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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

2º Domingo de Advento, 08.12.2013

Predigt zu Isaías 11:1-10, verfasst von Michael Kleine

 

Nós podemos resumir toda a pregação de Jesus na seguinte frase: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Mc 1.15) O reino de Deus está chegando – esse é o centro da mensagem de Jesus. E esse é um dos pedidos que fazemos no Pai-nosso: Venha o teu reino! Mas, quem de nós sabe o que estamos pedindo aí?

O reino de Deus é o fim de um tempo e o começo de outro; é o fim desse mundo de violência, injustiças, dor, sofrimento e dúvidas. Deus vai por um fim nesse mundo que se afastou dele e começar um mundo novo, um novo tempo. A Bíblia está cheia de passagens que falam desta promessa e desta esperança. É uma esperança muito antiga de que Deus vai construir para o seu povo um mundo de paz, de justiça e de comunhão com Ele. Hoje nós vamos ouvir uma passagem que fala dessa esperança. É um trecho do livro do profeta Isaías, capítulo 11, os versículos 1 a 10: [leitura do texto].

Assim deveria ser o mundo que Deus criou: justiça que protege os mais fracos, sem privilégios para uns poucos, sem violência ou exploração; convivência pacífica entre as pessoas e com a natureza; um mundo sem medo, maldade ou danos. Segundo o profeta Isaías, o mundo não é assim por causa da rebeldia dos filhos de Deus (cf. Is 1.2ss). O povo de Deus decidiu se tornar independente, dono da própria vida, e esqueceu de que a sua vida e todas as coisas pertencem a Deus. Criamos as nossas próprias regras, definimos as nossas prioridades sem perguntar pela vontade de Deus. Nós adquirimos um conhecimento incrível em todas as áreas, mas nos falta o principal: o conhecimento de Deus (cf. Is 1.3). Por isso o mundo é um lugar onde a gente vive com medo, onde todos lutam contra todos em busca da sobrevivência ou de privilégios, onde a injustiça, a desigualdade, a violência e a corrupção campeiam soltas.

Isaías compara o povo de Deus com uma árvore que será cortada (cf. Is 6.13). É o juízo de Deus contra um povo que virou as costas para ele (6.11-13) e transformou a criação num caos. Mas o toco não será arrancado. Desse toco e dessa raiz brotará um novo ramo; e a esse ramo Deus deu o poder para governar o seu povo (11.2). Para Isaías o ramo seria o novo rei de Israel. Para nós o ramo é Jesus Cristo, o Filho de Deus. O mais importante é que com ele está “o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (11.2), aquele conhecimento e temor que nós perdemos. Ou seja: ele veio única e exclusivamente para fazer valer no mundo a vontade de Deus.

A vontade de Deus é que haja justiça e igualdade entre as pessoas. Por isso o Messias de Deus vem para acabar com a principal lei que governa o mundo: a lei do mais forte, o poder que os mais fortes têm sobre os mais fracos. O Messias não se deixa levar pelas aparências, nem é influenciado pela opinião/lobby dos outros (v. 3). Ele conhece a verdade e conhece o que está no coração de cada pessoa. Ele fará chegar a justiça aos mais pobres e humildes, aqueles que agora são pisoteados, explorados e esquecidos. Aqui nos lembramos da palavra de Jesus: “Bem-aventurados vós os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc 6.20). Já os perversos não terão chance alguma de existir lá onde Deus reina: “com o sopro dos seus lábios matará o perverso” (v. 4).

Lá onde reina a justiça reina também a paz. Quando as chances são iguais para todas as pessoas, quando não existe espaço para um se aproveitar do outro, aí os conflitos e as lutas diminuem. O profeta Isaías consegue enxergar uma paz nunca antes vista: os mais fortes (lobo/leopardo) convivem pacificamente com os mais fracos (cordeiro/cabrito); isso vale tanto para as pessoas como para os animais. Usando imagens do mundo animal, Isaías afirma que as normas e valores atuais serão invertidos no reino do Messias: o forte é que vai buscar abrigo e proteção junto ao mais fraco [no original: o lobo viverá como estrangeiro (dependente de proteção) com o cordeiro]. Até crianças guiarão animais selvagens e domesticados. Mas também a convivência entre as pessoas e os animais vai se tornar pacífica: bebês brincarão perto da toca das cobras sem precisar ter medo.

O motivo para esta paz é muito simples: o conhecimento de Deus voltou a este mundo. Como diz Isaías: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (v. 9). Através do seu Messias, Deus vai criar um novo tempo em que haverá perfeita sintonia entre o Criador e todas as criaturas. A vontade de Deus será a nossa vontade.

Somente Deus pode – e vai – criar um mundo onde reinam a paz e a justiça perfeitas. Nós nos afastamos demais dele para conseguirmos fazer isso. Mas isso não significa que nós devemos ficar parados/as esperando o dia em Jesus trará o reino de Deus. Quando nós pedimos: “Venha o teu reino”, logo em seguida dizemos: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Enquanto o reino de Deus não vem, nós procuramos viver em conformidade com a vontade de Deus. E nós sabemos exatamente o que ele quer, nós sabemos como deveria ser o mundo conforme o plano de Deus: justiça igual para todos/as; defesa dos direitos dos mais fracos, pobres e marginalizados/as contra aqueles que os exploram e pisoteiam; cooperação entre as pessoas e também com a natureza. Mesmo que não possamos criar um mundo de paz e justiça perfeitos, podemos e devemos contribuir para que esse mundo seja o mais parecido possível com o plano de Deus.

Por isso Jesus Cristo continua nos dizendo hoje: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Arrepender-se significa dar meia-volta, voltar os olhos e o coração para Deus novamente. Somente Jesus Cristo pode fazer isso, na medida em que ele nos reúne ao seu povo. Aqui, na sua comunidade, ele nos preenche com o conhecimento de Deus, através da sua palavra; aqui ele une o seu corpo ao nosso, através da sua Santa Ceia. E assim, preenchidos/as pela sua palavra e transformados/as no seu corpo, servimos como instrumentos do Filho de Deus para aumentar o seu reino, levando sua palavra aos que fazem parte da nossa vida e lutando para que a justiça se torne realidade para o maior número de pessoas possível.

O povo de Deus recebeu a honra de servir como farol que guia e atrai os outros povos ao reino de Deus. Nas palavras de Isaías: “Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada” (v. 10).



P. Michael Kleine
São Pedro do Sul/RS – Brasil
E-Mail: micha.kleine@yahoo.com.br

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