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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Dia da Reforma, 31.10.2013

Predigt zu Salmo 46:1–7 (8), verfasst von Manfredo Siegle


 

Estimada Comunidade:

Na literatura infantil mundial, foi publicado um livro interessante; seu título: "A Grande pergunta - Por que eu vivo no mundo"?

Embora a pergunta sirva de introdução para o público infantil e para o público adolescente, a Grande Pergunta poderia ser feita também por pessoas adultas, de qualquer faixa etária. Qual é o sentido da minha vida? Por que existo no mundo? Quem busca o autoreconhecimento é o ser humano. Na obra literária mencionada, foram feitas várias tentativas para responder à Grande Pergunta. Cada qual, a partir do seu ponto de vista e com alguma dose de fantasia, deu a sua resposta: Por que eu existo no mundo?

- O irmão respondeu: estás aqui para festejar o aniversário;

- A avó disse: é natural que vives no mundo para que eu te possa acostumar mal;

- O pássaro sentado no galho verde afirmou do seu jeito: para que cantes a tua canção predileta;

- A pedra dura e fria se manifestou: estás aqui só para estar aí;

- O cego acrescentou: existes no mundo para confiar;

- A irmã respondeu: para que te ames a ti mesmo/a;

- E a mãe afirmou: estás aqui porque eu te amo!

O livro em questão tem como alvo: levar às pessoas leitoras a descobrirem as suas próprias histórias de vida. Não é difícil traçar uma linha para a história dos reformadores da Igreja e, em especial, para a vida do reformador Martim Lutero. O reformador nascido, em Eisleben, Alemanha, viveu uma vida angustiada, oprimida pelo medo, sob uma pressão horrível. Era pessoa piedosa, porém, não conseguia desfazer uma dúvida pesada: "como agradar a Deus e evitar a condenação eterna e escapar do inferno"? Em busca de resposta e de consolo, Lutero procurou uma saída, desejava ansiosamente melhorar a sua fotografia pessoal diante do Deus-Juiz. Largou tudo e ingressou no mosteiro. Achou que o mosteiro era mundo sadio, sem manchas! Mas não foi no mosteiro que ele encontrou a paz que almejava. Queria firmar a confiança irrestrita em Deus, descobrir a oferta da esperança que dá graça à vida e vivenciar o amor de Deus. A angústia não se desfez e a paz não veio. Até que um superior no mosteiro lhe abriu uma porta: "Martim, tu não deves ver em Deus só um juiz para te castigar, aceita Deus como um Pai que te ama"! Uma nova fotografia de Deus lhe foi revelada. A história narrada nos versos do Salmo 46 foi de enorme importância para o reformador. As ações maravilhosas realizadas por Deus mostraram um rosto de Deus diferente, mais próximo e mais bondoso. A nova visão do Deus que é refúgio, força e socorro bem presente nas horas de aflição foi consoladora e alimentou a confiança no Deus verdadeiro. Tarefa da Igreja é deixar fluir essa Boa Notícia de geração em geração. A vida de Lutero, antes oprimida pelo medo, experimentou agora libertação.

Em meio às experiências mais devastadoras, o povo da Antiga Aliança, Israel, experimentou salvação; recuperou a sua qualidade de povo amado por Deus, escolhido por amor entre as nações da terra. O Deus atuante e protetor é aquele que não deixa o seu povo a sós. Por isto, é ao Senhor amoroso a quem se dirige o cântico de louvor e a adoração da comunidade. Contar adiante essas histórias é missão da comunidade. O Salmo 46, nosso texto-base, retrata como o povo de Deus enxerga a imagem de um rio, cujas águas correm tranquilas procedentes do templo sagrado. As águas que corriam, anteriormente, do jardim do Éden se deslocaram, à cidade santa, Jerusalém. As águas, outrora, da destruição e do caos (dilúvio) se transformaram em águas de bênção e de proteção para o mundo todo. Por isto, "venham e vejam o que o Senhor tem feito" (V 8). Nem as crises pessoais, nem os escombros ou a destruição estão com a última palavra. A fé se alimenta da esperança que Deus começou um novo caminho, para toda a humanidade, não só para o povo de Israel. Deus escolheu filhos e filhas, no Batismo, confia neles e prometeu em Jesus Cristo que nunca os/as abandonaria. No decorrer da história, Deus entrou em cena, veio habitar entre humanos para ofertar esperança e reconciliação. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Único Filho"...

Por que existo no mundo? Para quê estou aqui?

À medida que ouço as histórias de Deus presente na humanidade, a vida ganha outro sabor. A história de Lutero e dos reformadores que nos antecederam aproxima do Deus, Pai amoroso ou como Mãe consoladora; é o verdadeiro ombro amigo; ele vai conosco a caminho. A nossa história, quando manifesta atitudes de amor, de misericórdia e de gratidão, se confunde com a história que Deus escreve no cotidiano.

Quem sou eu? Eu vivo, por quê? Eu existo, para quê? Quem assim pergunta, é o ser humano! Os animais, as árvores ou os astros, no firmamento, não perguntam assim. É a pergunta típica do ser humano. Quem sou eu, diante da realidade da violência, do vandalismo, da corrupção? Quem somos nós, diante da riqueza do Evangelho, dos dons recebidos, das vozes e dos símbolos que sustentam a esperança e a confiança? Quem somos nós diante da Missão de Deus? Quem assim pergunta é desafiado a deixar que Deus seja Deus e que nós, pessoas humanas, assumamos a nossa qualidade de humanos.

Sob a cruz de Cristo, somos despertados para vivermos a nossa própria fragilidade e aceitarmos as limitações humanas. Olhamos o futuro com esperança, "porque nada nos poderá separar do amor de Deus". Aliás, o amor de Deus é a matriz e vem antes da história da reconciliação e do perdão.

Se Deus é Castelo forte e bom, Ele também é fonte da esperança e da salvação. O Cristo da Páscoa nos inspira para o serviço no mundo. E o apóstolo Paulo (1 Co 4.7), com boa dose de ironia, quebra o falso orgulho de membros da comunidade em Corinto ao perguntar: Por acaso não foi Deus quem lhe deu tudo o que você tem? O recado que vem da Reforma é inconfundível; a graça de Deus é bastante: Por isto, há liberdade para servir com as mãos, os pés, com o bolso, também com os olhos e com a inteligência, que nos foi dada.

Amém.




P. em. Manfredo Siegle
Joinville - SC - Brasil
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