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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

10º Domingo após Pentecostes, 05.08.2012

Predigt zu Êxodo 16:2-4, 9-15, verfasst von Olmiro Ribeiro Junior

 

Prezada comunidade!

Esse texto do livro do Êxodo nos convida a refletir sobre a centralidade de nossa vida de fé: a liberdade baseada na proteção de Deus, o presente da graça vivido com responsabilidade e comprometimento na fé. Em nosso viver cotidiano o quê nos aliena e nos afasta do amor de Deus? (Tempo para pensar)

O texto faz parte do início da Jornada da Libertação. O povo havia sido liberto da escravidão egípcia, salvo do extermínio nas águas do mar e começa a trajetória no deserto rumo à terra prometida. Essa trajetória começa a ter dificuldades como a fome e a sede, a dificuldade de ir construindo uma vida em liberdade e graça, de sobreviver pelos desertos que aparecem.

O deserto é um período de provação e até mesmo de tentação. Os profetas em busca de purificação para fortificar a fé no Altíssimo dirigiam-se ao deserto para enfrentar as dificuldades. Jesus também passou pelo deserto antes de iniciar sua trajetória até a cruz e a ressurreição. Assim, o povo estava passando pelo deserto para construir sua identidade de povo de Deus liberto. Era uma realidade que ele precisava enfrentar. Ele tinha que superar a acomodação, "as supostas facilidades" da escravidão para construir uma vida liberta na proteção de Deus em busca da terra prometida.

Pergunto: Não deveríamos também nós refletir sobre os desertos na nossa vida? Quais as realidades que nos parecem provação, tentação e dificuldades para viver a vida de fé em Cristo?

O povo guiado por Moisés começa a murmurar por causa da falta de alimento! A fome os faz relembrar com certo saudosismo a comida farta na época da escravidão! As panelas com carne e o pão à vontade. Diante da fome, a libertação não parece um bom negócio, pois, afinal de contas, o que adianta ser livre se as pessoas vão morrer de fome? Diante da necessidade de alimento, o povo esquece o sonho da terra prometida e passa a desejar o relativo conforto que a escravidão oferecia.

A murmuração do povo pode ser interpretada de duas formas: A primeira é no sentido da ingratidão. O povo ganha sua liberdade, começa a trilhar um novo caminho, uma nova vida, mas diante das primeiras dificuldades começa a reclamar e a externar o desejo de retornar aos tempos da escravidão.

Entendendo nesse sentido podemos concluir que o povo é ingrato. Falta lhe fé. Pois, apesar de ser liberto da escravidão, liberto nas águas do mar e de ter iniciado a jornada rumo à nova terra, já diante das primeiras dificuldades passa a murmurar! Parece que diante da fome e da sede, das necessidades básicas, qualquer sonho ou desejo de liberdade se torna secundário. Que adianta ter a perspectiva da terra prometida e de ter conseguido a liberdade se não se vai sobreviver na travessia?

Outra forma, de interpretar a murmuração do povo é entendê-la como clamor e não como ingratidão. O povo clama a Deus por socorro, deposita sua confiança naquele que o libertou. O povo pensa no tempo da comida servida na escravidão, mas não numa volta. Ele se dirige a Moises e pede que interceda junto a Deus. O texto faria ver algo novo: O povo passa a ser uma congregação, uma comunidade. Não é apenas um grupo que segue para a terra prometida, mas uma comunidade que confia e crê, por isso clama.

O clamor da congregação do povo reflete a sua confiança no poder e proteção de Deus que escolheu este povo para viver em liberdade. Assim, podemos pensar também na nossa vida. Qual a nossa postura diante das adversidades e dificuldades? Clamamos ou desistimos?

O clamor mostra o compromisso da fé, a luta contra os sistemas de morte e contra a acomodação a situações de vida indigna. Pois libertação condiz com uma vida abençoada, com a qual fome e sede não combinam. Sem o clamor as injustiças e as dificuldades passam a fazer parte da vida como coisas normais. Como demonstração de fé e de confiança o povo clama para que Deus o socorra. Fome, sede e desespero por causa do não atendimento das necessidades básicas da vida não podem ser algo normal na travessia à terra prometida. Por isso o povo clama.

Como resposta Deus envia as codornizes e o maná. É alimento farto para o povo seguir sua jornada. O fato de enviar carne, as codornizes, e não apenas o maná, que seria um alimento necessário para sobrevivência, revela que a proteção, o cuidado de Deus não se restringe apenas à sobrevivência com o mínimo, mas à vida em abundância, com dignidade. O fato de comer carne revela a fartura, a terra prometida já começa a ser desfrutada na travessia pelo deserto. Deus ouve o clamor do povo e atende a sua necessidade para que este possa seguir vivendo do seu amor e no seu amor. Ele dá condições para viver uma vida com graça na construção da vida liberta rumo à terra que Deus prometeu.

A sociedade de hoje é marcada pelos contrastes do excesso de consumo de uma parte da humanidade e da extrema pobreza e necessidade da outra. Há pessoas que consomem freneticamente em busca de uma suposta felicidade, e há pessoas que vivem sem noção de felicidade e dignidade. Mesmo entre as pessoas de classe social em vulnerabilidade, não aparece o desejo da dignidade, mas sim, o do consumo.

Vivemos tempos de miragens e tempos de desertos profundos. As pessoas procuram no consumismo exorbitante o sentido da vida. Ou seja, elas vivem de miragens, construindo fantasias de vida digna e realizada mediante o consumir, o ter e o aparecer. Enquanto isso, outras pessoas mal conseguem garantir o pão nosso de cada dia em sua mesa. Labutam e laboram arduamente para alimentar uma sociedade insaciável e desumana, que segue escravizando as pessoas pelo consumo, o status e o poder de consumir e ter.

Nessa realidade, existe confusão entre consumo necessário para viver bem, e consumismo como suposto viver bem. A realidade da travessia do deserto é bem próxima disso. Pois as pessoas continuam murmurando contra Deus, contra o próximo e contra si. Constroem ideais de vida que não podem ser alcançados, pois dignidade, justiça e vida em graça não se compram. Assim, mediante o fracasso na conquista e aquisição da felicidade comprada e consumida, acabam murmurando contra tudo e contra todos.

Algo que necessitamos refletir é o espaço do clamor em nossa vida. Será o clamor uma vivência cotidiana das pessoas? Ou estarão elas acomodadas e indiferentes, sujeitando-se às situações e achando as desigualdades e os sofrimentos, a falta do pão nosso de cada dia, uma realidade normal?

Deus, mediante a ação de Jesus Cristo, continua nos chamando e conduzindo a viver a libertação, a construir a vida em graça, a viver a justificação por graça e fé. Assim, estará firme a nossa confiança em Deus e em sua proteção como esteve a do povo no deserto?

Em nossa vida e em nossa realidade, como vivenciamos o clamor? Quais são as situações em que nos unimos como congregação do povo de Deus para clamar e lutar por libertação?

Amém!

 



P. Olmiro Ribeiro Junior
Horizontina, RS, Brasil
E-Mail: orjr_che@yahoo.com.br

Bemerkung:
Dinâmica:

Distribuir tiras de papel pedir às pessoas pensar em situações que agridem a vida, em situações de violência, de desigualdades de injustiças e descrevê-las. Cantar o Hino "Pelas dores deste mundo", levar as tiras até o altar e clamar por cada situação.





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