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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo do Advento, 21.12.2014

Predigt zu 2 Samuel 7:1-11.16, verfasst von Ildo Franz

Que a graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus o Pai, e a comunhão do Espírito Santo esteja conosco, nos trazendo entendimento da sua Palavra. Amém.

QUAL O ENDEREÇO DE DEUS? ELE TEM SEDE PRÓPRIA?

Frequentemente ouvimos anúncios e propagandas de empresas que com muita alegria estão atendendo em novo endereço, agora com sede própria. Também é motivo de regozijo quando uma comunidade constrói o seu templo após anos de reunião nas casas, e a frase que ouvimos é, "agora temos nossa sede".

Neste quarto Domingo de Advento, somos novamente convidados a olhar para a manifestação de Deus para dentro deste mundo, sempre de forma inusitada e surpreendente, muito além das capacidades e percepções humanas e que não possui endereço fixo, mas que nos lembra da sua onipresença. Esse jeito de Deus agir conosco, sempre é para nós um mistério (Rm 16.25) que somente conseguimos compreender a partir dos olhos da fé (Rm 16.26) transformando o nosso pensar e agir.

Leitura Bíblica: 2 Samuel 7.1-11; 16

Nosso texto de reflexão nos apresenta um tempo de bonança na vida e reinado do rei Davi. Ele que anteriormente vivera em cavernas, entre os filisteus enquanto fugia da perseguição e fúria do rei Saul e suas tropas, agora possui sua própria fortaleza, de onde governa o povo de Deus, tanto de Israel como de Judá (2Sm 5.1ss).

Davi olha ao seu redor, e percebe que está numa situação confortável, vivendo tempos pacíficos, as peregrinações do povo haviam ficado para traz, tendo agora "sede própria" habitando a terra que o Senhor lhes havia prometido. No entanto, diante deste cenário, Davi começa a inquietar-se com a "morada de Deus", a Arca da Aliança (representação da presença de Deus). Na sua compreensão algo está errado, se agora como rei ele vive num palácio, Deus não poderia ficar morando num lugar provisório, frágil, numa "tenda".

Davi sabe que o lugar e posição que ocupa como rei, foi atribuição do Senhor, pois, "...o Senhor Deus o livrou de todos os seus inimigos" (v.1). Ele entende que diante da nova situação de prosperidade do seu reinado, é incompatível que àquele que lhe conduzira ao reinado esteja numa situação inferior a sua, ou seja, a tenda não reflete a glória e a majestade de Deus.
Na melhor das intensões, Davi procura o aval do profeta Natã, que de prontidão avaliza o projeto do rei, pois entendia que Deus estava com o Davi (v.3). No entanto, a resposta de Deus diante do empreendimento foi diferente, mostrando que o projeto do Reino de Deus é diferente da lógica humana.

A partir da mensagem de Deus ao profeta Natã, endereçada a Davi, podemos aprender algumas coisas importantes e essenciais.


1) No relacionamento com Deus, nunca é o ser humano que dá o primeiro passo, sempre a iniciativa é de Deus. Deus deixa claro que não é Davi que constrói uma casa para Deus, mas é Deus quem constrói uma casa para Davi. O rei e o profeta são importantes, mas não passam de simples servos que devem estar sob a orientação e a vontade do Senhor Deus.
Também não fomos nós que escolhemos a Deus, mas foi Ele que nos escolheu (Jo 15.16), nos chamou (Is 43.1) desde o dia do nosso Batismo para sermos Dele, e servirmos em seu reino. Assim como Deus mostrou para Davi e Natã, também a nós Ele quer mostrar que, por melhor que seja a intenção, mesmo que tenhamos certeza de que Deus está conosco, é indispensável perguntar e pedir pela vontade de Deus.

2) Com a atitude de Davi de querer construir uma "sede própria", um endereço fixo para Deus, a resposta Dele nos mostra que a tentativa humana de todos os tempos, de "manipular Deus", de querer coloca-lo em "caixinhas" é frustrada e ignorada pelo próprio Deus.
Com frequência em nossos dias vemos que o ser humano continua tentando construir "sede própria", limitando o agir de Deus a esta ou aquela denominação religiosa, templo ou liderança religiosa.
3) Diferente da lógica humana e das suas expectativas, a ação e o agir de Deus sempre são inusitados e inesperados. Ele sempre surpreende, escolhendo as coisas fracas, insignificantes, pequenas para manifestar o seu poder, sua majestade, mostrando a sua vontade.
Davi, um simples pastor de ovelhas, que sequer foi chamado pelo pai Jessé (1Sm 16.5; 11;) para o momento da visita do profeta Samuel que tinha sido enviado por Deus para ungir o novo rei de Israel, é transformado num "pastor do povo de Deus".

Em nossos dias este também é um desafio. Enquanto muitos procuram grandes sinais e manifestações de Deus por meio de feitos extraordinários, somos desafiados a abrir nossos olhos para as manifestações de Deus no ordinário, nas coisas consideradas insignificantes das quais nem lembramos porque vivemos no "piloto automático". Se abrirmos nossos olhos, vamos perceber que Deus nos surpreende nos mostrando nossa dependência Dele. Cabe aqui refletir a partir de Lutero sobre o "pão nosso de cada dia", e assim veremos o extraordinário agir de Deus no ordinário.

4) Deus é o Deus da contramão. Enquanto que a expectativa humana de Davi era de apresentar o Senhor numa pompa de um bonito templo, Ele lembra que durante toda a caminhada do povo de Israel, desde o Egito até então, "... andou em acampamento errante debaixo de uma tenda e um abrigo" (v. 6).


Isto novamente nos mostra que Deus vem ao encontro do seu povo, e, ao invés de escolher "casa" sólida, construção, ele escolhe a "casa" frágil de carne e osso (casa de Davi), pessoas, que ao abrirem a porta, Ele habita, faz morada (Ap 3.20).

5) Deus faz uma promessa. Ao contrário do que Davi estava pensando, em realizar um "favor" para Deus, construir-lhe uma "casa", agora Davi ouve que, "...o SENHOR te faz saber que ele, o SENHOR, te fará casa" (v.11b), e "...a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre" (v.16).

Fica evidente, que tudo é agir de Deus, tanto o querer, como o realizar de todas as coisas (Fp 2.13), assim como a promessa de sua presença ‘para sempre'.
Todos os aspectos que refletimos a partir do nosso texto, se tornam visíveis e concretos na encarnação de Deus em Jesus Cristo, como cumprimento da promessa proferida a Davi (Lc 1.32s).
Mesmo que vivemos outros tempos, o agir de Deus continua sempre o mesmo, pois veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, onde "armou tenda" entre nós, e continua vindo ao nosso encontro por intermédio da sua Palavra e dos Sacramentos.

Ele continua, assim como no tempo de Davi, a rejeitar as "casas de cedros" (os templos), desejando habitar, ser recebido nas "casas de carne" (Jo 1.12s).
Nós construímos templos para o encontro da comunidade, mas é Deus, e somente Ele que "constrói a casa", a comunidade. Nós, apesar de nossas fraquezas, fragilidades e limitações, continuamos sendo somente instrumentos, chamados e usados por Deus para proclamar a sua Palavra.
"Louvemos a Deus! Pois ele pode conservar vocês (a nós) firmes na fé...", a Ele "seja dada a glória para sempre, por meio de Jesus Cristo! Amém!" (Rm 16.25ª; 27;)
(Obs.: Na pregação foram usadas citações das traduções da Bíblia Linguagem de Hoje, Almeida e de Jerusalém.)



Pastor Ildo Franz
Caçador/SC
E-Mail: ildemafra@gmail.com

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