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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

7ş Domingo apos a Páscoa, 17.05.2015

Predigt zu Salmo 1:, verfasst von Harald Malschitzky

 

Irmãs e irmãos em Cristo.

Um dos livros bíblicos mais conhecidos, mais copiados e mais publicados em separado, é seguramente o livro dos Salmos, também conhecido como Saltério. Ele é uma coleção de 150 salmos que são orações, cânticos, poesia, lamentações, reflexões. Muitas vezes se diz que o livro dos Salmos é o livro de orações por excelência, mas ele vai além disso, pela riqueza e pela particularidade de cada um dos salmos. É importante lembrar que na Bíblia há ainda outros salmos, por exemplo, o Cântico de Maria, conhecido como Magnificat, e o Cântico de Zacarias, cujo uso em liturgias e grandes obras musicais é conhecido. Estamos diante de textos milenares e nem a melhor estatística é capaz de avaliar quantas vezes e em que momentos salmos em particular foram lidos, também – e muito – em meio a lágrimas de alegria ou de dor. Eu mesmo, na minha função de pastor durante cinquenta anos, não saberia dizer quantas vezes me vali desses textos, e não poucas vezes me impressionei e comovi vendo um familiar lendo um dos salmos quando do sepultamento de um ente querido. Da mesma forma sempre me impressionei e comovi quando jovens casais, preparando a celebração de seu casamento, sugeriam um determinado salmo. É conhecido que pessoas em situações difíceis na vida, em guerras e campos de concentração, usavam e recitavam salmos continuadamente. Aliás, o próprio Jesus, no desespero da cruz, cita trecho de um salmo.

Um dos textos para reflexão no domingo de hoje é o Salmo 1. Vamos ouvi-lo:

Leitura do Salmo 1

Não é preciso fazer grandes estudos para perceber que aqui o salmista, quem quer que ele seja, não está se dirigindo diretamente a Deus, mas que, diante de Deus e a partir de sua fé, ele reflete sobre a vida e sobre a sua relação com Deus, aqui, mais precisamente, sobre a relação da vida com a lei de Deus e o seu papel para a vida. Podemos imaginar também que uma pessoa, na roda de outras pessoas, esteja lembrando aos outros do valor da lei do Senhor e de suas consequências para a vida. E é aqui que já começam os nossos problemas: Nós desenvolvemos uma mentalidade segundo a qual qualquer lei, antes de mais nada, nos atrapalha, principalmente aquelas que limitam a velocidade nas estradas. A indicação para reduzir a velocidade diante de uma escola ou nas ruas movimentadas da cidade nos parece uma agressão e uma limitação dos nossos direitos! Como é que o salmista pode afirmar que ter a lei sempre presente dá segurança e viço como de uma árvore plantada junto a corrente de água?

A “lei e os profetas” que também Jesus invoca e dos quais ele diz que nem uma letrinha será mudada, é o conjunto de leis maiores que tratam da convivência geral e social das pessoas, que buscam estabelecer justiça e equilíbrio na relação das gentes, que cria espaços de proteção aos mais fracos, aos mais vulneráveis. Lembremos, por exemplo, os dez mandamentos: A partir de Deus e nesse parâmetro, eles procuram delimitar certas ações humanas justamente para proteger tanto um como o outro e permitir convivência responsável, sincera e transparente. Se, por exemplo, não me é permitido matar meu semelhante, isso em princípio vale também para ele e, portanto, também ele não deverá me matar. Mas há leis também para proteger especialmente viúvas, órfãos e estrangeiros. Jesus, em vez de abolir essas leis, afirma que veio para cumpri-las, quer dizer, que ele em sua vida e ação e também em sua morte busca a preservação e integridade do ser humano. Assim, a lei do Senhor é boa a dá firmeza a pessoas e à sociedade. Eu convido para fazermos um pequeno teste. Pensemos em uma família comum que preserva o que chamamos de valores cristãos. Ela é família como todas as outras, dentro do mundo atual. O que a caracteriza? A sincera alegria do encontro, do convívio. Ninguém recebe uma lista de prescrições, mas todos se respeitam, todos se apoiam mutuamente, buscam contatos mesmo através de distâncias, se alegram com os sucessos uns dos outros e se entristecem com os insucessos, e em horas difíceis, seja de doença ou outro tipo, um está aí para o outro. É claro que também aqui surgem dificuldades e até desacertos, mas a diferença é que também isso pode ser tratado com serenidade e transparência. Será que isso ainda existe? Existe, talvez mais do que a gente sabe. Ou demos uma olhada no trânsito, cujas regras e leis tentam proteger a todas as pessoas e possibilitar convivência e vida digna em nossas cidades. Em países onde as leis são observadas, até com rigor, o número de acidentes e mortes cai forte. Basta ter em mente que o outro é meu semelhante com o mesmo direito à vida como eu e que o mesmo veículo que facilita a minha vida pode ser uma arma mortal.

