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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

2ş Domingo após Pentecostes, 22.06.2014

Predigt zu Jeremias 20:7-13, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

"Ai, meu Deus, não posso mais. Estou no fim das minhas forças." É este o desabafo do profeta Jeremias. Ele se queixa junto a Deus que o engajou e convocou para ser seu mensageiro. A crise dele não é de ordem pessoal. Jeremias não sofre de desajsutes psíquicos nem de qualquer outro problema de saúde. O que o faz sofrer é o "ministério" que Deus lhe confiou. Diz que Deus o enganou. Sente-se traído. Esperava outra coisa de sua vocação. Pensou que fosse fácil ser profeta. Mas não! O povo fecha os ouvidos ao recado de Deus. Não se importa com a vontade divina e agride quem nela insiste. Jeremias dá vasão à sua amargura clamando; "Ó Senhor, eles me desprezam e zombam de mim o tempo todo porque anuncio a tua mensagem." Jeremias faz uma experiência amarga. Percebe que ser porta-voz de Deus é tarefa ingrata. As pessoas não querem ser incomodadas e costumam reagir com indiferença, rejeição e até mesmo com ódio. O sofrimento já passa dos limites.

E não foi ele, Jeremias, que escolheu sua profissão. Muito pelo contrário, ele havia resistido ao chamado de Deus. Alegou ser muito jovem, de não ter o dom da palavra, de ser pessoa inexperiente. Deus, porém, não aceita as desculpas. Quer que Jeremias vá para ser profeta sobre as nações, para proclamar-lhes o juízo, para derrubar e construir com sua palavra. Ele deve anunciar a iminência de um grande desastre. Muito em breve virá a destruição, o castigo para a imprudência, sim, a safadeza dos políticos, dos governantes, do povo em geral. Eis aí o alerta! Ele está sendo exemplificado pela visão de uma panela cheia de água fervendo que se derrama sobre todos que vivem na terra. É o que Jeremias enxerga e o que serve para fundamentar seu envio. Somos informados sobre isso no primeiro capítulo do livro que conta a história de sua vocação. Ele tenta resistir ao chamado de Deus. Mas a tentativa é vã e inútil. Deus é mais poderoso. Jeremias não consegue esquivar-se. Deve aceitar a tarefa, da qual está sendo incumbido.

E então ele reclama. "Tu me enganaste!" Sim, Deus lhe havia prometido amparo. "...eu estarei com você para protegê-lo ", disse (cap 1.7). Mas a mão protetora de Deus parece ter sido fraca. Jeremias se sente "desamparado", deixado sozinho, abandonado num mundo hostil. Ele deve enfrentar sozinho um povo estúpido, rebelde, mal intencionado. E aí lhe vem a dúvida: Tem sentido o que faço? Não raro pregadores perguntam assim. Onde estão os frutos do meu empenho em favor da causa de Deus? Será que vale a pena? A falta de resultados visíveis pode causar frustração, decepção, desengano. "Deus, tu me obrigaste a abraçar este ministério que até agora me trouxe senão aborrecimento." Que vou fazer?

Uma voz íntima sugere: "Esquece!" Esquece Deus, esquece tua vocação, esquece a religião. Livra-te do peso de teu mandato. Deixa de ser profeta e dedica-te a outra atividade menos desgastante, menos estressante, mais atrativa. Jeremias pensou seriamente nessa possibilidade. Não mais queria falar em Deus nem emprestar a voz à sua palavra. Que o povo vá para o inferno. Ele é teimoso. Ele se recusa a combater a corrupção, a injustiça, as desigualdades sociais, vícios estes que destroem o futuro de qualquer nação. Aparentemente as pessoas querem (!) a ruína. Ora, se assim é, paciência! Deus, por favor, escolhe outros para serem teus profetas. Eu vou cair fora. Assim pensou Jeremias. Mas muito em breve constatou que não dá. Ele não consegue esquecer. A mensagem que deve transmitir arde dentro dele como um fogo inextinguível. Dói-lhe o coração quando cala diante da desgraça que vê se aproximando. Não! A causa de Deus é por demais preciosa, por demais importante, por demais urgente para ser "esquecida", enterrada, jogada no lixo. Jeremias não consegue trair sua missão. Sente-se obrigado a permanecer profeta.

