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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

Prédica para o 3ş Domingo após Epifania, 26.01.2014

Predigt zu Isaías 9:1-4, verfasst von Harald Malschitzki

Texto da prédica: Isaías 9.1-4

Evangelho do dia: Mateus 4.12-23

Irmãs e irmãos em Cristo, querida comunidade.

A história da humanidade é marcada por ameaças à sua vida e integridade das formas mais diversas; pode ser a ameaça a um grupo pequeno, a uma localidade, a um povoado, a um povo, a uma raça ou etnia. Exemplos não faltam.  A ferramenta para, por assim dizer, garantir a ameaça, são armas. Estas são cada vez mais sofisticadas  e ameaçadoras como podemos constatar em nossos dias. Diante de ameaças assim, como reagir?

Um jeito é ficar quieto e deixar que as coisas aconteçam, também todas as injustiças que fazem parte do quadro de ameaças;

Outra forma é abandonar todas as esperanças e buscar outros lugares. Migrações em massa também em nossos dias são testemunho deste ato de desespero e desesperança;

Outra opção é pegar em armas e revidar com a força, receita também em prática até os nossos dias.

O ser humano inventou ainda outras formas de ameaçar e se defender, mas  no final das contas se vai constatar que também os vitoriosos de um certo momento não duraram para sempre. Em outras palavras, o caminho da força e das armas não produziu paz e nem plenitude de vida para os seres humanos.

Sem dúvida,  há momentos de total desesperança, desesperança que gera desânimo e indiferença.

Por volta de 700 antes de  Cristo, boa parte de Israel se encontrava diante de uma situação assim de desânimo e desesperança. Os adversários eram poderosos e enfrentá-los com as armas equivalia ao suicídio...

O povo de Israel conhecia bem a figura de profetas, que não estavam aí para fazer previsões fantásticas, mas sim para advertir e encontrar palavras e visões de esperança. O profeta Isaías foi uma dessas figuras marcantes. Ele, num momento desesperador que o próprio povo tinha ajudado a criar, se lembra de um texto poético (quem sabe tinha sido até um canto) que convida e desafia  o povo a olhar para diante da ameaça iminente. Ouçamos um trecho do texto. Embora a reflexão se baseie somente nos primeiros quatro versículos, vale a pena ouvir mais alguns deles, que, aliás, nos vão soar conhecidos.

Leitura de Isaías 9. 1-7.

O texto remete a um outro poder, que não o das armas. Ele remete ao poder de Deus, criador de céus e terra e também criador daquele povo. No meio das trevas ameaçadoras, se vislumbra uma grande luz, uma luz que torna claras as coisas e as relações. Sob esta luz as armas poderosas do inimigo viram frangalhos e a alegria dos mais fracos é enorme.

Por detrás das palavras do profeta há uma mensagem de esperança, segundo a qual, apesar de todas as derrotas humanas, haverá vida plena para todos, pois este é o sentido da paz que se anuncia, por exemplo, através do “príncipe da paz”. Esta esperança nunca esmoreceu, ainda que tenham existido muitas derrotas por adversários.  Tempo e a história não conseguiram apagar a esperança dada por Deus a seu povo. A promessa de Deus é fundamento e ancoradouro dessa esperança.

Alguns séculos depois de Isaías Deus dá sua palavra definitiva de amor pela humanidade na pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo. Aqui Deus é mais radical do que nas palavras transmitidas por Isaías. Ele mesmo encarna, se torna gente e trilha um caminho de humildade e de paz, zombando dos poderosos e suas armas, mas desfazendo também aqueles poderes e poderosos que se apoderam das pessoas, enchendo-as de medo e desesperança com leis, costumes que roubam a liberdade. Mas não só isso: Jesus assumiu também os pecados da humanidade e os carregou nas suas costas até a cruz, libertando assim não apenas do fardo social,  mas também do fardo que separa as pessoas de Deus e umas das outras. No meio de todas as trevas de dois mil anos,  a luz não deixou de brilhar e de encantar e alumiar os caminhos de muita gente, que a partir daí se deixou guiar pelo próprio Deus para viver e agir do jeito que Deus deseja.

