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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

14º Domingo após Pentecostes, 02.09.2012

Predigt zu Deuteronômio 4:1-2, 6-9, verfasst von Hugo S. Westphal

 

Prezada comunidade!

Numa aula de Ensino Religioso, o professor desafiou seus alunos a escreverem sobre a seguinte pergunta: "O que é fé cristã?" Um dos alunos escreveu: "Fé cristã é tudo o que é proibido, é tudo o que não devemos fazer." Impressionado com a opinião do aluno, o professor pede que explique melhor sua colocação. O aluno, então, esclarece com os Dez Mandamentos: "Isso é proibido, isso não deves fazer, isso é errado..."

Certamente não é só este aluno que opina assim. Há mais pessoas que acham ser a fé cristã meramente o cumprimento de uma série de regras, de normas. Partem do princípio: O cristão precisa fazer isso e aquilo...; não pode fazer isso e aquilo...; isso é proibido...; isso é obrigatório...! Será a fé cristã realmente nada mais do que uma enorme lista de obrigações e proibições?

Se assim fosse, não me admiraria ouvir alguém dizer: "Com tal fé não quero nada. Já exigem demais de mim: na família, no emprego, na vida social, na escola, no imposto de renda... Não quero me envolver com uma fé que me venha impor ainda mais cargas!"

Tem razão este alguém! Uma fé que só impõe exigências, que cerceia a liberdade, que tira o gosto de a gente se sentir feliz e enche a gente de medo diante de erros, falhas, faltas, pecados... não é agradável! Não é boa notícia que anuncia liberdade, que faz respirar o ar de alívio diante de tantas amarras e prisões contidas na enxurrada de leis que insistem apenas em mostrar como somos errados! Parece mesmo que o aluno tinha razão: "Fé cristã é tudo o que é proibido, é tudo o que não devemos fazer."

No entanto, também é verdade que sem normas, regras e leis a convivência se torna impossível. Impossível na vida em família como na vida em todo e qualquer outro setor. Esta sabedoria já se faz presente nas primeiras páginas da Bíblia e perpassa todas as outras, pois é preocupação do próprio Deus que haja harmonia na convivência humana e também na convivência com a natureza, da qual fazemos parte.

Esta preocupação do próprio Deus aparece nestas maravilhosas palavras do texto da pregação deste domingo. São apenas seis versículos, e neles nem sequer aparecem regras e normas, mas descrita está de forma belíssima a vida maravilhosa para quem levar a sério e respeitar a vontade de Deus. É vida tão maravilhosa que nações e povos dirão (v 6): "Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente."

E esta preocupação do próprio Deus não visa somente aos que ouvem a vontade de Deus naquele momento, mas Deus quer que sua vontade não se aparte dos corações das pessoas que compõem seu povo amado em nem sequer um dia, e que se perpetue na vida dos filhos e na vida dos filhos destas pessoas do seu povo (v 9).

Obviamente, o próprio Deus sabe que a obediência aos seus mandamentos não é moeda de troca para conquistar um lugar no céu. Deus sabe também que jamais algum ser humano conseguirá cumprir toda a sua vontade. E quando Jesus, em sua oração, nos ensina a pedir a Deus: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como céu", deixa muito claro que para tal aconteça precisamos da ajuda, do poder do próprio Deus, pois somos por demais fracos e limitados para realizar a vontade de Deus por próprias forças!

Nesta linha, é bom lembrar de Martim Lutero. Achando que conseguiria conquistar o céu através de boas obras - cumprir regras, regras e mais regras - precisou aprender na Bíblia que o céu é presente de Deus e não conquista nossa, resultado de esforços nossos. E ao explicar o Terceiro Artigo do Credo Apostólico, diz de si próprio: "Creio que, por minha própria inteligência ou capacidade, não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem chegar a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho, iluminou com os seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé..."

E, com respeito a Lutero, é também bom lembrar o valor que deu aos Dez Mandamentos, explicando-os com brevidade e simplicidade, embora ele próprio soubesse que jamais conseguiria cumpri-los em sua totalidade e a cada minuto de sua vida. Por isso ele precisou e nós precisamos do poder de Deus em seu Espírito Santo para podermos viver, pessoalmente, em família e em sociedade, esta belíssima vida que Deus quer que vivenciemos a partir de suas orientações, conforme este texto de Deuteronômio.

Gosto muito de lembrar a seguinte historinha: "Havia um jardim, cercado por alto muro, dentro do qual crianças brincavam. Brincavam sem medo, felizes, despreocupadas. Até que uma criança acha que o muro lhes tira a liberdade de irem mais longe. Derrubam o muro. Mas o muro estava construído à beira de um abismo. Agora as crianças não brincam mais. Amontoam-se no meio do jardim. Têm medo do abismo, pois não existe mais muro protetor!"

Os Dez Mandamentos e toda a vontade de Deus que encontramos nas Sagradas Escrituras nada mais querem ser do que tal muro protetor. Certamente por isso tantas palavras que Deus dirige ao seu povo iniciam com a ordem (ou será pedido de Pai para filhos?): Ouve (v 1). 

E ouço Deus continuar dizendo: Ouve minhas orientações, meus ensinos, meus mandamentos. Ouve e procura viver em conformidade com minha santa vontade. É para teu bem. E se não conseguires viver conforme o meu santo desejo, não te desesperes. Bem, bem maior que minhas leis é meu amor por ti. Lembras-te da história do filho pródigo, que meu Filho Jesus conta no Evangelho de Lucas? Lembras-te como aquele filho errou? Só que seu pai não queria perdê-lo. Só queria salvá-lo. E por isso o recebe de volta em sua casa, na casa do pai!

É por isso que fé cristã não é aquilo que não se pode fazer e que é proibido. Proibido é perder a vida que Deus nos deu, estragar a vida e o mundo em que vivemos só porque não queremos ou deixamos de ouvir as orientações do nosso bom Deus. Pois podemos estar certos: Quando ouvimos e concordamos em viver conforme as amorosas orientações do Pai celeste, a vida para nós próprios e para a nossa convivência fica melhor. Fica sim! E o próprio Jesus, Filho de Deus, que veio até nós para mostrar com toda a clareza o amor do Pai, diz em João 10,10: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância."

É, que bom que Deus insiste conosco também hoje, através deste seu convite que vem lá de longe, do Antigo Testamento: "Ouve." Ouve o que faz bem para ti e para o teu mundo. Ouve o que te protege e concede vida, vida em abundância!

Amém.

 



P. Hugo S. Westphal
Blumenau, Santa Catarina, Brasil
E-Mail: cebiseca@terra.com.br

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