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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

13º Domingo após Pentecostes, 18.08.2013

Predigt zu Jeremias 23:23-29, verfasst von Marcos Henrique Fries

 


Estimados irmãos e irmãs!

Um tema recorrente em nossos diálogos nas últimas semanas tem sido as manifestações de rua ocorridas em nosso país. Apesar da desordem provocada por alguns, e independente de preferências partidárias, são poucos os que discordam da legitimidade destes levantes populares. Já era hora de nosso povo levantar sua voz contra os desmandos das autoridades e exigir justiça. Estamos fartos de corrupção e mentiras.

As palavras de Jeremias que lemos há pouco são igualmente uma espécie de manifesto contra a corrupção. Trata-se da corrupção exercida por falsos profetas sobre o povo de Judá. Essa corrupção se revelava nas mentiras por eles espalhadas. Esses pretensos arautos de Deus tinham sonhos e os anunciavam às pessoas como sendo oráculos do próprio Senhor. Na verdade, divulgavam suas próprias ideias e vontades, proclamando-as como revelações divinas.

Que mentiras eram estas? Já há alguns anos, desde a morte do rei Josias, grande infidelidade para com Deus e sua vontade havia se instalado entre o povo. Desagradado com isso, o Senhor anunciara castigo aos que o estavam desprezando. Mas os falsos profetas alteravam radicalmente esta mensagem de juízo, afirmando que não haveria condenação. "[Os falsos profetas] dizem continuamente aos que me desprezam: o Senhor disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós" (Jr 23.17).

Isso era mentira, mas vinha bem a calhar naquele momento histórico. Ao invés de ouvir o anúncio do juízo de Deus, arrepender-se e mudar de vida, as pessoas ouviam que tudo estava bem, que não havia motivos para arrependimento, e nem seria necessário temer a ira do Senhor. Que tipo de pregação faz mais sucesso do que esta? Ora, ninguém gosta de ser corrigido. Ninguém gosta de ser confrontado com os seus erros. A pregação mais simpática é aquela que legitima a minha conduta, mesmo que ela seja incorreta. Por isso, prezada comunidade, tal como no Brasil do século XXI, na Judá dos tempos de Jeremias, imperava uma triste crise de ética.

E Jeremias percebe claramente as razões desta crise. Ela era na verdade uma crise de autoridade. A palha, quer dizer, as falsas profecias, estavam sendo confundidas com o trigo, ou seja, a palavra de Deus (cf. v. 29). A palavra de Deus já não mais era autoridade a ser respeitada e observada. E então, uma nefasta permissividade se instalou entre o povo. Sem o conhecimento e a obediência à palavra de Deus, que é fogo e martelo, cada um vivia conforme o seu ideal, baseado em suas próprias convicções, indiferentes às leis do Senhor, ignorando que estas tinham sido dadas outrora como balizas para o bem estar da humanidade.

Uma pergunta: não é isso que vemos acontecer também entre nós? É certo que as Escrituras necessitam ser contextualizadas. Mas essa tal da contextualização parece estar sedo confundida com banalização. Quem ou o que tem orientado a sua conduta, as suas escolhas, as suas preferências? Acho que boa parte do nosso povo não mais encontra orientação na palavra de Deus, mas nos falsos profetas do nosso tempo, a exemplo da mídia, ávida em fazer a nossa cabeça conforme os seus valores; valores estes quase sempre divergentes da vontade de Deus. Você já se deu conta de que, vez ou outra, estamos torcendo pelos bandidos das novelas, ou invés dos "mocinhos"? É uma terrível inversão de valores. E tal inversão já tem mostrado seus resultados. Disso nem precisamos falar. Estamos ouvindo os falsos profetas, querida comunidade, e não a Deus. É uma pena, porém, que os profetas do nosso tempo não tenham para conosco "pensamentos de paz e não de mal" (Jr 29.11), como tem o Senhor.

O entendimento de que a palavra de Deus é poderosa como fogo e marreta que quebra grandes pedras é um dos postulados mais importantes para nós, cristãos de confissão luterana. Foi este fogo e este martelo que levou os reformadores do século XVI a silenciarem muitas mentiras. E é este fogo e este martelo que precisam tornar-se novamente autoridade sobre nós a fim de que nossos lares, locais de trabalho, comunidades e nação sejam transformados. Tal como sugere Jeremias, já é tempo de fechar os ouvidos aos falsos profetas e deixar-se conduzir pela palavra de Deus.

É hora de não mais confundir palha com trigo. Permita que Deus conduza o povo brasileiro e a todos nós por meio de sua eterna e boa palavra, mostrando um caminho seguro por onde andar. Disso depende o bem estar também de você, de sua família, sim de nosso país e de todo do mundo. Particularmente, gosto de pensar em Deus como aquele pai ou aquela mãe que ditam aos filhos o que é permitido e o que é proibido. Os filhos nem sempre se agradam de tais regras. Isso porque provavelmente não entenderam que seus pais estão apenas querendo protegê-los. Assim também Deus, prezados irmãos. Ele quer proteger-nos - de nós mesmos e nossa natureza rebelde, e deste mundo cheio de perigos.

Seja a palavra de Deus autoridade sobre o nosso pensar, falar e agir. É Deus quem sabe o que é melhor para nós.

Amém.




P. Marcos Henrique Fries
Lages, SC
E-Mail: mhenriquefries@yahoo.com.br

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