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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

6º Domingo após Pentecostes, 08.07.2007

Predigt zu 1 Reis 19:9-19, verfasst von Natalino Pieper

AS PREOCUPAÇÕES DE UM SERVO DE DEUS

Uma das passagens mais edificantes da Bíblia é aquela lida há pouco em 1 Reis 19.8-19, onde o grande profeta Elias, num momento de profunda depressão e desânimo, tem uma notável experiência com Deus. 

Queixoso, amargurado, fugitivo, o profeta exclama: "Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, procuram tirar-me a vida". 

A todo esse desânimo e também uma certa pretensão "só eu fiquei", Deus responde ao profeta: "Conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou".

O profeta Elias não estava sozinho como havia pensado e tinha ainda uma importante missão a cumprir. Não estava sozinho porque contava com a presença de Deus; e, além disto, havia sete mil outros que tinham permanecido fiéis a Deus, apesar da idolatria do povo, das iniqüidades da rainha Jezabel e das crueldades do rei Acabe.

Muitas vezes os profetas de Deus, chamados para orientar suas igrejas, como Elias, caem em crise de desânimo e abatimento e se julgam também sozinhos e abandonados. 

Isso ocorre quando não compreendemos os caminhos de Deus.  Sentimos vontade de fugir para longe e deixar tudo para trás: o nosso campo de trabalho, os frutos já colhidos, os compromissos que nos prendem. 

Achamos que temos trabalhado em vão. Havemos semeado a palavra com paciência, anos a fio; havemos instruído, admoestado, advertido, confortado e estimulado o rebanho - e colhemos, talvez, a incompreensão, a indiferença, senão ingratidão e adversidade. Basta, ó Senhor! Pensa então o pastor, o líder leigo e cada cristão dedicado.

Vamos contar uma história. Certo pastor estava numa dessas fases que não chamaremos negras, mas, pelos menos, cinzentas, de seu ministério.  É que, apesar dos seus esforços, não estava conseguindo do seu povo um comportamento espiritual que ele julgava absolutamente necessário para que a igreja cumprisse com fidelidade a sua missão. 

Do púlpito observava, muitas vezes, o povo reunido e concluía que apenas estavam assistindo aos cultos e não estavam realmente participando. Eram meros expectadores que apreciavam ou depreciavam os hinos do coro, que bocejavam enquanto eram cantados os hinos religiosos; no momento das orações não havia o devido respeito e reverência; dava para perceber que acompanhavam os sermões quase que ostensivamente pensando em outras coisas.

Além disso, apesar de pregar sempre sobre temas como amor, boa vontade, espírito de perdão, solidariedade, o pastor sentia não haver da parte dos membros real piedade e dedicação. 

Em conversas esparsas ele verificava a falta de interesse pelo próximo, de disposição para ajudar, de amor em ação.  Pareciam desconhecer por completo os ensinamentos que devem levar os membros a formar, em suas congregações, uma verdadeira família em que a designação "irmão" ou "irmã" tem significado, tem sentido e não um simples costume tradicional.

E também, por mais que o pastor incentivasse, às vezes não conseguia mover a igreja a dedicar-se à missão; não apenas de convidar os vizinhos e amigos para os cultos, mas também nas casas e no dia-a-dia de cada um.

Para levar a igreja a entender sua missão, para isto também insistia em convocar todos os membros para o estudo bíblico no meio da semana.

Eram apelos inúteis porque, na noite de quarta-feira, nem a décima parte aparecia.  Através de outros soubera que muitos ficavam "grudados" em programas de televisão e que outros faziam ou recebiam visitas sociais. 

Esse desprezo pelo culto ou estudo bíblico doía-lhe no coração como se fosse uma dor física.  Só que não havia aspirina ou doril capaz de minorá-la.

Assim, num certo dia, o pastor estava mergulhado num grande desânimo.  Ele pensava: "Ninguém quer nada. Estou pregando à toa".   

Então agarrou-se a Deus em fervorosa oração e foi quando, de repente, algo brilhou em sua mente conturbada.  Levantou-se dos joelhos, recostou-se na velha poltrona (presente da igreja há muitos anos) e começou a lembrar alguns casos.

Primeiro recordou a vida de uma senhora, viúva já há muito tempo, vivendo com certa dificuldade, pois dispunha apenas de pensão deixada pelo marido, mas era fiel em tudo, inclusive nas ofertas - dava para a igreja 10% de sua pensão.

Nunca a via triste.  No rosto um permanente sorriso que conquistava os visitantes. Eram vários os que diziam ter sido ela quem os levara a Cristo e acabaram se filiando à igreja.  Ela não tinha carro e nem quem a transportasse: mas de ônibus, com chuva, calor ou frio lá estava ela na igreja, em todos os cultos, participando ativamente.

