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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

7º Domingo após Pentecostes, 07.07.2013

Predigt zu Isaías 66:10-14, verfasst von Carlos Dreher



Querida comunidade!

A primeira vez em que vi minha neta, agora já quase com 5 meses de vida, sugando vorazmente o seio de minha filha, senti um arrepio de ternura a me percorrer o corpo inteiro. Pode haver algo tão sublime como um seio de mãe a transbordar carinhos, amamentando seu bebê?

Há poucos dias, pouco antes do início do culto que eu iria celebrar, a jovem mãe me perguntou onde poderia amamentar sua filha que iria ser batizada dali a instantes. Surpreso, procurei por algum espaço, no qual ela pudesse fazê-lo na intimidade. Não encontrei nenhum lugar reservado, a não ser a sacristia, na qual eu iria vestir meus paramentos. Diante de minha hesitação, ela me perguntou se poderia fazê-lo no interior da igreja, ao que lhe respondi que sim.

De imediato, lembrei-me de meus primeiros tempos de pastorado no oeste de Santa Catarina, especialmente dos cultos celebrados nas comunidades do interior, durante os quais homens se assentavam de um lado, e mulheres, de outro, no interior do templo. Ao iniciar a pregação, várias mulheres descobriam o seio e passavam a amamentar seus bebês. Em instantes, outra criança de três anos, às vezes até de seis anos, se aproximava e dizia "Mama, ich will auch" ("Mamãe, eu também quero"), ao que a mãe, de pronto, descobria o outro seio e o alcançava ao maiorzinho, que o sugava feliz.

Não há dúvida de que eu, menino criado em cidade, agora adulto a encarar a cena, me assustei, de início. Titubeava em olhar para o lado das mulheres, como se, ao fazê-lo, estivesse sendo indiscreto. Logo me apercebi de estar diante de uma efusiva manifestação de amor materno. Ali, junto ao seio da mãe, aquelas crianças recebiam mais que alimento. Recebiam amor, carinho, acalanto e aconchego.

Foi por esse tempo que nasceram meus filhos. Com ternura, observava minha esposa amamentá-los, com o mesmo amor, carinho, acalanto e aconchego.

Tais cenas me trazem saudade. Não me lembro de minha mãe me amamentando. Lembro-me de haver observado quando ela o fazia com meus irmãos menores. Contudo, lembro-me de que, quando eu a procurava com o dedão do pé sangrando por um machucado ocorrido na topada com alguma pedra na rua, ela me tomava no colo, abraçando-me junto a seu seio. Quase que instantaneamente, a dor diminuía, quando não sumia de todo. Sim, colo materno, seio materno, diminui a dor. É amor, é carinho, é acalanto e aconchego.

Tornei-me adulto e um tanto pesado para o colo de minha mãe. Mesmo assim, em momentos de sofrimento e de angústia, a saudade volta, se não exatamente de seu colo, com certeza de amor, carinho, acalanto e aconchego.

É nesta direção que parece apontar a passagem de Isaías 66.10-14.

(Ler o texto)

O texto fala de regozijo, de alegria juntamente com Jerusalém para todas as pessoas que amam a cidade e que choraram por ela.

O pranto por Jerusalém nos remete a acontecimentos do passado. Em 597 a. C., os babilônios haviam cercado a cidade e, em seguida, deportado uma boa parcela de sua população para a Babilônia. Voltaram dez anos depois, em 587 a. C., desta vez para destruir a cidade e seu templo, levando mais uma parte da população para a Babilônia. Mais uma vez, em 582 a. C., tornaram ao local e deportaram mais algumas pessoas. Os deportados viveram por longo tempo no exílio, até que em 539 a. C. os persas permitiram a reconstrução do templo e o retorno dos exilados. Em 515 a. C., o templo era reinaugurado, embora a cidade permanecesse sem muros até a intervenção de Neemias, em torno de 450 a. C.

