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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4ş Domingo após Epifania, 01.02.2015

Predigt zu Deuteronômio 18:15-20, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Estimada Comunidade!

O texto para a pregação neste domingo contém instruções para a conduta do povo de Israel na terra prometida. Depois de ter sido libertado da escravidão no Egito e passado pelo deserto com seus numerosos perigos o alvo está próximo. Mas ele ainda não foi alcançado. Falta a última etapa. É a situação em evidência nesse texto. Diz o V 9: “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.” É Moisés quem fala. Ele pretende alertar para os cuidados a serem tomados no novo ambiente. Israel vai enfrentar mais outras ameaças. Poderá ser seduzido a fazer o que desagrada a Deus. Pois aquela gente, com a qual Israel vai futuramente conviver é pagã. Tem outros costumes, outro jeito de viver, tem outra religião. Eles têm outros deuses, outra fé, práticas que aos olhos do Deus de Israel são um horror. O pessoal é supersticioso. Parece que até mesmo sacrificavam-se crianças em casos de calamidade pública, achando-se que dessa forma pudesse ser revertida a desgraça. É o que a expressão “passar pelo fogo o teu filho ou filha” insinua. Seja como for, existem incompatibilidades entre o Deus de Abraão, Isaque e Jocó e as divindades cultuadas na terra, da qual Israel dentre de breve tomará posse.

Israel necessita de orientação. Deve aprender que religião nem sempre significa a mesma coisa. Está errado dizer que adoramos todos o mesmo Deus. Deus é um só, sem dúvida alguma. Mas as imagens que a seu respeito se faz divergem. Não existe nenhum consenso sobre como falar de Deus devidamente nem sobre as exigências a serem atendidas pelos fiéis. Qual é a religião certa, qual é a errada? Onde está a verdade? Religião pode ser motivo de ferozes conflitos. Ela pode provocar guerras santas, verdadeiros massacres, destruição e morte. Religião de modo algum é garantia de paz, infelizmente. Por isto mesmo é preciso distinguir entre os “deuses” a que se dá culto. Eles de modo algum são iguais. O Deus de Jesus Cristo tem o seu próprio código de ética. Ele não aprova as “abominações” correntes na sociedade e no mundo. Importa não confundi-lo com outras divindades, particularmente com aquelas que sancionam a violência e julgam o “sacrifício de pessoas”, ou seja, o assassinato uma obra de fé. Da mesma forma poderia ser incluída no rol das “abominações” (a ‘Bíblia na linguagem de hoje’ fala em “coisas nojentas”) a corrupção. Ela produz a miséria de amplos contingentes da população e subverte a moral. Não deixa de ser igualmente uma forma de assassinato. Há coisas de que Deus não gosta, que ele repudia e que levam o povo à ruína. Israel, antes de entrar na terra prometida, necessita de orientação.

Mas quem seria competente para fornecê-la? De onde poderia vir a orientação de que Israel precisa? Ora, ela certamente não virá de gente dúbia, ou seja de adivinhadores, futuristas, especuladores. O povo de Israel precisa de fato é de um “profeta”. O próprio Moisés o confirma. Ele faz uma promessa, dizendo assim: “Do meio de vocês Deus escolherá para vocês um profeta que será parecido comigo, e vocês vão lhe obedecer.” Em outros termos, Israel necessita de um novo Moisés, de um porta-voz de Deus, de alguém que lhe traduz a vontade. A essas alturas, Moisés já é velho. Vai morrer em breve. Nem verá a terra prometida. É possível que a disputa sobre a sucessão já tenha iniciado. Isto é normal e seria estranho se no caso de Moisés fosse diferente. Quando se trata de cargos importantes, os candidatos costumam ser muitos. O texto não fala sobre isto. Claro está que o povo não pode ficar acéfalo. Moisés precisa de alguém que o venha substituir. E não pode ser qualquer um, Deve ser um profeta, ou seja, alguém, comprometido com Deus e sua causa, semelhante ao próprio Moisés. E aí vem a boa notícia: Deus mesmo há de escolher o novo líder, capaz de dar orientação e rumo. Este indicará o caminho a trilhar e o estatuto a seguir. Deus não vai abandonar seu povo.