E ele não se arrepende. Sua queixa termina em louvor a Deus. "Cantem ao Senhor Deus, louvem o Senhor, porque ele livra os pobres do poder dos maus." É assim que ele acaba falando. Sua lamentação se transforma em ação de graças. A promessa de amparo não faliu. Contrário às aparências Deus não o desamparou, nem mesmo o enganou como o profeta supeitava. Sua mão o segurou em meio ao sofrimento e na tentação. Sempre lhe garantiu o espaço de vida. Não raro as condições de vida ameaçam sufocar a fé e aniquilar a esperança. Jeremias é disto um exemplo. Chegou a acusar Deus de falsidade. Quase desesperou de sua missão. Mas Deus o arrancou do desânimo e lhe deu novas perspectivas. Ele é mais poderoso do que as adversidades da vida.

Esta é a história de vida do profeta Jeremias. Ela me lembrou de imediato da história de Jesus Cristo. Também ele sofreu por causa de sua missão, e isto em grau bem maior. Jeremias sofreu, sim, mas não foi crucificado. Mesmo assim existem semelhanças. Também Jesus sofreu o ataque do mal, e embora não se rebelasse contra Deus, sentiu-se por ele abandonado. Na cruz ele grita: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Jesus é lançado no mais terrível inferno, onde existem somente trevas. Faz sentido ser mensageiro de Deus num mundo que despreza a voz de Deus e crucifica os profetas? Por alguns momentos parecia que não. Jesus morreu e foi sepultado. Mas esta não foi a última palavra de Deus. Pecado, dor e morte não levaram a vitória. Na Páscoa uma nova luz veio a brilhar. O crucificado triunfou sobre os seus inimigos. Jeremias embora não fosse igual a Jesus deve ter experimentado algo semelhante. Somente assim se explica a mudança da lamentação para o convite a cantar louvores a Deus.

A importância da história de Jeremias, porém, não se esgota nisto. Ela é transparente para uma experiência comum de todas as pessoas que se sabem comprometidas com Deus. Anunciar o juízo, enfrentar o mal, cobrar os direitos de Deus neste mundo, isto provoca revolta ou até mesmo ódio. Ser profeta é uma atividade perigosa, aliás, muito à semelhança da de jornalistas. Jornalistas estão a serviço da verdade. Por isto se encontram entre os profissionais mais perseguidos em todo o mundo, particularmente em países sob regime autoritário. Também profetas costumam ser vistos com maus olhos. A seu modo estão igualmente a serviço da verdade. Proclamam a vontade de Deus que quer a justiça, o bem estar geral, a saúde do ser humano e da sociedade. Isto nem sempre agrada. Jeremias é disto um exemplo. E, no entanto, é este o compromisso dos profetas, sim, é este o compromisso de todos e de todas que se chamam cristãos. Todos nós que fomos batizados somos chamados a servir a Deus e à causa de seu reino. Nós não somos iguais a Jeremias. Ele recebeu uma vocação especial. Mesmo assim compartilhamos com ele algo do compromisso profético. Não podemos deixar o mundo como está. Não podemos permanecer indiferentes frente ao que ocorre no ambiente em que vivemos. Devemos levantar protesto contra os escândalos e os crimes que nos horrorizam. E nós o fazemos em nome de Deus que quer a salvação, não a ruína de sua criação.

A IECLB procura motivar jovens para abraçar o ministério na igreja. Nós precisamos de mais pastores e pastoras, de catequistas, diáconos e diáconas. Aliás, precismos também de presbíteros, de leigos engajados, de membros ativos. Mas precisamos também de gente que se entusiasma com o ministério. Como visto no texto de hoje, o exercício deste ministério às vezes é nada fácil. Convém não iludir-se quanto a isto. Não obstante eu pergunto: Por que Jeremias acabou louvando a Deus? Obreiros e obreiras de Deus exercem uma atividade de vida e morte. Estão a serviço não só da verdade como também da salvação em sentido amplo. Existe coisa mais importante do que esta? Sem o respeito a Deus e à sua vontade este mundo não tem futuro. Jeremias, vai e proclama isto! Sê profeta a serviço de teu Senhor. E convida muitas pessoas, inclusive a nós, gente do século 21 a compartilhar essa missão.

Amém!

 



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS, Brasil
E-Mail: brakemeier@terra.com.br

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