Nem todos os descendentes dos exilados retornaram à Palestina. Muitos continuaram a viver na diáspora, espalhados pelo mundo, celebrando seus cultos nas sinagogas. Contudo, era para Jerusalém, como morada de Deus, em seu templo, que se voltavam os olhos e as orações destas pessoas. Sentiam saudade, aprendida de seus pais, de um lugar que certamente nem conheciam, por já haverem nascido longe dele. Os pais, porém, haviam contado sobre o lugar que Deus escolhera para ali fazer habitar o seu nome.

Agora o profeta fala da restauração definitiva de Jerusalém. E aí fala em mamar e se fartar nos peitos de sua consolação; em sugar e deleitar-se com a abundância de sua glória. E fala mais. Repete a ideia de mamar e acrescenta: trar-vos-ão nos braços e vos acalentarão sobre os joelhos. "Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei. E em Jerusalém vós sereis consolados."

Deus e Jerusalém se confundem no texto. Em quem mamarão? Em Deus ou em Jerusalém? Em Deus, certamente! "Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei!"

Que bela imagem! Deus é como uma mãe que consola! Deus é como uma mãe que toma no colo o filho ou a filha que chora! É no colo de Deus, no seio de Deus que seus filhos e suas filhas mamam! E se fartam, se deleitam, são consolados!

Não, não se trata de voltar a algum lugar do passado. Trata-se de saber que, onde quer que seus filhos e suas filhas estejam, Deus está ali, para oferecer seu colo, para oferecer seus seios!

Há quem entenda que um antigo nome de Deus, pelo qual Abraão, Isaque e Jacó o conheciam, El Shadai, que nossas Bíblias normalmente traduzem como "Deus Todo-Poderoso", na verdade signifique "Deus dos seios". Trata-se, sem dúvida, de uma ideia desconcertante para quem sempre compreendeu Deus como figura masculina, como pai. Não obstante, a julgar por nossa passagem, a figura feminina, a imagem de mãe que ama, acarinha, acalanta e aconchega se adapta muito bem a Deus.

É o Deus que consola, que toma nos braços o menino que chora pelo dedão sangrando, estropiado em alguma pedra da rua. É o Deus que enxuga a lágrima, que conforta, que abraça, o Deus de cujo colo ninguém pode tirar seus filhos e suas filhas.

Também não se trata de voltar ao lugar em que nascemos, ou ao lugar em que nasceram nossos antepassados. Para quê? Que lugar teria eu, descendente de alemães, na Alemanha? Que lugar teriam descendentes de italianos radicados no Brasil na Itália? Que lugar teriam os judeus do Bonfim de Porto Alegre em Jerusalém? E que dizer de negros e negras descendentes de escravos? Para que lugares na África voltariam, se nem sequer imaginam de onde seus antepassados foram arrancados?

Não, não temos aqui cidade permanente (Hb 13.14). Buscamos a futura. Buscamos o colo, o seio materno de Deus.

Meus dedões machucados pelas pedras da rua hoje em dia são outros. São as angústias das perdas. Perda de pessoas que aprendi a amar, perda da juventude que passou e da velhice que se aproxima, perda do vigor da juventude que se foi. Tantas perdas! E tantas outras que virão. Perdas que me fizeram chorar, perdas que me farão chorar. E a perda final, pela qual outras pessoas, talvez, chorarão.

Destas perdas, meu consolo, nosso consolo, estará no colo de Deus, no seio de Deus, no qual mamaremos até nos fartar, no qual sugaremos e nos deleitaremos com sua abundância. O seio de Deus, no qual teremos, para sempre, amor, carinho, acalanto, aconchego.

Estou muito pesado para voltar ao colo de minha mãe. Já não me sinto em casa no lugar em que nasci. Consolo-me, porém, no colo de Deus e aguardo confiadamente na promessa que João nos transmitiu no meio da angústia da perseguição na Ásia Menor:

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas." (Ap. 21.1-5a)

No colo de Deus! No seio de Deus! Para sempre!

Amém!




P. Dr. Carlos Dreher
São Leopoldo, Rio Grande do Sul
E-Mail: cdreher.nho@terra.com.br

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