No entanto, sejamos realistas, seres humanos continuaram e continuam sendo inimigos mortais uns dos outros por motivos políticos, de nacionalidade, religiosos. Num ato de desesperança é de a gente se perguntar se faz sentido, se vale a pena investir o tempo e – quem sabe – a vida em favor dos outros por causa de Deus e seu Cristo.  Temos alguns exemplos que podem nos ajudar;

Lembremos o pastor Dietrich Bonhoeffer:  Quando a 2ª Guerra Mundial já estava visível no horizonte, ele fez o seguinte apelo em 1934: “Como se concretiza a paz? Quem convoca para a paz  de forma tal que o mundo ouça, seja obrigado a ouvir? Somente o grande concílio ecumênico da santa igreja de Cristo de todo o planeta poderá dizê-lo  de maneira que o  mundo, rangendo os dentes, tenha que ouvir a palavra da paz e os povos fiquem felizes porque esta igreja de Cristo arrancará as armas das mãos de seus filhos em nome de Cristo, proibindo-lhes a guerra e proclamando a paz de Cristo a todo este mundo delirante”.  Na época a maioria das igrejas não ouviu o apelo e se escreveram as páginas mais sangrentas da história humana.Depois da catástrofe igrejas retomariam o tema da paz.

Lembremos Martin Luther King em sua luta contra o racismo. Ouçamos algumas palavras de seu discurso “Eu tive um sonho” (1963): “Quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia  quando  todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir as mãos e cantar nas palavras do velho “spiritual” negro: Livres afinal, livres afinal”. É sabido que a segregação racial estava com seus dias contados. Verdade  que até hoje os problemas não estão todos resolvidos, mas é verdade também que os descendentes de King e todos os negros podem viver livremente junto com brancos e descendentes de quem quer que seja.

Não vamos esquecer  Nelson Mandela, falecido há pouco. Duas décadas de prisão não lhe tiraram a esperança de quebrar o “apartheid” em seu país e criar uma sociedade onde negros e brancos possam conviver. Também na África do Sul ainda há muitos problemas sociais, mas negros e brancos convivem no mesmo chão.

Três personagens que tinham mais do que apenas uma convicção política. Cada um deles – em tempos diferentes – foi movido pelo espírito de Deus a olhar com esperança para além de adversários e adversidades que estavam à porta. A eles foi dado ver e sentir a luz de um mundo sem guerra, um mundo de paz, do verdadeiro “shalom”, que significa integridade de vida para toda a humanidade.

Mas não se pode falar em profetas e nem nas pessoas mencionadas, sem lembrar que o seu envolvimento com Deus e sua causa não é gratuito. Bonhoeffer  foi executado em uma prisão nazista, Martin Luther King foi assassinado por sua ousadia, Mandela passou duas décadas na prisão. Não é preciso procurar  pelo preço do discipulado responsável; de repente ele poderá vir!

Nós vivemos num mundo perigoso, mesmo que se possam registrar muitos sinais bonitos de solidariedade, convivência e partilha. Se me perguntassem, eu responderia que desejo viver mil vezes em um  mundo com sinais estabelecidos por tanta gente, entre eles por Bonhoeffer, King, Mandela do que em um mundo sem eles.  Fortificados em nossa fé no Cristo  por eles e pelas “nuvens de testemunhas” mencionadas na carta aos Hebreus, e podendo vislumbrar a luz na escuridão pelo Cristo ressurreto, igrejas e cristãos em particular somos desafiados a “transformar espadas em arados”, ouvindo a palavra de Bonhoeffer de arrancar as armas da mão dos filhos de Deus. O que isso significaria em nossos dias? Será que somos capazes de imaginar e calcular o que está investido em armas por este mundo afora?  Seguramente com menos  do que todo esse dinheiro, todos os seres humanos até os últimos recantos de nosso planeta, teriam condições dignas de vida: saúde, educação, moradia, o pão de cada dia, saneamento da melhor qualidade.

É por tudo isso que cristãos e suas igrejas devem agir em  esperança, não sossegar, não se conformar, arriscar a própria segurança. Deus não nos abandona e não se cansa de nos chamar para que nos deixemos envolver pela luz que ele faz brilhar sobre a para todos os seres humanos e toda a sua criação. Que Ele não nos deixe fugir à responsabilidade; que ele, através de seu espírito, nos dê persistência e coragem. Amém.

ORAÇÃO:  Senhor Deus e criador nosso: Obrigado por nos dares esperança diante de situações desesperadoras; obrigado por nos desafiares, mesmo quando nossas forças e nosso ânimo fraquejam. Dá  que tantas testemunhas nos sejam exemplo e encorajamento para anunciar e viver sinais do teu reino. Por Cristo. Amém.



P. em Harald Malschitzki
Sao Leopldo
E-Mail: harald.malschitzki@terra.com.br

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