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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

9. Domingo após Pentecostes, 21.07.2013

Predigt zu Gênesis 18:1-10ª, verfasst von Nilson H. Mathies


Deus diz: A palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia, mas fará o que apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55.11.

 

Oração: Somente na tua palavra, meu Deus, fundamentarei e minha fé e a minha vida. Que a tua palavra seja soberana agora e sempre. Amém.

A todos que vieram visitar esta casa(tenda) de Deus:

A história que ouvimos do texto de Gênesis tem como um dos temas a hospitalidade. É na hospitalidade que Abraão se torna o pai de muitas nações. É no tema da hospitalidade que quero centrar esta pregação. Fala-se muito de que o brasileiro é hospitaleiro, mas nem sempre esta é a verdade. Nos mais de 30 anos como pastor,fiz milhares de visitas. Encontrei diversas situações nessas visitas, mas duas delas, bem distintas, ficaram bem guardadas em minha memória.

  1. No interior do Rio Grande do Sul, no alto da Estrada era possível ver o Rio Uruguai. Na encosta do rio, morava um agricultor. Ao chegar à sua casa humilde, de apenas dois cômodos, vi que já estava na roça. Mas ao perceber que um carro parou na sua casa, veio apressado me cumprimentar. Eu tinha pressa, queria visitar alguns membros naquele dia. Mas ele insistiu que eu entrasse na sua casa, sentasse numa cadeira marcada pelo tempo, e tomar um chimarrão. Enquanto conversávamos, foi fazendo o fogo no fogão à lenha, e não demorou em fazer um chimarrão. Depois de uma longa conversa e muito mate, consegui me despedir, e levava comigo este belo exemplo de hospitalidade.

  2. Outro fato aconteceu numa tarde de verão em uma cidade de Santa Catarina. Fui visitar uma família, cujos filhos participavam ativamente na grupo de Juventude da Comunidade. A casa era toda cercada e com uma placa anunciando: ‘ cuidado cachorro bravo'. Para segurança, primeiro toquei a buzina do carro, depois saí na direção do portão e bati palmas. Depois de algumas tentativas apareceu uma senhora. Ela me reconheceu e logo perguntou o que eu queria. Disse que estava fazendo algumas visitas. E assim, começamos a conversa. Ficamos conversando ali mesmo, cada um de um lado do portão. Depois de alguns minutos sob o sol, percebendo que ela não estava para ‘visitas', me despedi. Ali percebi o quanto faz falta a hospitalidade.

Ser hospitaleiro, muito mais que um aprendizado, é parte da cultura de um povo,mas também da fé de um povo. Um povo hospitaleiro é sempre aconchegante, confortante e agradecido. Não seria então, a hospitalidade a grande característica do povo de Deus? Para Abraão e para os filhos dele, assim deve ser.

O que nos ensina o texto sobre hospitalidade?

Em sua grande peregrinação na busca pela terra prometida, Abraão e Sara recebem uma visita, que para Abraão, são enviados de Deus; ou melhor, uma visita de Deus. A atitude de Abraão é esta: ele está recebendo Deus em sua casa. A visita vem caminhando sob o sol escaldante do meio dia. Ao se aproximar de Abraão,recebe dele toda hospitalidade imaginável. Abraão oferece água, comida, descanso e companheirismo. Muitas vezes, nós cristãos, ouvimos falar de Abraão como o Pai da fé, mas ele também é o Pai da hospitalidade. Como um pai que recebe a seus filhos, assim Abraão recebe aqueles forasteiros. Faz tudo para se sentirem acolhidos e aconchegados. Ele age como se os conhecesse de longa data, como se fossem da família. Faz com que eles se sintam à vontade. Recebe aquela gente,como sendo da parte de Deus. Ele não faz perguntas, não exige respostas, apenas convida e os serve. Abraão se alegra em servir, em poder servir a estas pessoas. Assim, Abraão ensina o que é hospitalidade ao seu povo. A hospitalidade que é movida pela diaconia, pelo serviço, pelo servir.

