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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Dia da Ascensăo do Senhor, 17.05.2012

Predigt zu Isaías 33:13-17,22, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

O dia da Ascensão de nosso Senhor está no perigo de cair no esquecimento. Já não é feriado na maioria dos Estados e Municípios de nosso País, e onde ainda é costuma ser considerado um "feriado protestante". Nada mais errado do que isto. Pois ascensão é um dos dados fundantes da igreja cristã. Diz o Credo Apostólico "Subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso". Então, é isto o que hoje comemoramos juntos, católicos, luteranos, anglicanos, todos que se confessam cristãos. Ascensão é um "dia ecumênico". Penso ser desnecessário transformá-lo em mais um feriado nacional. Nós já temos muitos, e nem tudo o que é importante exige que larguemos o serviço e aproveitemos o tempo para um passeio à praia. Nós podemos reverenciar ascensão também num dia útil da semana.

Verdade é que este dia confronta com dificuldades. "Subiu ao céu", como devemos imaginar isto? E qual é a relevância que tem? O que sobe ao céu hoje são os foguetes intercontinentais e as naves espaciais. O céu já está tomado por satélites artificiais e um monte de lixo que gira em torno do planeta "terra". Ora, ascensão não comporta tal interpretação. Em termos bíblicos "céu" é outra coisa do que um simples espaço cósmico. Nenhuma viagem pelo universo vai encontrar o "céu" ao qual Jesus "subiu". Pois "céu", em termos bíblicos, é ali onde Deus está. E quando Deus se retira, a realidade está no perigo de transformar-se em "inferno". Por isto mesmo o "céu" não tem localização definida. Pode estar em muitos lugares, muito perto ou muito longe. Nós não o sabemos. É Deus quem nos vai descortinar o céu; ele vai fazer-nos sentir o céu; ele vai nos abrir os olhos para enxergá-lo. Quando Jesus subiu ao céu, ele voltou para onde Deus está, assim como ele o havia anunciado a seus discípulos antes de sua morte. É esse também o sentido quando oramos, dizendo: "Pai Nosso que estás no céu..."

Mais importante do que a pergunta pelo lugar do "céu" é outro aspecto. E é isto o que está em evidência nesse texto do profeta Isaías. Ele lembra: Deus governa. Ele responsabiliza, ele castiga, é como fogo devorador. Ai de quem cai na "malha fina" de Deus. Em Sião, os pecadores tremem de medo. O profeta alerta para o juízo divino. Enquanto isso, quem age corretamente, quem se recusa a enriquecer à custa dos fracos, quem não aceita dinheiro para torcer a justiça, tem a promessa de bênção. São justamente esses os que serão beneficiados com bem estar e fartura. Em outras palavras: Deus vai cuidar da justiça. É porque o profeta exclama quase eufórico no fim desse trecho: "Pois o Senhor é nosso Juiz, é ele quem nos governa; o Senhor é nosso Rei, é ele quem nos vai salvar." Eis a esperança do povo. Corrupção, crime e pecado não vão resistir ao fogo devorador do juízo de Deus. Esses males estão com os dias contados. Em lugar deles vai reinar a honestidade, a retidão, o temor a Deus.

Isaías não fala da ascensão de Jesus. Mas a ascensão remete ao texto desse profeta. Pois desde que subiu ao céu Jesus compartilha o poder do próprio Deus. Ele agora é o braço direito de Deus Pai. Ele faz parte de seu governo. É seu executivo. São exatamente estes os termos da grande comissão. Jesus, ao enviar seus discípulos, diz: "Deus me deu todo o poder no céu e na terra..." (Mt 28.18) E o apóstolo Paulo vai dizer que "Deus deu a Jesus a mais alta honra... para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas... caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai" (Fp 2.9s). De certa forma poderíamos dizer que ascensão celebra a instalação de Jesus no governo de Deus, sua posse como delegado de seu pai celeste, seu encargo de conduzir a igreja. E mais! O juízo sobre as nações, bem como a absolvição dos pecados está nas mãos deste Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, autorizado a falar e agir por ordem de Deus.

