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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Último Domingo após Epifania, 19.02.2012

Predigt zu 2. Reis 2:1-12, verfasst von Margarete Engelbrecht

 

Estimada comunidade!

Quando se fala em igreja, em comunidade, é comum falar em celebrações, e comemorações. Vida cristã começa com Batismo, celebramos a Santa Ceia, pedimos a Deus que nos abençoe no matrimônio, em nossa mudança de emprego, em nossa nova casa. Celebração faz parte da vida cristã, faz parte da comunhão.

A história de Eliseu e Elias, texto previsto para hoje, nos fala de uma despedida. E o jeito com que vai sendo contada, nos comove para uma celebração. Neste último domingo do tempo de Epifania, torna-se importante falar igualmente em despedida. Este tempo, que nos anima a perceber sinais de Deus entre nós, anima-nos também a reconhecer a presença de Deus nas nossas despedidas.

O texto nos conta a despedida de Elias. Eis que um profeta, que havia se revelado justamente quando o quadro político exigia clareza na sucessão, se vê envolvido em sua própria sucessão. A mudança no jeito profético também irá acontecer com a sucessão de Elias. Os lugares citados evidenciam mais gente envolvida nesta transição. Elias vai percorrendo lugares importantes para sua sucessão, lugares em que as pessoas se reuniam para adorar, para celebrar do jeito que haviam aprendido.


O acompanhamento sugere uma percepção diferente. É assim quando visitamos lugares, em companhia de pessoas com as quais temos vínculos. Se estes vínculos são profissionais, o olhar de nossas atividades profissionais vai se modificando. Se os vínculos são afetivos, também ali o olhar se modifica. Eliseu e Elias vão testemunhando que a partilha da vida vai acontecendo na caminhada.

Eliseu vai com Elias. Eliseu é persistente para acompanhar Elias. Mesmo sem o convite, e mesmo com a ordem de não seguir Elias, Eliseu vai conhecendo o caminho de Elias. A ordem de permanecer e a insistência em continuar junto se repetem a cada parada. E em cada lugar que passam, Eliseu ouve que é o sucessor de Elias. Vamos percebendo que a presença de Deus vai se revelando ali naquela despedida, passando lugar por lugar, se envolvendo com a realidade de cada lugar, com as pessoas diferentes em cada cidade.

Mas o silêncio sobre a sucessão parece tomar conta. Eliseu pede aos "filhos dos profetas" que se calem. A despedida tem essa faceta: falar nem sempre é bom. O respeito pelo ministério do profeta que havia sido tão solitário exigia que o profeta que estava vindo, por conta de seus vínculos com "filhos de profetas", ficasse calado. Assim como em nossas despedidas, os acontecimentos vão tomando outros significados quando nós nos recordamos deles. É então que a passagem pelo Jordão lembra o jeito que o povo havia passado pela água, guiado por Moisés. É então que o pedido de Eliseu nada mais é do que a fala comum de um filho, na despedida do pai, para aquela época. São palavras que costuram uma história com a outra. Eliseu toma parte da mesma história de libertação, e se torna o herdeiro, como um filho, na busca por justiça. Elias concede que Eliseu lhe faça um pedido. Atendendo, coloca uma condição: se Eliseu ver!

Isso nos remete a essa época de Epifania. Somos convidados a abrir os nossos olhos para a revelação de Deus.

Este último domingo do tempo de Epifania é domingo de Carnaval. A fala popular nos diz que as atividades cotidianas, no Brasil, voltam ao "normal", só depois do Carnaval. Mesmo que muitas atividades nos contem que, em alguns lugares, a escola já começou suas aulas, as pessoas já trabalharam arduamente em dias de janeiro e fevereiro, ainda assim fica um clima de "despedida" no ar. Talvez porque queiramos mais tempo para nos acostumar com a idéia de "novo ano". Talvez porque nossos olhos teimem em perceber novidades. Os dias do ano vão nos envolvendo. A nossa participação nesses dias acontece mesmo que não falemos sobre o assunto.

E falar sobre o assunto implica também na percepção: Deus se revela em nosso cotidiano. Mais fácil é apontar a criação, e reconhecer ali a presença de Deus. Também no riso e na alegria é gostoso reconhecer. Mas é bom indicarmos atitudes que reforçam nossa preocupação com a vida. A violência das estradas e da festa do Carnaval está estampada nos jornais. As cenas de injustiça e de incoerência política fazem parte da nossa rotina desta época.

Perceber nosso Deus, presente nessas situações? É a tal Epifania.

É quando vemos não só as alegrias e as comemorações festivas, mas percebemos gente que trabalha dobrado nesses dias para que outros tenham alegria. Percebemos gente que tira folga para se reabastecer em comunhão e oração. Percebemos denúncias de injustiça que acontecem a despeito do "bloco" ou da "escola" de samba, de folia.

A persistência de Eliseu nos anima a continuar.

Esta história de "sucessão" nos traz outras figuras interessantes: o fogo, o carro e cavalaria, que vinculam esta história com outras revelações de Deus na libertação do povo que era escravo, com o poder que Elias tinha, e que era diferente do aparato militar que existia.

Muitas vezes, nossas despedidas pessoais nos impedem de enxergar Deus. Nosso desespero conduz a atitudes de lamentação e de tristeza e vamos nos envolvendo em sofrimento e dificuldades. Outras vezes, nossas despedidas nos conduzem a visões bem irreais, distanciadas da realidade, que por ser dolorida não se quer enfrentar. Confessamos nossa fé na ressurreição. Ela não precisa de instrumentos que negam a morte. A ressurreição encara a morte e deixa o amor de Deus nos sustentar para as despedidas. Em cada sinal de morte, o amor de Deus supera a dor e o desespero. A persistência de Eliseu, em permanecer com Elias em cada despedida, nos anima com seu exemplo.

O amor de Cristo na cruz, que não fugiu do sofrimento, mas abandonou-se nas mãos de Deus, é o que nos motiva a enxergar, a perceber a presença de Deus em nossas vidas. Epifania também nos anima a celebrar na despedida.

Epifania é reconhecer que a história de gente que saiu da escravidão, gente que sonhou com um poder alicerçado em justiça e dignidade é história de Deus entre nós - Jesus Cristo. Epifania nos liberta para enxergar e a tomar parte da grande celebração de Deus. Ela nos liberta a agradecer além das nossas perspectivas individuais.

Que possamos também nós persistir na justiça e na comunhão, e assim perceber nosso Deus - em nossas vidas, na vida do dia a dia.

Amém

 



Pa. Margarete Engelbrecht
Niterói, RJ, Brasil
E-Mail: maragreteee@ibest.com.br

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