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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

3. Domingo após Pentecostes, 09.06.2013

Predigt zu 1 Reis 17:17-24, verfasst von Paulo Sérgio Einsfeld


 

Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo ...

(Ler o texto de 1 Reis 17.17-24 ou a ler seguinte narração na perspectiva da personagem (Se for lido por uma mulher, trajada com roupas simples à moda oriental, terá mais impacto.)

"Sou mulher. Sou viúva. Sou pobre. Essas três categorias me colocam entre as pessoas mais desamparadas do meu povo. Diga-se de passagem, que não faço parte do Povo Eleito de Israel, e moro bem longe dos limites da Terra Santa. Nasci e sempre vivi em Sarepta, no Norte, no litoral do Mar Mediterrâneo.

Preciso contar-lhes, caros ouvintes do século 21, o que nos aconteceu, quando recebemos a visita de um homem diferente. Chamava-se Elias. Sua profissão? Profeta do Deus de Israel. Falo no plural, no que nos aconteceu, porque vivo junto com meu filho, menino ainda.

Certo dia, meu filho ficou muito doente. Doença de morte, a que nós pobres, estamos acostumados. E isso aconteceu alguns dias depois da visita do profeta Elias. Lembro-me bem do seu jeito direto, pedindo-me água e algo pra comer. Expliquei-lhe que estava preparando o último pãozinho para mim e meu filho. E ele, parecendo tão arrogante, exigiu que eu lhe preparasse logo um pão. Mas não esqueço sua promessa: "Não se preocupe! O Senhor, o Deus de Israel, diz isto: ‘Não acabará a farinha da sua tigela, nem faltará azeite no seu jarro até o dia em que eu, o Senhor fizer cair chuva. '" (1 Re 17.13-14)

E não é que, de fato, aconteceu assim?! Naqueles dias, tivemos abundância de comida. E o melhor, o fim de nossas vidas foi adiado... Mas... e agora, depois dessa doença braba, meu menino acabou falecendo em poucas horas. Cadê o profeta numa hora dessas??

Mandei chamá-lo. Prontamente Elias veio. Então aproveitei e fui logo desabafando: "Homem de Deus, o que o senhor tem contra mim?" Pensei pra mim: "Qual é a tua? Um dia salvas meu filho da morte por fome, mas noutro mandas essa doença e a morte?" E emendei meu protesto contra esse tal de Deus de Israel. Seria essa uma maldição que eu mereço pelos meus pecados?

O profeta parecia sereno e calmo. Fez-me somente um pedido: "Dê-me o seu filho"! Só isso! Entreguei-lhe o que tenho de mais precioso! Entreguei-lhe a razão do meu viver e a garantia do meu futuro. Aliás, já estava morto. Assim com minhas esperanças aos pedaços, tirei-o com cuidado dos meus braços trêmulos e larguei-o nos fortes braços do profeta. Ele o levou ao andar de cima da casa, para o quarto em que estava morando naqueles dias. Espiei pelas frestas da porta. Ouvi uma voz, um clamor, uma oração que saia do fundo do coração:

"Ó Senhor, meu Deus, porque fizeste uma coisa tão terrível para esta viúva? Ela me hospedou, e agora tu mataste o filho dela!"

O profeta então se deitou em cima do menino três vezes e orou novamente: "Ó SENHOR, meu Deus, faze com que esta criança viva de novo!"

Imediatamente meu filho voltou a respirar. Um milagre! Recebi meu filho de volta! Haveria maior alegria para uma mãe pobre e viúva?! Entre um misto de espanto, medo e alegria, só me restava exclamar: "Elias, agora eu sei que o senhor é um homem de Deus e que Deus realmente fala por meio do senhor!" (1 Rs 17.24)"

 

Prezada Comunidade. Até aqui acompanhamos a narração dessa passagem da Palavra de Deus. Acompanhamos as fortes emoções dessa pobre mulher. O futuro de sua vida está em jogo, quando morre sua única fonte de sustento e amparo. As expectativas de vida do filho estiveram no fim por duas vezes, na fome e na morte. Mas houve, aqui, um final feliz. Houve intervenção do Deus que vive e nos fazer viver. Sim, a vida está no centro desse texto. A vida, com todas as suas dores e decepções, com suas derrotas e tristezas, mas também a vida renovada, vida com a esperança devolvida está representada nessas cenas.