Mas quem serve também é servido. Quem serve, serve para participar na história de Deus com o seu povo. Abraão serve e é servido para servir na edificação da história da salvação. Os visitantes tornam-se mensageiros de Deus. Eles anunciam o nascimento do filho tão esperado e prometido. Abraão e Sara terão seu primeiro filho, o filho de muitas gerações, o filho que se transformará em um grande povo. Um povo de fé e de hospitalidade. Abraão e Sara hospedam em sua vida, pela hospitalidade, uma nova história de fé para muitas nações. A fé e a hospitalidade tornam-se características do povo cristão pela história de Abraão. Abraão é pai da fé e da hospitalidade para todo o povo de Deus.

Para fazer parte deste povo de Deus, descendente de Abraão, épreciso confiar na promessa de Deus, mas também agir nesta promessa, ser hospitaleiro. A hospitalidade movida pela fé, abre a porta de nossa vida e de nossa casa para o outro, para o necessitado, para o abandonado, para o solitário, o marginalizado, o oprimido,... ou seja, é agir com o nosso próximo tomando como base o mandamento do amor de Jesus Cristo (amar a Deus e ao próximo como a si mesmo).

Conto ainda uma história, ouvida a algum tempo atrás:

Um jovem, em busca de recursos para o estudo de medicina, resolve vender livros para uma editora. Certo dia, cansado e com sede, bate a porta de uma humilde casa. Eis que logo aparece uma jovem e bela senhora. A senhora não teria um copo de água fresquinha para matar a minha sede, perguntou o jovem. Tenho, disse a senhora, mas venha até a varanda e sente aqui na varanda e sente aqui para descansar um pouco. Depois de alguns minutos veio ela com uma jarra de suco e um prato de comida. Imagino que você esteja com fome, pois parece que faz algum tempo que você não come nada. O jovem comeu com gosto aquela comida, bebeu alguns copos do suco e depois se despediu agradecido. Mas jamais esqueceria aquele gesto e nem o rosto daquela senhora. Passaram-se muitos anos, então esta senhora adoeceu, e logo foi constatado que estava com câncer. Precisaria passar por uma cirurgia complicada e necessária para sua sobrevida. Ao ser internada, um famoso oncologista de plantão a atendeu, e fez tudo para que ela fosse logo operada e tivesse o melhor tratamento possível. Passaram-se semanas até que finalmente recebeu alta. Ao sair, foi na administração propor parcelamento das despesas, pois sabia que a sua dívida não seria pouca. Então foi lhe entregue um envelope com um recibo, onde dizia estar tudo pago, pago com um prato de comida e uma jarra de suco, há muitos anos atrás, por uma simpática senhora que me recebeu em sua casa com tanta hospitalidade, que jamais esqueci. (Assinado : médico oncologista deste hospital).

A hospitalidade não apenas recebe pessoas em nossa vida, mas nos torna participante da história da salvação que está sendo escrita por Deus com o seu povo.

A hospitalidade cristã, porém, não se restringe às relações pessoais e individuais. Um outro âmbito onde ela deve ter a sua expressão é a comunidade cristã como um todo. Como é que ela se mostra em nossas comunidades, não apenas nos cultos, mas também nos diversos grupos? Como é que pessoas novas, num primeiro momento estranhas, são acolhidas?

E se olharmos para um pouco mais adiante, podemos nos perguntar pela hospitalidade entre as diferentes igrejas cristãs no mundo. É verdade que nos últimos decênios temos progredido bastante. Mas ainda sonhamos - porque não alcançamos o alvo - com uma hospitalidade plena que inclui a eucaristia, a Santa Ceia. A hospitalidade de Deus nos desafia a continuar na busca da hospitalidade entre todos os cristãos, uma hospitalidade sem restrições, que seja um exemplo para o mundo.

Peçamos a Deus que ele não deixe apagar em nós a chama da hospitalidade em todos os níveis e em todos os lugares. Amém.

 



P. Nilson H. Mathies
Blumenau – Santa Catarina
E-Mail: nhmathies@hotmail.com

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