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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Dia da Reforma, 31.10.2012

Predigt zu Jeremias 31:31-34, verfasst von Gerd Uwe Kliewer

 

Prezada comunidade:

Deus fracassou na educação e condução do seu povo, o povo de Israel. O seu plano de fazer da descendência de Abraão uma grande nação, tão numerosa quanto "as estrelas no céu e a areia na praia do mar" e "abençoar através dela todas as nações da terra" (Gen 22,17s) não deu certo. Mas dá para dizer mesmo que Deus fracassou? Deus não é onipotente e faz acontecer a sua vontade a qualquer custo? Pois vejamos: Deus tirou o patriarca Abraão da sua terra natal, mandou que deixasse pais e parentes para trás para procurar a terra prometida. Cuidou dele, do seu filho Isaque e do seu neto Jacó como uma mãe cuida dos seus filhos, conduziu-os através de peripécias e perigos. Corrigiu os erros deles; perdoou-lhes os pecados e os colocou sempre de novo no caminho certo. Quando os filhos de Jacó tiveram que refugiar-se no Egito por causa da fome na terra prometida, fez dos seus descendentes um grande povo, que foi escravizado pelo faraó do Egito. Mas Deus não permitiu que ficasse na escravidão. Tirou-o do Egito "com poderosa mão", sob a liderança do profeta Moisés. No caminho através do deserto em direção à terra prometida, no Monte Sinai, Deus revelou-lhe as leis que deviam reger a vida do povo, os dez mandamentos. Deus mesmo as inscreveu em tábuas de pedra que Moisés levou ao povo. Sobre estas leis devia organizar-se a sociedade do povo de Deus. Eram talhadas em tábuas de pedra, para que o povo as tivesse sempre diante dos olhos. As táboas eram levadas junto na arca pelo povo ao caminharem através do deserto. A primeira lei era a mais importante: "Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros Deuses além de mim."

Através do líder Josué, Deus conduziu o povo na conquista da terra de Canaã. Lá se estabeleceram. Deus lhes deu juízes e profetas para orientá-los na obediência aos dez mandamentos. Como era difícil seguir os mandamentos de Deus! Principalmente aquele que proibia adorar outros deuses. Os outros povos tinham muitos deuses, para cada necessidade um especial, deuses bonitos, com estátuas e templos e grandes festas. E o Senhor Deus era um só, e ainda invisível. Por isso eles freqüentavam as festas dos outros deuses e ofereciam sacrifícios. Depois queriam ter um rei, "como os outros povos". O então profeta Samuel lhes disse: "Longe disso! Um rei vai pegar as vossas filhas, mandar os vossos filhos à guerra e, pior ainda, cobrar imposto de vocês!" Mas eles não queriam ouvir. E Deus lhes deu um Rei, Saul. Depois Davi e seus sucessores. E aconteceu como Samuel profetizou: Os reis pegaram as mulheres para si, os filhos do Rei matavam os irmãos para ficar com o trono, mandavam os homens à guerra, requisitavam os frutos do campo. E o pior: traziam outros deuses para serem adorados em Israel. E ainda dividiram o Reino, enfraquecendo o povo de Deus. Houve exceções, houve reis que procuravam ouvir a Deus, mas poucos. A maioria confiava na sua própria força e não dava atenção à vontade de Deus. Os profetas de Deus não eram ouvidos.

E assim aconteceu o que era previsível: Seiscentos anos depois da conquista da terra prometida, os descendentes de Abraão, o Povo de Deus, estavam tão debilitados, as defesas da sua capital tão fracas, que não podiam resistir ao ataque do Rei da Babilônia, contra o qual tinham se rebelado. A cidade de Jerusalém foi tomada, destruída, e todos os moradores importantes levados presos para a Babilônia. O Rei da Babilônia, Nabucodonozor, mandou matar todos os filhos do Rei de Jerusalém na frente do Pai, e depois mandou furar-lhe os olhos. Assim começou o tempo do exílio do Povo de Deus na Babilônia.

Neste período, Jeremias era profeta em Israel, em Jerusalém. Deus lhe deu a tarefa de alertar o povo e os seus governantes. Mandou dizer-lhes: "Por que se afastaram de mim e estão correndo atrás de outros deuses? Não fui eu quem os tirou da escravidão do Egito, os conduziu através do deserto para esta terra fértil? E agora querem trocar o Deus verdadeiro por ídolos falsos? Dois males, dois pecados estão cometendo! Abandonaram a mim, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas furadas, que não retém a água! Por isso os povos vizinhos destruíram as vossas cidades, queimaram os campos e rasparam a sua cabeça! A maldade de abandonarem o Deus verdadeiro leva a isso! Vocês perderam todo o temor do Senhor, e agora estão pagando por isso!" (veja Jr 2,1-19) Com estas palavras e muito mais Jeremias castiga a infidelidade do povo.. Mostra-lhe que a desgraça, que o persegue, é conseqüência do seu pecado. Mas nada adiantou, como vimos. A aliança que Deus fez com o patriarca Abraão foi desrespeitada, foi quebrada pela desobediência do povo. Israel abandonou a aliança, e por isso Jerusalém foi destruída, o povo exilado. Mas isso o povo apenas entendeu no caminho para a escravidão na Babilônia e quando estavam sofrendo longe da sua terra natal.

