honrados, são tratados com desprezo e ódio pelos que têm dedicado tanto amor e carinho.

Mas não devemos ligar para isso. Em lugar de nos aborrecer com isso, devemos de nos alegrar pelo fato de sermos considerados dignos de sofrer pelo nome de Cristo.

Pois quem suporta com perseverança a perseguição aqui neste mundo por causa de sua fé, tem a promessa de Cristo de receber um galardão lá no céu. Diz Jesus em Mateus 5: "Bem-aventurados sois, quando, por minha causa vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão no céu. Pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós".

A igreja precisa aprender a valorizar mais os seus líderes espirituais. Precisa ver o ministério pastoral como Deus o vê. Afinal, os pastores detêm o ofício das chaves que Cristo lhes conferiu através do chamado.

Em Apocalipse 1.12-20, Cristo aparece como o supremo pastor, caminhando entre as igrejas com vestes talares, segurando na sua mão direita os pastores das igrejas. E em Isaías 52.7, Deus exalta o pastorado, dizendo: "Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!"

Diz a apóstolo Paulo em 1 Tessalonicenses 5.12,13: "Irmãos, pedimos a vocês que reconheçam aqueles que trabalham entre vocês, aqueles que foram escolhidos pelo Senhor para guiá-los e ensiná-los. Tratem estas pessoas com o maior respeito e amor por causa do trabalho que fazem".

Segundo a Bíblia e as confissões da Igreja: "O ministério pastoral é o ofício mais elevado na igreja. Visto que a palavra de Deus tem o governo supremo na igreja, é evidente que não pode haver ofício mais elevado do que o ministério da Palavra" (Apologia, artigo XV. Livro da Concórdia, 327).

Valorizemos, pois, o ministério pastoral, obedecendo aos nossos guias e tratando com respeito e amor aqueles que trabalham entre nós, anunciando o Evangelho de Cristo.



Lindolfo Pieper
Jaru, RO ? Brasil
E-Mail: piperlin@uol.com.br

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