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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo na Quaresma, 10.03.2013

Predigt zu Josué 5:9-12, verfasst von Renato Küntzer



Prezada comunidade!

A obra historiográfica do Deuteronomista (OHD), à qual pertence o nosso texto, foi escrita na época do exílio e faz uma releitura e uma interpretação bíblica da história de ascensão de Israel em território cananeu com intenção educativa e celebrativa. Dá testemunho público da fé. O nosso texto trata da conquista de uma área próxima ao santuário Guilgal e inicia dizendo por que o local tem esse nome. Há uma tradição local, ligada a Guilgal, que conserva as histórias da escravidão e da libertação do Egito, da peregrinação pelo deserto e da conquista de Canaã. Isto é recontado e celebrado em culto a Deus para que as gerações futuras não esqueçam. Por isto a expressão sempre repetida: "até os dias de hoje". É a fala de Deus que explica a razão pela qual o local deverá ser conhecido, até os dias de hoje, como Guilgal (que significa "rolar").

Deus diz: "Hoje eu tirei/removi de vocês a vergonha do Egito" (5.9). Há uma experiência e realidade de vida que foi removida e uma nova vida está se edificando "do outro lado do Rio Jordão". Há toda uma celebração litúrgica centrada em um novo começo que tem como iniciativa a rememoração e a celebração da ação libertadora de Deus com o rito da Páscoa. É um momento histórico para Israel, pois ocorre a ruptura significativa entre o passado nômade e o futuro de povo sedentário. Para isto é que Deus fala.

O povo é lembrado que a vergonha do Egito é rolada/removida. Por isto a Páscoa naquele momento não é mais celebrada pela marca da fuga do Egito envolta de violência, mas como celebração litúrgica que tem como ponto central o comer dos frutos da nova terra. A vergonha de ter tido a sua dignidade humilhada e envergonhada pela escravidão cede lugar à festa da páscoa na qual se come dos frutos da nova terra. É uma alegria e gratidão a Deus sem tamanho. Não é mais necessário o maná da emergência e do socorro imediato que ensinou a partilha e a solidariedade. Celebra-se agora o inicio de uma nova vida. Da escravidão à posse da terra prometida. Do maná do deserto aos frutos da terra. Da vida de peregrinos no deserto à vida de agricultores estabelecidos no seu chão. Nova situação de vida, novo local de vida e nova condição econômica para a sobrevivência. Tudo do outro lado do Jordão. Em terra estranha, mas prometida, inicia a experiência de uma nova vida. Isto com a presença misericordiosa do mesmo Deus. Deus se mostra na continuidade de seu acompanhamento. A bondade e a misericórdia de Deus permitem a essa gente cultivar esperanças em relação ao que será o amanhã.

Para o novo início lá do outro lado é necessário coragem e iniciativa. Há que se correr o risco. O que é novo é incerto. Traz algum desconforto. Provoca insegurança nas pessoas. Essa condição humana nos lembra do Evangelho desse final de semana, a parábola do filho pródigo. A atitude imediatista e aventureira desse filho mais novo que dá com os burros na água para matar a sua sede pela vida, não dá certo. Ele perde tudo que havia recebido do pai. Só não perde a esperança de ser recebido do volta. É nisto que arrisca. E aí sobressai a novidade de vida, o evangelho. O pai o acolhe novamente, com palavras e gesto de acolhimento, amor, perdão e comunhão.

Esperança contra toda a esperança. Prosseguir ou não? Vale a pena esta causa, ou é melhor abandoná-la? Esse foi o medo do povo fugitivo do Egito. Essa foi a incerteza de Jesus Cristo a caminho de Jerusalém. Essa é a angústia em ser comunidade nos dias atuais.

Celebramos o tempo de quaresma. Esse período litúrgico lembra que Jesus decidiu continuar subindo em direção à Jerusalém. E Jesus faz essa caminhada confiante na boa causa que pregou e vivenciou. Com nenhuma segurança ou garantia que não fosse a confiança em Deus como Pai e sem ter qualquer outro apoio. Como uma esperança contra a esperança. E Jesus não falhou. Essa foi a sua esperança, muito maior e valiosa do que aquele primeiro otimismo entusiasta que o levou pelos caminhos da Galiléia, facilmente animado pelo fervor das multidões.

Nossa esperança depende somente de nosso próprio entusiasmo? De nosso otimismo? Ou do animado fervor das multidões? Ou ela se alimenta desta espiritualidade libertadora de saber-se dependente da esperança que se manifesta pelo Espírito de Deus contra toda a esperança?

Existirá alguma vez esta Igreja animada para a travessia, encorajada por Deus a ter a experiência com o novo? Não será somente utopia e um sonho bonito? Ao contrário do que se pensa, o importante não está no fato desta Igreja já existir ou não, senão que haja no mundo inteiro comunidades que caminhem nesta direção. Até que ponto podemos avançar nesta direção, ou até que ponto conseguimos chegar nesta caminhada não está em nossas mãos, mas é por conta da graça de Deus. Não é que a todo custo precisamos chegar lá. Importante mesmo é que caminhemos em direção à gestação de uma Igreja de misericórdia e de serviço. Caso contrário estaremos caminhando em direção oposta. Se caminharmos na direção do Evangelho, podemos esperar pela gestação e pelo nascimento de algo novo como nos lembra o apóstolo Paulo: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu." (2 Co 5. 17).

Convém recordar, lembrar e celebrar esses sinais presentes em nossas comunidades como sementes de esperança. Pelas milhares de crianças que são envolvidas pelas atividades das comunidades por meio do Missão Criança e do Culto Infantil. Muitas pessoas , estando em Cristo, dedicam tempo e recursos para acolher os pequenos e testemunhar vida nova a eles. E o fazem sempre voluntariamente.

Do outro lado do consumismo e da sede pela vida que não mede limites, estão os jovens que se dedicam à vida de seus grupos em comunidades, estabelecendo um convívio saudável, ensaiando o serviço gratuito, a solidariedade com as pessoas e o compromisso com causas como a justiça, a democracia e o cuidado pelo meio ambiente.

E o que dizer das pessoas que colocam seus dons a serviço da causa do Evangelho e celebram a novidade de vida que experimentam com a música, a visitação, o aconselhamento, o envolvimento em funções públicas e no compromisso de causas sociais. Toda esta diversidade está presente em nossas frágeis e pequenas comunidades. Por isso do outro lado da margem do consumismo, da busca desenfreada pela vida, do preconceito, da marginalização, procuramos ensaiar vida nova por meio do perdão, do acolhimento, da solidariedade. E aí sim valerá a pena celebrar de novo. Uma nova páscoa. Uma páscoa com os novos frutos da terra. Uma celebração festiva, bonita, viva que nos leve a ser, participar e testemunhar a causa de Jesus Cristo. Que não nos falte a coragem para arriscar.

Amém!

 



P. Renato Küntzer
Três de Maio, RS, Brasil
E-Mail: sinodonoroeste@lugteranos.com.br

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