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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

10º Domingo após Pentecostes, 17.08.2014

Predigt zu Isaias 56:1.6-8, verfasst von Paulo Sergio Einsfeld

Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo esteja com todos nós. Amém.

            No início do cap. 56 de Isaías lemos: "O Senhor Deus diz ao seu povo." Não é a opinião de qualquer pessoa que está expressa aí, mas a Palavra do próprio Deus. E  é palavra do Senhor Deus que agiu em favor do seu povo no passado, que o trouxe de volta para a terra de Israel.  Se é Palavra de um Deus assim, que guiou e protegeu seu povo desde a saída do Egito, então temos motivos para confiar nele, e nos curvar em reverência diante de suas palavras. Reunidos em culto, acolhamos suas palavras como ensinamentos para nós hoje.

- leitura de Isaias 56.1,6-8.

            Duas palavras muito usadas pelos profetas são "justiça" e "salvação".  A primeira,  justiça,  é algo a ser praticado pelas pessoas comuns, pelos governantes, por instituições e nações. Praticar a justiça é exigência de Deus para a toda a  humanidade.

            A segunda palavra, salvação,  é da competência do próprio Deus. Somente Deus pode oferecer a salvação, e ele o faz de forma definitiva em Jesus Cristo.  Mas ainda não temos essa verdade tempo do profeta Isaías. Naquele tempo, o Deus  manifestava sua vontade salvadora de outra forma.

            O profeta  pede que os estrangeiros se unam aos israelitas para juntos prestarem culto no monte santo em Jerusalém. No Antigo Testamento, as pessoas chegam a Deus por meio da obediência às leis, como observar a santidade do sábado, dia de descanso e de adoração.  Quem assim observa as leis, demonstra  seu amor a Deus e o adora e serve de todo o coração. E para esses, há boas promessas reservadas pelo Senhor. É como se Deus dissesse: " Vocês estrangeiros, vocês discriminados por alguma doença física ou mental, vocês pobres viúvas e órfãos,  todos  vocês terão um lugar especial em minha Casa de Oração. Vocês vão rir de felicidade diante do meu altar!"  Dessa forma se concretiza a salvação, anunciada e prometida através do profeta Isaías. E tem mais promessa para o futuro: "Vou trazer ainda outros para a terra de Israel e juntá-los ao meu povo que eu já trouxe de volta." Tem lugar para mais gente no povo de Deus, e na reunião na Casa de Deus.  O povo e a Casa de Deus são espaços sempre abertos a novas pessoas.  Será mesmo?

             Na história da IECLB nem sempre foi assim. Nossos pais e mães imigrantes da Europa não encontraram um sistema religioso brasileiro aberto para eles. Somente a religião católico-romana era aceita. Os casamentos entre evangélicos não eram oficiais. Os cultos eram realizados em casas ou cabanas sem torres ou sinos. Houve muita coragem para continuar se reunindo, celebrando sua fé. Educaram suas crianças de forma dupla: para serem discípulas de Jesus Cristo e para serem boas cidadãs da pátria. Pátria, sim, que lhes foi hostil, mas em que se inseriram, produziram alimentos, defenderam em guerras regionais, ajudaram a industrializar.

            Nossos pais e mães, ao longo de 190 anos de imigração, mantiveram igrejas e escolas lado a lado, símbolo dessa dupla educação: na fé cristã e na cidadania.  Mas essa Comunidade que ali surgia era claramente definida como "Igreja dos alemães" . Até hoje herdamos esse apelido.  Até hoje temos dificuldade em acolher pessoas de etnias e cores diferentes da nossa.  Foi nos passada a ideia de que o "sangue" de descendentes de alemães é "melhor", mais "forte". Infeliz ideia. Desumana.  Anti-evangélica! Contrária aos propósitos de Deus! Por isso temos pecado a confessar. O Prof. Martim Dreher nos lembrava disso em recente mensagem. Que nosso Deus, criador da diversidade de raças e povos, tenha misericórdia de nossa Igreja, por todo  gesto e pensamento de discriminação racial! Dependemos de sua graça e bondade, também aí, como Corpo de Cristo que quer se colocar sob a orientação da "Palavra do Senhor Deus", tal como Isaías nos convoca.

            E como Corpo de Cristo, aliás, muitas vezes deixamos de valorizar os membros mais fracos, pequeninos.  Como pastor percebo  vários tipos de  comunidade: uma se reúne para Culto e oração. Outra aparece depois que o sino badala e se reúne em torno de pratos e copos. Já outra comunidade é aquela dispersa  em muitas casas, formada por idosos enfraquecidos e acamados,  doentes de Parkinson antes da velhice, pessoas que sofreram AVC,  deprimidos, doentes do álcool,  com síndromes de pânico de multidão, enlutados, cuidadores. (OBS: Cada pregador pode incluir situações específicas de sua comunidade!) Costumamos interceder por essa comunidade "oculta"  na oração final, mas o que mais podemos fazer por ela? Como incluir esses pequeninos irmãos e irmãs de Cristo em nosso meio?  Nossa comunidade tem um grupo de visitadores? Há pessoas que levam solidariedade em nome de nossa comunidade, que agora se encontra reunida,  para essa gente?  Aí estão pessoas parecidas como as que Isaías menciona: que se alegrariam muito em estar juntos na Casa de Oração, adorando ao mesmo Deus.

            Querida Comunidade! Eu não queria incomodá-los nessa hora tão especial. Mas é a Palavra de Deus, manifestada aos profetas, revelada em Jesus Cristo, que nos desafia a olhar para além das paredes de nosso templo e salão.

            Estamos em plena Campanha de Ofertas para a Missão. Queremos ser Igreja missionária nesse país. No tempo de Isaías e em todo o Antigo Testamento, fazer missão era atrair as pessoas ao grande templo de Jerusalém. Lá se reunia o povo escolhido. As bênçãos de Deus iriam atingir os outros povos, na medida em que eles participassem dos rituais e sacrifícios no templo e obsevassem rigorosamente as leis.

            Mas no Novo Testamento temos outro conceito de missão. O próprio Jesus pediu: "Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas." (Mc 16.16). Ou ainda : "Façam discípulos de todas as nações" ( Mt 28.19). Jesus ensina que fazer missão não é centralizar tudo no espaço da comunidade constituída. Missão é um movimento de sair do centro para a periferia  em busca de pessoas afastadas da comunhão.  É testemunhar nossa fé. É visitar os membros e conhecer as condições em que vivem.  É convidar, sim, a que venham unir-se conosco.  Mas também é acolher bem, oferecer calor humano. Demonstrar num abraço o calor do amor de Deus.

            O sonho do profeta Isaías de ver todos os povos estrangeiros participantes da salvação de Deus é um sonho que passa pelos evangelhos, por Atos dos Apóstolos e pelas cartas às comunidades, até o Apocalipse. É justamente na glória dos céus, que a adoração festiva será perfeita e grandiosa, quando lemos em Ap 7.9-10: " Olhei e vi uma multidão tão grande, que ninguém podia contar. Eram de todas as nações, tribos, raças e línguas. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro, vestidos de roupas brancas, e tinham folhas de palmeiras nas mãos. E gritavam bem alto: - Do nosso Deus, que está sentado no trono, e do Cordeiro vem a nossa salvação." Que esta seja também a nossa firme esperança. Amém.



P. Paulo Sergio Einsfeld
Nova Petrópolis/ RS
E-Mail: peinsfeld76@gmail.com

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