A proclamação do Senhorio de Jesus Cristo está no cerne do credo cristão. São vários os hinos que o articulam. "Jesus Cristo reina em glória, teve esplêndida vitória. Tudo o Pai lhe submeteu." (HPD 187). Ou: "Jesus Cristo é Rei e Senhor, seu é o reino e o louvor, é Senhor potente, hoje e eternamente." (HPD 95). Assim a comunidade canta e aclama o seu Senhor. Lembro por último o hino de M. Lutero "Deus o teu Verbo guarda a nós". A segunda estrofe tem o seguinte teor: "Jesus, demonstra o teu poder. Ó rei dos reis, vem proteger o povo teu que possa amar e eternamente te louvar." (HPD 90) Como alguém que esteve morto e ressuscitou, ele tem as chaves da morte e do inferno (Ap 1.18). Não há ninguém igual a ele. Esta é a convicção da cristandade. O poder de Jesus Cristo nos segura na vida e na morte, no presente e no futuro, em dias bons e dias maus. Sob sua guarda não há o que temer.

Mas onde estão as provas de tal confiança? A realidade parece desmentir o triunfo de Jesus Cristo e seu maravilhoso regime. Esse é o maior problema do dia de hoje. Faltam evidências do poder de Deus e de Jesus Cristo neste mundo. São outros poderes que governam. É o mercado que dita as regras de jogo. É o jogo político que determina a realidade do povo brasileiro. São os crimes que enchem os noticiários. Será que Deus tem realmente as rédeas na mão? Isaías falou no fogo devorador de Deus que consome a iniqüidade e acaba com a maldade. Jesus, onde está o teu poder que nos salva do pânico, do terror, do desespero? O que vejo mundo afora não combina com a mensagem da ascensão. Também outras pessoas se escandalizam com os horrores que acontecem. Se Deus existisse, como poderia permitir tanto sofrimento e tanta violência? As brutalidades de nosso dia-a-dia parecem antes justificar a descrença do que a fé. Deus, onde estás? É como na história da paixão de Jesus. Também naquela oportunidade Deus parecia estar ausente, distante, inoperante. Falar de um Deus bondoso nessas condições? Não, não pode ser. Deus deve ser uma ficção.

Mesmo assim existem bons motivos para não deixar de celebrar a ascensão e afirmar o senhorio de Jesus Cristo. Confesso que também eu às vezes sonho com uma intervenção vigorosa de Deus na bagunça deste mundo. Ah, como seria bom, se os vilões desta terra fossem barrados e o seu crime punido. São anseios compreensíveis. Mas eles não se ajustam ao governo de Jesus Cristo. Ele, o crucificado repudiou a violência como meio de salvação. Não é este o remédio para os males deste mundo nem o caminho à paz. E isto nos faz pensar. Vale a pena discutir sobre isto. Quais são as possibilidades reais da violência? Certamente governo humano não poderá abrir mão dela por completo. Polícia e forças armadas têm o dever de proteger o cidadão contra o ataque do mal. Mesmo assim, o que importa de fato é mudar mentalidades, não exercer tirania. É disto de que o governo de Jesus Cristo é símbolo. Ele aposta em "pentecostes", ou seja, na força do Espírito, não num golpe militar.

Aliás, eu me pergunto se sob esta perspectiva o governo de Deus, executado por Jesus Cristo, é mesmo tão ineficiente como muitos pensam. Houve quem apontasse para a liberdade que reina justamente no mundo cristão. Embora também aqui nem tudo seja um mar de rosas, há consenso sobre as metas a atingir. Queremos um estado de direito, que respeita a dignidade humana e garante ao cidadão liberdade e proteção. Isto de modo algum é natural em países com outras tradições culturais. Será ousadia descobrir nisto um reflexo da "cultura do amor ao próximo" que é característica da tradição cristã? Jesus de Nazaré deixou marcas na história da humanidade. Estabeleceu o "princípio amor" que, embora muitíssimas vezes traído, continua tendo inquestionável validade. Como cristãos queremos que Jesus Cristo seja rei e que compartilhe a autoridade de Deus. Não queremos outros senhores nem outros "governos". E se o seu reinado parece fraco, sabemos que ele é sinônimo de salvação. Governos violentos sempre conduzem à ruína. O "rei" Jesus coloca os parâmetros para outros reinos que se pretendem comprometidos com a paz e a justiça.

Por isto mesmo ascensão não é um dia opcional para os cristãos. Sua comemoração confronta com a pergunta pela autoridade a que estamos dispostos a nos submeter. A quem cabe o poder último em igreja e sociedade? Como igreja cristã nós respondemos: a Jesus Cristo. Graças a Deus!

Amém.



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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