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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

24º Domingo após Pentecostes, 11.11.2012

Predigt zu 1 Reis 17:8-16, verfasst von Osmar L. Witt

 

Prezada comunidade de Jesus Cristo!

Há um ditado popular que afirma que a miséria repartida se torna mais fácil de ser suportada. O texto sobre Elias e a viúva de Sarepta confirma, em parte, este ditado, mas vai além dele. As palavras proféticas anunciadas no passado em Israel apontaram, seguidamente, para o abandono da fé no Deus libertador, o qual inspirou a libertação da escravidão no Egito. O Deus que ouviu o clamor e o lamento das pessoas empobrecidas e oprimidas rapidamente foi substituído pelos deuses de outros povos, os quais davam sustentação à desigualdade social e à opressão das classes aristocráticas sobre a população empobrecida.

 

A atuação do profeta Elias se enquadra nessa situação. Ele se colocou em rota de conflito com os profetas de Baal, deus da fertilidade e das chuvas, os quais exerciam influência sobre a casa do rei Acabe. O projeto de governo sustentado por Acabe foi criticado por Elias que disse: "Em nome do Senhor, o Deus vivo de Israel, de quem sou servo, digo ao senhor que não vai cair orvalho nem chuva durante os próximos anos, até que eu diga para cair orvalho e chuva denovo." A tensão entre o rei e o profeta obrigou ao afastamento da casa real e o profeta foi para a cidade de Serepta, perto de Sidom.

 

Elias recebeu a promessa de que teria a ajuda de uma viúva: "Eu mandei que uma viúva que mora ali dê comida para você." A condição social das viúvas naquela sociedade patriarcal era, por si só, de desamparo. O amparo do profeta deveria vir de um lugar pouco provável: da acolhida de parte de uma viúva. A narrativa bíblica não informa se o profeta Elias desconfiou ou não desta promessa, diz apenas que ele foi e que encontrou a viúva. O diálogo entre eles começou com um pedido por água. Depois da viagem o profeta tem sede. Quando a mulher se retira para atender o pedido de Elias, ele acrescenta um novo pedido ao primeiro: ele não quer apenas água, quer também algo para comer: pão para saciar a fome. Então, escancara-se a situação na qual vive a mulher: a farinha está no fim e, como se não fosse dificuldade o suficiente, ela tem um filho que depende dela para ser alimentado. A partir deste ponto da estória, a insistência do profeta parece assumir um tom de insensibilidade. Ora, então ele não vê que os recursos da mulher com o filho são tão precários que mal podem garantir o sustento deles?

 

Neste ponto, o profeta recorre a uma antiga tradição popular entre os israelitas: "o Senhor, o Deus de Israel, diz isto: ‘não acabará a farinha da sua tigela, nem faltará azeite no seu jarro até o dia em que eu, o Senhor, fizer cair chuva.'" Esta canção relembra a fidelidade de Deus quando o povo de Israel entrou na terra prometida, após a fuga da escravidão no Egito. A experiência que nela se expressa é a de que Deus não desampara quem nele confia. E o amparo divino se concretiza em formas de solidariedade na dor, na pobreza, na seca, quando os recursos materiais se acabam.

 

Muita gente, eu também, já presenciou a cena em que uma vizinha recorre a outra para emprestar um pouco de açúcar, café ou arroz, quando o mantimento chegou ao fim e o mês ou a semana ainda não acabou. Quando se receber o salário e se fizer novas compras, então se devolve o emprestado. E, da mesma forma, quem recebe ajuda também se dispõe a ajudar o vizinho naquilo que lhe falta. Enquanto tivermos um amigo ou uma vizinha a quem pudermos recorrer no momento do desamparo, sabemos que não está tudo perdido. O profeta Elias não deixa que se perca esta memória do auxílio que vem em hora, de lugar e de pessoas de quem não se espera que possa vir alguma ajuda.

 

Como dissemos no início, porém, este texto vai além: ele recorda que Deus envia seus mensageiros e mensageiras para lugares e tempos improváveis. Há um desafio missionário implícito nesta narrativa: "vão para Sarepta", isto é, vão para onde o amparo de vocês depende de pessoas que também estão desamparadas. A Igreja de Jesus, conforme ouvimos na leitura do Evangelho deste domingo, é convidada a seguir o sinal do reino de Deus que se manifesta no exemplo da mulher que transforma em oferta não as sobras, mas o pouco que tem. Na partilha do pouco de que cada pessoa dispõe ganha vida um novo modo de encarar os bens materiais. Não mais no acúmulo, mas na satisfação das necessidades de cada pessoa exercitamos pequenos sinais do reino de Deus entre nós. Na comunidade de Jesus ninguém é tão autossuficiente que não precise de nenhuma ajuda, e ninguém é tão desamparado que não tenha algo com que possa prestar ajuda. Claro que não se cogita apenas de bens materiais, por mais fundamentais que eles sejam. Mas, a vida é mais do que comida e bebida e uma palavra bem dita na hora apropriada pode ser de muito valor.

Elias foi enviado para anunciar a seca como o castigo pela desobediência dos governantes de Israel. Eles haviam se esquecido de Javé, o Deus que luta com seu povo contra as muitas formas de opressão. E foram atrás de Baal, que legitima as desigualdades sociais e a opressão que delas resulta. Também nós somos confrontados com a triste situação de que a religião e a fé são usadas para encobrir e para legitimar muitas formas de injustiças com as quais aprendemos a conviver como se fossem normais. A gente cria calos na alma de tanto sofrimento que assistimos em toda parte. E acabamos nos conformando, afinal, sempre foi assim e não está em nosso poder mudar as coisas. Nós precisamos reaprender a olhar para a "viúva de Sarepta". Na despensa dela só há um "resto de farinha" e um "resto de azeite". Mas, quando o pouco é partilhado acontecem coisas inesperadas! Onde nossas forças terminam, Deus guarda belas surpresas!

 

De Jesus também não se esperou muita coisa. Afinal, do Messias que haveria de vir para restaurar a glória do povo de Israel tinha-se bem outra imagem do que a de um mestre que reuniu um pequeno grupo de seguidores e de seguidoras, e que dizia de si não ter nem onde descansar a cabeça. Sob o ponto de vista do prestígio e da influência social, da riqueza material e do poder político, Jesus também não tinha mais do que um "resto de farinha e um resto de azeite". Mas, o Reino de Deus entre nós começa assim mesmo, frágil como um grão de mostarda. É uma semente pequena, à qual pouco se dá valor. Mas, ela cresce e frutifica. Jesus está bem dentro desta tradição profética, que não nos deixa esquecer que na singeleza dos pequenos gestos e na solidariedade e no cuidado de uns pelos outros em meio a tanto desamparo, está guardada a memória da presença de Deus entre nós: "Como o Senhor havia prometido por meio de Elias, não faltou farinha na tigela nem azeite no jarro."

 

E a paz de Deus, que é maior do que o nosso entendimento, guardará vossas mentes e corações em Cristo Jesus.

Amém.

 



P. Osmar L. Witt
São Leopoldo, RS, Brasil
E-Mail: olwitt@est.edu.br

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