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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

6ş Domingo após Pentecostes, 08.07.2012

Predigt zu Ezequiel 2:2-5, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Estimada Comunidade!

Um profeta conta a história de sua vocação. Diz que certo dia ouviu uma voz que o mandou colocar-se em pé. Foi um acontecimento estranho. Ezequiel sente que o Espírito de Deus toma conta dele. Há certo mistério em torno desse episódio que foge à nossa compreensão. Mas para Ezequiel o significado não deixa dúvidas. "Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel..." É isso o que ele ouve, é isto o que ele entende, é isto o que ele deve fazer. Deus o manda aos filhos de Israel para lembrá-los de seus compromissos. Ezequiel recebe o mandato de ser um enviado de Deus, sim, de ser um vigia como se lê um pouco mais adiante. Ele deve cuidar para que o povo não desvie do caminho, caia na armadilha de outras divindades e acabe se esquecendo de seu Deus e Senhor. Ezequiel é chamado para ser profeta.

Nós conhecemos as circunstâncias. Ezequiel atuou entre os anos de 593 a 571 antes de Cristo, mais ou menos. Naquele tempo existia uma comunidade judaica na Babilônia composta por pessoas deportadas para aquele lugar pelo rei Nabucodonozor. Este havia conquistado a Judéia e sua capital Jerusalém e levado cativo um forte contingente da população. O exílio era o castigo para a rebelião contra o jugo babilônico. A este povo que vive em terra distante Deus envia seu profeta. É claro que o mundo pagão representasse um perigo para a fé dos "filhos de Israel". A tentação de abraçar outros credos era grande. O pluralismo religioso confundia as mentes e levantava a pergunta pela utilidade da fé tradicional. Vale a pena continuar crendo no Deus criador de céus e terra, libertador da escravidão do Egito? O exílio significava para o povo de Israel uma enorme crise. Ezequiel recebe a incumbência de ser vigia dessas pessoas e de conduzi-las nos trilhos da verdadeira e autêntica fé.

A nossa situação é outra. Nós não vivemos em exílio, e são outros os desafios com os quais nos defrontamos. Qual é o interesse que temos na vocação de Ezequiel dois mil e quinhentos anos mais tarde? Ora, porque Deus necessita de profetas também no Brasil, no mundo globalizado, em pleno século 21. Ele precisa de pessoas que se sabem comprometidas com a tarefa de divulgar sua palavra, de fazer valer a sua vontade, de ser seu porta-voz. E ele continua chamando gente para tanto. Isto nem sempre acontece de forma espetacular como no caso da vocação de Ezequiel. As vocações de Deus podem ser sigilosas, acontecer sob circunstâncias absolutamente normais, atingir todas as pessoas. Sim, este último aspecto me parece ser particularmente importante: Não é necessário aguardar um "convite especial" de Deus à semelhança daquele que foi dirigido a Ezequiel. Também tais vocações acontecem, sim. Mas elas serão exceções. Normalmente Deus chama as pessoas pelo evangelho que ouvimos no culto. Ele chama pelo batismo, pelo ensino, pela leitura da Bíblia e por outros meios. Jesus nos convoca para sermos seus discípulos. E todo discípulo de Jesus não deixa de ser a seu modo um profeta. A tarefa de anunciar a vontade de Deus e de propagar a sua palavra é incumbência de todos os cristãos.

"Filho do homem..." "Homem mortal..." "Filha de Deus... eu te envio como minha mensageira." É isto o que esse texto do livro de Ezequiel nos diz. Vai, faze valer os direitos de Deus neste mundo, lembra a todas as pessoas as maravilhas divinas, insiste na responsabilidade que o ser humano tem perante o Senhor do universo. Espalha a fé, planta o amor, semeia esperança. Ser profeta não é privilégio de uns poucos. É mandato da igreja de Jesus Cristo em seu todo e de cada um de seus membros. É verdade que a função profética exige pessoas especialmente preparadas. Por isto a IECLB forma pastores, catequistas, diáconos e outros obreiros. Nós falamos em ministérios. Mas seria trágico, se o ministério desincumbisse os membros das comunidades de suas responsabilidades. Aliás, é verdade que precisamos de mais obreiros. Faltam obreiros na seara do Senhor. Por isto aproveito a oportunidade para convidar a ajudar na motivação de jovens a seguir essas carreiras. Mas como eu já disse: "Profetizar", ou seja, assumir a causa do evangelho e dar testemunho dele é tarefa inerente ao ser cristão como tal. Assim como existe um sacerdócio geral de todos os crentes, assim existe também um encargo profético de todos os crentes.