É o que Deus de fato não fez. Israel chegou lá, na terra que tinha sido prometida aos patriarcas e que por tanto tempo havia sido ansiada pelo povo. Ele despertou não só um sucessor de Moisés, mas muitos. Isaías, Jeremias, Amós e os tantos outros, cujos depoimentos estão registrados na Sagrada Escritura, todos eles podem ser considerados sucessores de Moisés. Deles somos herdeiros também nós, cristãos e membros da igreja de Jesus Cristo. Continuamos a nos beneficiar dos tesouros que nos legaram. Textos proféticos do Antigo Testamento são lidos, refletidos e pregados em nossos cultos. Isto mais que dois milênios depois de escritos. Verdade é que os tempos mudaram. Nós não estamos às portas de uma terra prometida. Nós não aguardamos a chegada de um novo Moisés. Também as “abominações” temidas pelo antigo povo de Israel mudaram de cara. Convém não ignorar a diferença dos tempos. Atualmente uma das maiores urgências são lideranças capazes de assegurar a paz, seja entre os povos, seja entre as raças, as religiões e outros grupos. Conflitos internos e externos ameaçam infernizar a vida das pessoas e arrastar o mundo ao abismo. Precismos de pacificadores. Além deles, temos outras necessidades. Penso em defensores do meio ambiente, em juízes comprometidos com a justiça, em gente engajada em corrigir as distorções da economia. Mas em “profetas” ninguém fala. Podemos abrir mão deles?

Ora, se há o que separa o mundo do Antigo Testamento do nosso, também há o que os une. Assim como a falta de orientação foi problema ontem, assim o é hoje. Vivemos num mundo confuso, caótico, perplexo. Já não mais sabemos em que devemos crer. O lucro passou a ser a dividade máxima. Todo o mundo o cultua sem perguntar pelo preço. Não quero ser injusto em meu juízo. Talvez haja exceções. Mas as evidências confirmam a suspeita. Acontecem por demais loucuras em nosso mundo, verdadeiras “abominações”, “coisas nojentas”. Sumiram os parâmetros éticos. Eu não quero entrar em detalhes. Pergunto, porém, se não é assim mesmo. Falta orientação. Asim como ela faltou ao povo de Israel no tempo de Moisés, assim ela falta hoje. Para suprir a deficiência não bastam os “técnicos”. Há algo mais grave a consertar do que desajustos na balança comercial, por exemplo. Da mesma forma é evidente que a construção da paz exige mais do que habilidade diplomática. Sem reconciliação, sem justiça, sem a aprendizagem da fraternidade paz permanece pura ficção. Orientação é mais do que “know how” técnico.

Por isto mesmo o mundo necessita de pessoas com jeito profético. Não se trata de uma questão de título. “Profeta” deixou de ser um ministério na Igreja, e na sociedade gozam da imagem de uma instituição antiquada. Mesmo assim, também hoje profetas cumprem importante papel. Os técnicos são importantes, sim. Mas para ter sucesso necessitam do respaldo de pessoas comprometidas com a sabedoria, com o direito, enfim com a fé, o amor e a esperança. Profeta é quem sabe indicar não apenas uma solução, e, sim, um caminho. É o que distingue a boa liderança de um mero especialista neste e naquele assunto. E são justamente tais pessoas de que há carência aguda na sociedade moderna. Precisamos de gente com uma visão, com uma proposta convincente, com uma concepção clara do alvo a perseguir. E eu me atrevo a dizer que em tal concepção Deus não pode faltar. Aliás, não qualquer Deus e, sim, o trino Deus, que a um só tempo é criador, mantenedor e salvador.

Ainda estamos na época da epifania. Epifania significa “aparição”. Nós celebramos a aparição, respectivamente a revelação de Deus em Jesus Cristo. Por isto mesmo já não há razões para aguardar a chegada de um novo profeta. A promessa de Moisés se cumpriu no Natal. Em Belém nasceu aquele que é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Ele mesmo o disse e assim a comunidade cristã o confessa. Em perspectiva cristã profeta só pode ser alguém que segue Jesus, ou seja, uma pessoa que lhe agradece os benefícios e que se sabe compometido com seus ensinamentos. Um mundo caótico está sendo convidado a ouvir-lhe o recado. Nele a própria palavra de Deus se faz ouvir, dando sentido à existência humana e capacitando para novidade de vida. Ela anima para dar “glória a Deus nas alturas” e insiste na promoção da paz na terra. Jesus não permite separar as duas coisas. Religião que não está a serviço do bem da criatura, adora outro Deus do que aquele que no Natal se revelou. É o amor, revelado em Jesus que credencia o verdadeiro profeta. Profecia autêntica cura os males deste mundo, sendo que todos os membros da igreja de Jesus Cristo estão chamados a se engajar nesta tão importante tarefa, inclusive nós mesmos.

Amém.

 



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis, RS
E-Mail: brakemeier@terra.com

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