É verdade, o plano de Deus de educar e controlar o povo através da lei talhada em pedra fracassou. O povo abandonou Deus e a lei, mas Deus não abandonou o povo. Talhar a lei em pedra, escrevê-la em pergaminho não é o único recurso que ele tem para educar o seu povo. O amor de Deus pelo seu povo não terminou, Ele manda anunciar o seu profeta o que ouvimos no texto base da nossa pregação: Sim, a aliança que fiz com Abraão e seus descendentes acabou. Mas virá o dia em que firmarei nova aliança com o povo. E esta nova aliança será diferente daquela primeira que firmei quando tirei o povo da escravidão do Egito, e lá no deserto, no monte Sinai, lhe dei os meus mandamentos talhados em pedra. Desta vez imprimirei as minhas leis na mente das pessoas, e as inscreverei também no seu coração, e assim serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não será mais necessário lembrar as pessoas constantemente: Respeitem Deus! Obedeçam os seus mandamentos! Lembrem o castigo que ele pode dar! Não esqueçam que é ele que governa o mundo! Porque todos me conhecerão. E eu lhes perdoarei as suas iniqüidades e pecados e farei deles pessoas novas que têm as minhas leis gravadas no coração, e assim fazem o bem naturalmente.

O que é novo nesta aliança? O que é diferente? A diferença está entre a lei talhada em pedra e a lei impressa na mente e inscrita no coração. Quero mostrar esta diferença num exemplo moderno, no nosso comportamento em relação às leis de tráfego. Imaginem que estão indo para Curitiba de carro. Não demora e chegamos numa placa que pede reduzir a velocidade para 60 km/h. O que a maioria dos e das motoristas faz? Reduz a velocidade? Não, olha se há um policial por perto. Se não há, passa a 120 km/h. Mais adiante vem a descida da serra. Há um radar, e mil metros antes o aviso da baixar para 60 km/h. A maioria continua a 100 km/h, pisa no freio 50 m antes do radar, e mal passou já pisa fundo no acelerador, apesar da placa "60 km/h em toda a descida." Quem obedece, corre perigo de ser atropelado pelos caminhões. Faixa de pedestres? A lei diz que com um pedestre colocando o pé na faixa, os carros têm que parar. Pedestre que arrisca isso, é quase atropelado e ainda ouve palavrão. Ou indo para Ponta Grossa, faixa boa, curvas suaves, velocidade permitida 110 km/h para carros leves. Quem obedece o limite é ultrapassado pelas carretas, cujo limite é 80 km/h. Faixa divisória e proibição de ultrapassagem, quantas vezes a gente vê desrespeitada numa viagem? Parece que os motoristas brasileiros respeitam as leis de trânsito somente quando há uma autoridade por perto que pode puni-los. Assim era com a lei talhada em pedra do povo de Deus. As pessoas só obedeciam quando achavam que Deus estava olhando. Quando imaginavam que Deus estava ocupado com outras coisas, cometiam adultério, adoravam outros deuses, roubavam o próximo, matavam, falavam mentiras, etc.

Por isso Deus muda de estratégia. Não escreve mais as leis em pedras, mas as imprime na mente e as inscreve no coração. Sim, é nessa ordem: Primeiro, a pessoa tem que entender, na sua mente, que a lei de Deus é boa e ajuda a viver e a conviver melhor com o nosso próximo, a nossa próxima. E num segundo passo ela tem que ser sedimentada e integrada no nosso coração, no mais íntimo do nosso ser. Isso significa que se torna parte do nosso caráter, da nossa natureza, de maneira que a seguimos automàticamente, sem pensarmos muito, sem precisarmos ser lembrados e, muito importante, sem esperarmos recompensa. Obedecer à lei de Deus torna-se um reflexo. Depois da dominação pela Babilônia e a destruição de Jerusalém começou entre o povo de Israel um movimento de estudar profundamente a lei. Surgiram as sinagogas, que são escolas, onde se estuda e discute a lei de Deus. Nelas a lei era impregnada na mente e inscrita no coração dos fiéis.

Aliás, há países mais civilizados que o nosso onde os e as motoristas obedecem as leis de trânsito naturalmente, sem haver autoridade por perto. E vi uma reportagem há algum tempo, que em Brasília os motoristas param corretamente nas faixas de pedestres. Que bom que de lá nos vem uma vez um exemplo positivo.

