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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo na Quaresma, 15.03.2015

Predigt zu Números 21:4-9, verfasst von Marcos Henrique Fries

Estimado irmão e estimada irmã!

Uma das mais belas capacidades humanas é a possibilidade de enxergar. Os olhos são como janelas que nos permitem contemplar tudo que há de belo na criação de Deus. Satisfaz a alma ver a imensidão do mar, o verde das matas ou a geada cobrindo os campos. Alegra o coração ver um sorriso estampado no rosto de uma criança, assistir a um filme ou conhecer lugares novos e bonitos. Existem, é claro, pessoas que não podem enxergar com os olhos. Mas felizmente, hoje, entendemos que há outros meios de “ver” e interagir com o mundo que nos cerca. E isso é muito bom.

Mas há coisas que não gostamos de ver. Os noticiários, por exemplo, colocam diante dos nossos olhos, diariamente, cenas de violência e tragédias que, ao invés de proporcionarem alegria e prazer, trazem tristeza e indignação. Também não gostamos de enxergar a natureza agredida, os muros pichados, as ruas sujas, os profissionais do sexo nas esquinas e os tantos jovens e velhos dormindo debaixo das marquises. Tudo isso causa alguma repulsa em nós e, bem por isso, às vezes gostaríamos de não ver certas coisas, afinal, “o que os olhos não veem, o coração não sente”, diz um conhecido ditado. Não vendo, nada sentimos. E se nada sentimos, também ficamos desobrigados da necessidade de agir para a transformação de certas realidades “feias” aos nossos olhos.

Neste sentido, penso numa dimensão de nossas vidas que muitas vezes preferimos simplesmente ignorar: o pecado. Não me refiro ao pecado dos outros - pois este até há quem goste de ver - mas ao nosso próprio pecado, às atitudes equivocadas e inconsequentes que nós, reiteradas vezes, temos. Se é verdade que “o que os olhos não veem, o coração não sente”, então é melhor fecharmos o olho para o nosso lado pecador, pois vendo o pecado, talvez tenhamos que empreender mudanças em nós, e isso, por exigir sacrifícios, é demasiado difícil. Entendemos por pecado a inclinação humana de fazer escolhas que não conferem com a vontade de Deus, que prejudicam a nós mesmos e às pessoas que nos cercam. E entendemos por “ver” o pecado a disposição de reconhece-lo e dele se arrepender. Essa atitude de ignorar o pecado, tão comum a nós, acaba por nos prejudicar seriamente, pois nos leva a afundar cada dia mais no lamaçal que criamos. É o que reconhece o rei Davi, ao dizer que enquanto calou sobre os seus pecados, envelheceram os seus ossos” (Salmo 32.3), ou ainda como escreveu Salomão em Provérbios 28.13: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia”.

O texto bíblico que lemos mostra que a cura e a salvação está na capacidade de olhar. Durante a caminhada pelo deserto rumo à terra prometida, o povo, diante das dificuldades, reclamou contra Deus e contra Moisés. Embora estivessem livres da escravidão e a caminho de uma terra cheia de fartura, foram tomados pela ingratidão, e esse pecado foi punido por Deus com serpentes abrasadoras que levaram muitos à morte. A pedido do povo, Moisés intercedeu junto a Deus para que as serpentes desaparecessem. A resposta de Deus foi para que se erguesse uma serpente de bronze. Aqueles que fossem mordidos pelas cobras, ao contemplarem a grande estátua, seriam poupados da morte. Por que uma serpente de bronze? Porque ela mostrava ao povo o seu pecado e, enquanto não vemos e reconhecemos o pecado, não há perdão.

Séculos mais tarde, Jesus, ao explicar para Nicodemos qual era a sua missão aqui na terra, lembrou deste episódio no deserto e disse: “E do mesmo modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (João 3.14-15). O que Jesus quis dizer? Que ele, como enviado de Deus, haveria de assumir o pecado da humanidade e ser levantado numa cruz. Quem ver/crer neste sacrifício seria vencedor sobre a morte.

Assim, prezados irmãos, a nossa salvação passa por não fechar os olhos para duas coisas: para o pecado que está em nós, que deve ser reconhecido, confessado e abandonado, e para o sacrifício de Cristo na cruz, que deve ser crido. Este é o olhar que salva: o olhar que vê o pecado a ser curado e o olhar que vê o Salvador pagando por ele com a própria vida. O Senhor Deus nos ajude a abrir os olhos para estas duas realidades das quais dependem a nossa salvação. Amém.



Marcos Henrique Fries
Lages, SC
E-Mail: mhenriquefries@yahoo.com.br

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