Mas normalmente não é o final feliz que experimentamos quando doença e morte se abatem sobre nós. Pode ser a experiência dolorosa de uma doença incurável, ou um AVC que deixa sequelas, ou um câncer e sua luta com tratamentos ofensivos. Temos também percalços menores em que nossa saúde é atingida de uma ou outra forma. E quando a morte leva alguém querido, a dor nos leva a protestar. Assim como a viúva de Sarepta o fez. Protestou contra o profeta. Protestou contra o próprio Deus! E isso é legítimo e tem seu lugar e seu tempo no processo do luto.

Quero destacar que nós, como comunidade de Cristo, como membros do Corpo de Cristo somos milagre e cura nestas situações. Quando falo em "milagre e cura", não entendo, em primeiro lugar, o milagre como algo extraordinário, fora do comum, e a cura como apenas sarar fisicamente de uma enfermidade. Curar é mais que sarar. Em alemão, o verbo "heilen" é "sarar da doença"; o substantivo "das Heil" significa salvação, e o adjetivo heil é inteiro, integral, completo. Uma comunidade toda é curada quando se volta aos mais fracos e desamparados. Quando ora intensamente. Quando visita seus doentes. Quando os filhos de uma mãe ou pai hospitalizados por longo tempo são acolhidos nas casas de amigos. Quando se tem paciência para estar ao lado dos enlutados na lenta recuperação da esperança. Que o Deus da Graça nos ajude a sermos cada vez mais comunidade assim! Onde podemos melhorar em sermos comunidade acolhedora, terapêutica, saradora? Uma comunidade assim anuncia e vive saúde e salvação para todas as pessoas. Mas é aos pobres e às pobres viúvas de nosso tempo que a comunidade de Cristo deve atrair como o ímã atrai o metal! Mas, às vezes, não é atração que aí acontece, mas uma força de afastamento se impõe, quando notamos, por exemplo, que "essa gente é tão diferente de nós", ou "será que estão em dia com o pagamento da mensalidade?".

Pessoas renovadas pela ação do Espírito Santo saberão acolher, partir o pão e o afeto, sendo fonte de vida dentro do mundo. Mas para isso acontecer, é preciso ficar claro o que para o apóstolo Paulo não era fonte de dúvidas. Seu depoimento aos Gálatas [lido durante o culto], mostra que houve uma linha divisória entre o antes e o depois da revelação de Jesus Cristo. O encontro com Cristo o transformou de perseguidor do Evangelho a testemunha perseguida. Assim, Deus lhe devolveu à sua vida um sentido novo, com novas razões para lutar e trabalhar, agora, sim pela divulgação da verdadeira vida, da esperança renovada de quem o atraiu e conquistou, conforme escreve aos Filipenses 3.12-14.

Caros irmãos e irmãs! Como você eu podemos nos incluir nesse movimento de renovação de vida e de esperança? Talvez tenhamos que fazer como a viúva de Sarepta: Colocar nas mãos de Deus Pai o que temos de mais precioso. Preciosa demais é nossa confiança verdadeira e profunda de que Deus cuida de nós, haja o que houver. Esse bem mais precioso pode estar se perdendo aos poucos, sem que a gente perceba. A esperança pode estar morrendo dentro de nós... Perdemos facilmente a alegria de ser filho amado. Falta-nos o ânimo para participar com alegria da comunidade. Achamos que não é tarefa nossa testemunhar o amor de Deus no mundo [fazendo referência ao tema do Ano da IECLB].

O que está "morrendo" está nessa situação por falta de alimentação adequada. Uma alma sedenta e faminta, como há de ter força e vitalidade espiritual? Por isso, se torna tão importante ir ao Sacramento da Ceia com profundo desejo de obter nutrição espiritual. Aí encontramos fortalecimento de nossas convicções cristãs. Aí encontramos alimento de primeira qualidade. Que Deus nos abençoe nesse sentido. Amém.




P. Paulo Sérgio Einsfeld
Nova Petrópolis – RS
E-Mail: peinsfeld76@gmail.com

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