590 anos mais tarde, quando Jesus Cristo veio ao mundo, foi crucificado, sepultado e ressuscitou no terceiro dia, a Igreja que se formou entendeu que este acontecimento era a marca do início da Nova Aliança que o profeta Jeremias anunciou. Sim, como cristãos estamos vivendo na Nova Aliança, no tempo da salvação anunciado por Jeremias. A lei desta Nova Aliança temos no Novo Testamento. Novo Testamento significa Nova Aliança. O que para os judeus no exílio da Babilônia era a lei, para nós cristãos é o Evangelho, são os ensinamentos de Jesus Cristo que ele pregou quando andou nesta terra. As leis do Antigo Testamento não foram abolidas por ele. A sua base, os 10 mandamentos, continuam valendo na Igreja de Cristo. Jesus as complementou, ensinando: Ama o teu próximo como a ti mesmo! (MT 22,39) Ama os teus inimigos! (MT 5,24) Oferecer a outra face. (MT 5,39) Ele viveu na obediência à vontade de Deus, morrendo na cruz pelos nossos pecados, abrindo assim o caminho para o Pai que nos ama. Assim, agarrados em Jesus Cristo pela fé, somos levados a Deus e presenteados com o Espírito Santo que promove em nós o que é próprio da Nova Aliança: "Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo." (Jr 31,32) Deus fará isso. E eu? Não preciso fazer nada? Bem, preciso ouvir o Evangelho, para que ele entre e se fixe na minha mente. E para ouvir preciso ir para o lugar, onde o Evangelho é anunciado, para a igreja, a comunidade reunida, onde o Evangelho é pregado e onde são estudados os ensinamentos de Jesus Cristo. Preciso mastigar a Palavra de Deus, como acontece na Santa Ceia. Preciso remoê-la no diálogo com as irmãs e irmãos, até que ela se sedimente no meu coração e se torne parte da minha natureza.

Por fim a pergunta: O que o texto tem a ver com a data de hoje, com a celebração dos 495 anos da Reforma Luterana? Tem tudo a ver. Porque Lutero não redescobriu apenas a salvação por graça e fé, mas também as conseqüências dela para a nossa vida, a nossa convivência com as pessoas que nos cercam. Em outras palavras, Lutero colocou também as obras em seu devido lugar. Ouçamos o próprio Lutero: "A fé é uma obra divina em nós que nos transforma e nos faz nascer de novo de Deus (Jo 1,13) e mata o velho Adão, faz pessoas completamente diferentes no coração, no ânimo, na mente e em todas as nossas forças, e traz o Espírito Santo consigo. Ah, a fé é uma coisa viva, diligente e ativa em nós, de maneira que é impossível deixar de fazer continuamente boas obras. Também não pergunta, se há boas obras a fazer, pois antes de perguntar já as fez e está sempre fazendo. Mas quem não faz estas obras, é uma pessoa sem fé, que tateia e anda em volta à procura da fé e das boas obras e não sabe o que é fé, nem o que são boas obras. Mesmo assim ela faz muita conversa fiada sobre fé e boas obras" Mas se eu não me coloco sob a pregação da Palavra de Deus, se não me dedico ao estudo da Bíblia, se não medito sobre ela nas reuniões da comunidade, a transformação que Deus quer operar em mim fica a meio caminho e perde a força. Uma comunidade, cujos membros se satisfazem com batizar os seus filhos, pagar a sua contribuição e assistir ao culto dominical de vez em quando não crescerá na fé e nas boas obras. Será uma comunidade raquítica, anêmica, que não vai para frente. Porque o implante do Evangelho, da Lei de Deus, deve acontecer de novo em cada geração.

A vida cristã, o ser uma pessoa cristã, não é uma conquista, é um processo, uma caminhada. Mais uma vez Lutero: "Em resumo, deve-se sempre progredir e crescer e não se pode parar e dormir tranqüilo. Como diz o apóstolo Paulo: "O nosso velho homem exterior deve deteriorar-se, mas o interior ser renovado dia a dia." Ai daquele que já está completamente renovado, isto é, que imagina estar completamente renovado! Este certamente ainda não começou a ser renovado e ainda não descobriu o que significa ser um cristão. Porque quem começou a ser cristão, não se considera um cristão, mas deseja muito tornar-se cristão, e quanto mais ele cresce e aumenta, tanto mais ele procura sê-lo e tanto menos está convencido de sê-lo. Tão maravilhosos são os caminhos do Reino de Deus" Portanto, botemo-nos no caminho. E não esqueçamos mais este lembrete de Lutero: Se Deus quer saber, se sou um cristão, uma cristã, ele não pergunta a mim, mas a meu vizinho. Que Deus nos abençoe e sustente na caminhada e inscreva a sua Palavra em nosso coração.

Amém!

 



P. Gerd Uwe Kliewer
Colônia Witmarsum, Paraná, Brasil
E-Mail: kliewer@terra.com.br

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