É preciso admitir que esse encargo às vezes é ingrato. O próprio Ezequiel é alertado quanto a isto. Essa gente para a qual Deus o manda é "obstinada de coração", é gente rebelde contra Deus, teimosa, cabeçuda, desrespeitosa. O pessoal não quer ouvir falar de Deus. Viver sem ele é bem mais cômodo. Hoje se afirma: "Não creio em Deus e sou feliz." Claro! Deus só atrapalha. É muito mais fácil não se importar com ele e com os seus mandamentos. Então somos os donos do nosso nariz, somos donos do mundo. Como reagir ao flagrante desinteresse pela religião que parece estar crescendo na sociedade secularizada? No Jornal "Zero Hora" de 26 de junho deste ano encontrei uma charge muito interessante de "Marco Aurélio". Mostrava a estátua de Cristo no Corcovado. E Deus pergunta: "Filho, como foi a remodelação no mundo que criei na Rio+20?" E Jesus Cristo responde: "Não sei! Não fui convidado."

Pois é! As pessoas gostam de fazer as coisas sem Jesus Cristo, sem Deus. O que prevaleceu na Rio+20 foram os interesses humanos, os dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos, os do mercado e o jogo político. Nessas condições o bem do meio ambiente, o bem da criação de Deus passa a ser secundário. É consenso que na Rio+20 os avanços foram extremamente modestos. Com isto eu não quero dizer que uma cúpula como essa do Rio de Janeiro deva transformar-se em evento religioso. Não! Nós podemos e devemos tratar da preservação da natureza em termos muito humanos, ditados pelo bom senso e pela sabedoria. Mas o que não pode faltar é a vontade de cuidar do que recebemos como dom e por cuja sustentabilidade nós somos responsáveis. No jogo dos interesses profetas têm a tarefa de manifestar os interesses de Deus. É nesse sentido que Deus não pode faltar entre os convidados numa promoção como a Rio+20. Nesse mesmo sentido ele não pode faltar na política, no trabalho do Congresso Nacional, na indústria, no mundo das finanças, na nossa vida profissional, enfim em todas as atividades humanas. Em nenhuma esfera os "interesses de Deus" deveriam ser ignorados. A ditadura dos interesses humanos leva o mundo à ruína.

Com isto eu já disse que a função profética é fundamental para a saúde da sociedade humana. Não raro os profetas têm dúvidas quanto ao sentido de sua vocação. Eu já disse que a tarefa às vezes é ingrata. Às vezes profetas sofrem sob o seu mandato. Assim aconteceu com Jeremias, Amós além dos tantos outros, inclusive Ezequiel. O próprio Jesus Cristo sofreu por causa disto. Acabou martirizado. Creio que também nós compartilhamos às vezes deste mal estar. Faz sentido ser pastor ou pastora, faz sentido ser obreiro ou obreira da IECLB, faz sentido ser cristão? As pessoas não gostam de ser contrariadas em seus interesses. São teimosas, cabeçudas, não podendo nem nós mesmos nos excluir. Deus nem sempre é lembrança cômoda. E, no entanto, essa lembrança é altamente salutar. Deus sempre tem em vista o bem da criatura. Assim o povo de Israel o experimentou no exílio milênios atrás, assim a igreja de Jesus Cristo o viu confirmado em sua história, assim creio que também nós individualmente o podemos testificar. A palavra de Deus pode doer. Mas ela sempre faz bem, assim como um bom remédio. Ser profeta é tarefa às vezes ingrata, sim. Mas eu não hesito em acrescentar que ela sempre é gratificante. Ela traz alegria pelos efeitos positivos que produz.

"Filho do homem, filha de Deus, eu te envio ao meu povo." São palavras dirigidas também a nós, membros da IECLB, cristãos, cidadãos brasileiros. Campos de atividade não faltam. É grande a necessidade que o mundo atual tem de profetas. Ou para dizê-lo em outros termos: É grande a necessidade que o mundo tem de gente engajada na causa de Deus. Gente assim não vai pensar apenas no seu próprio proveito, vai pensar no bem da coletividade, da natureza, no próximo ao lado. E Deus promete bênção a quem assim pensa. Toda a sociedade vai se beneficiar. O texto de hoje nos convida a fazer parte destes benfeitores da humanidade. Ele nos lembra de nossa vocação profética.

Amém!



Prof. Dr. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: gbrakemeier@gmx.net

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