Sem sombra de dúvida vale a pena meditar na lei do Senhor, mesmo que ela esteja reduzida a um mínimo. Vale mais a pena pôr em prática “a lei e os profetas” para a vida ter sentido e conteúdo. Jesus não queria outra coisa, vivendo a vontade de Deus radicalmente, mostrando que é possível conviver e partilhar a vida que – também ateu sabe disso! – não se compra na esquina! Pela ressurreição Jesus colocou a vida na perspectiva da eternidade e, com isso, valorizou mais ainda a nossa vida aqui e agora.

O salmo, porém, lembra uma outra realidade humana, a realidade do pecado, do descaminho, da perdição. Será que o salmista, será que a Sagrada Escritura, divide a humanidade em dois blocos, o dos bons e o dos maus? De jeito nenhum; nós vamos encontrar pessoas “boas” e corretas que de repente deslizam para descaminhos e vamos encontrar pessoas desencaminhadas e ímpias que são conquistadas pelo e para o amor de Deus. O risco que o salmista aponta é conviver e partilhar vida e valores com pecadores e ímpios e adotar o seu jeito de viver e conviver. Acontece que esse jeito leva facilmente à ruína. Voltemos ao trânsito: Milhares e milhares de pessoas morrem nas estradas brasileiras por uma simples razão: Quem está no volante e quem cruza a rua quer fazer o que lhe dá na cabeça. O outro não é meu semelhante e não é meu irmão; nas estradas ele é inimigo e irritante se dirigir de forma “politicamente correta”. Conviver e adotar os valores pecaminosos (pecado é errar o alvo conscientemente!) vão minando a vida de todos e quem mais perde são justamente os mais frágeis nessa corrente. O salmista não está propondo – o que muitas vezes se entende - a criação de segmentos de bons e de maus, mas ele alerta para o fato de que o pecado leva à ruína, desgraçadamente e antes de mais nada, à ruína do tecido frágil da sociedade. Sentar na mesma roda é assumir os seus valores e se tornar conivente com o descaminho, e isso vai contaminando todos os segmentes da vida.

E o salmista continua: Não é isso que Deus quer para sua criatura e sua criação, ele não quer nem a ruína da vida terrena e nem a perda da eternidade. Olhemos mais uma vez como Jesus concretizava a vontade de Deus de vida plena. Jesus sentava na roda de “pecadores” para tirá-los daquela vida. “Vai e não peques mais” é uma de suas expressões. Ele não tinha medo de “sujar as mãos” nem com a doença das pessoas, mas as curava e as devolvia à vida na sua comunidade religiosa e política. Mas, não esqueçamos que Jesus também anunciava o juízo de Deus àqueles que decidiam permanecer no descaminho, prejudicando não só a si mesmo, mas a seus semelhantes.

Sem dúvida muitas vezes nós pensamos que, no mundo de hoje, não vale a pena ter prazer na lei do Senhor, quer dizer, não vale a pena viver aquilo que é a vontade de Deus. Nos sentimos constantemente atropelados por todos os tipos de descaminhos e pior – muitas vezes assistimos como justamente “ímpios e pecadores” se dão bem. Mas mesmo assim, vale a pena “meditar na lei do Senhor”. Famílias, grupos, comunidades, segmentos da sociedade atestam que é bom estar plantado junto à corrente de águas, onde vida é respeitada e protegida, podendo desabrochar mesmo em meio a tempestades, “pois o Senhor conhece o caminho dos justos”. Em meio a tanta fragilidade e tantos descaminhos vale a pena o desafio de nadar contra a correnteza. Desejo que Deus dê a todos nós a serenidade e a clareza para escolher o lugar e o caminho para nossas vidas. Amém.

Oração: Obrigado, Senhor, pela possibilidade de plantar a nossa vida junto a tuas correntes de água, pois só assim teremos vida, e vida em abundância para poder compartilhá-la com os outros. Não permitas que o desânimo nos tire a coragem. Por Cristo, Senhor e Salvador nosso. Amém



P.emérito Harald Malschitzky
Săo Leopoldo, RS, Brasilien
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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