O pastor lembrou-se depois daquele homem que costumava sentar-se, com a esposa, sempre num dos bancos da frente.  Cinco anos antes era um bêbado inveterado. Visitar sua casa era até perigoso porque, sob o domínio do álcool, se tornava, por vezes, violento. A mulher já sofrera, mais de uma vez, as conseqüências dessa violência. Mas um dia, inesperadamente, ele disse à mulher que desejava ir à igreja.

Pela primeira vez ouviu um sermão.  E foi convertido.  Na saída do templo, o homem lhe disse: "Pastor, nesta noite fui encontrado por Jesus. Preciso falar com o senhor".

Mudou completamente de vida.  Não abandonou nem relaxou suas atividades seculares, mas não perdia as oportunidades de transmitir aos outros a mensagem do Evangelho. 

Dezenas de amigos, vizinhos ou mesmo estranhos, ele tinha conseguido levar à igreja.  Evangelização era com ele. Mas também levava uma vida correta em todo lugar.   A sua mulher uma vez disse ao pastor: "Como sou grata por aquela mensagem sua no dia em que ele veio à igreja. Que mudança! Nossa casa agora é um céu".

O pastor, ainda recostado na velha poltrona, continuou a rememorar outros casos. 

Lembrou-se do caso de um irmão, membro da igreja, influente, bem colocado na vida, um dos oficiais da igreja; que fora rudemente ofendido por outro.  Ele não reagiu àquela agressão verbal, feita na presença de vários outros.  Quando alguém, estranhando, lhe perguntou se não iria reagir, se iria sofrer àquela afronta calado, ele respondeu: "Não tem importância.  Vou orar por ele". 

Não passou um mês que o ofensor, reconhecendo o seu erro, pediu, publicamente, desculpas e perdão pelo que havia feito.  Foi uma cena emocionante de perdão e reconciliação, diziam os congregados.  Os dois se mostraram cristãos verdadeiros.

O pastor lembrou-se também da moça que tinha resolvido casar com um rapaz descrente. Ele chamou-a para seu escritório pastoral e deu-lhe sábios conselhos e oraram sobre assunto. Noutras vezes tais conselhos não tinham adiantado.

Mas, em lugar de recordar de casos dolorosos de casamentos mistos fracassados, o pastor continuou a recordar aquela jovem, que levou a sério o conselho pastoral e que, chorando,despediu-se dizendo: "Eu vou orar, pastor". 

Dias depois ela reconheceu que estava trilhando caminho errado.  Fortalecida por Deus, resolveu romper o noivado. Foi duro, mas resistiu.  Mais tarde ela soube que o rapaz que havia escolhido não era mesmo de bom caráter. Passado algum tempo, casou-se com um rapaz cristão e os dois formavam um lar admirável e eram exemplares nas atividades da igreja.

Mais algumas histórias vieram à mente do pastor.  Todas demonstravam que, aquilo que ele ensinava nos sermões, nos estudos bíblicos, nas conversações pessoais ia sendo atendido.  Mostrava que havia vidas na igreja que eram verdadeiras mensagens, em todo tempo e lugar.

Aos poucos as recordações se foram esfumaçando e ele acabou caindo no sono. 

A esposa veio encontrá-lo ali dormindo e com sorriso tão feliz que ela se distraiu, deixando cair ao chão um livro que trazia, e ele acordou com o barulho.  A esposa lhe perguntou: "Você estava sonhando o quê?"

A pergunta o deixou meio confuso, que ele disse: "Eu estava lembrando que os sete mil estão aí. Não há motivo para desânimo. Vamos em frente".

Essas histórias contêm uma receita para os pastores, professores e líderes leigos que lutam pela causa do Evangelho e que, por vezes, ficam desanimados supondo que seus esforços são inúteis e que às vezes não conseguem enxergar resultados concretos.

No entanto, meus irmãos e irmãs, quando nos sobrevierem momentos de desânimo e dúvidas, semelhantes daquele pastor - que certamente já nos aconteceram - vamos lembrar-nos então das proezas e maravilhas, das coisas boas que Deus já realizou e está realizando em nosso meio.

Lembremos-nos dos irmãos e irmãs dedicados; dos líderes ativos e consagrados; das vidas transformadas e hoje estão aqui conosco e engajados na obra do Senhor.

Lembremos-nos também daqueles irmãos e irmãs que participam, ajudam, oram e ofertam para a manutenção de nossa paróquia e ação missionária. 

Enfim, lembremos-nos que a nossa paróquia ainda tem uma grande potencialidade para crescer em quantidade e qualidade. 

Para tanto, é necessário que nos demos as mãos e, juntos, sob as bênçãos do Senhor, podemos realizar muitas proezas e maravilhas no reino de Deus, fazendo uso adequado do nosso tempo, dons, talentos e bens, impulsionando a nossa igreja para frente.

Vamos lá, irmãos! Mãos à obra! E que Deus nos abençoe. Amém.



Natalino Pieper
São Gabriel da Palha, ES - Brasil
E-Mail: natalinopieper@gmail.com

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