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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

2º Dòmingo apos Pentecostes, 07.06.2015

Predigt zu Gênesis 3:8-15, verfasst von Marcos Henrique Fries

Estimado irmão, estimada irmã!

Certamente, você já ouviu falar em “bode expiatório”. Um bode expiatório é alguém ou algo sobre quem se atribui a culpa por algum erro ou alguma situação desagradável. A expressão tem origem na prática religiosa do povo de Israel que, consoante as suas leis, levava ao templo de Jerusalém animais para serem sacrificados na busca por perdão de pecados. A culpa pelo pecado era transferida para o animal e este, com sua morte, expiava, quer dizer, cumpria a pena pelo erro cometido. Assim, quando hoje falamos em bode expiatório, referimo-nos a alguém ou algo que carrega a culpa por nós e amarga as penalidades pelos nossos erros.

 

E, aparentemente, o ser humano de todos os tempos aprecia muito isto. Para não ter de assumir culpa e ser penalizado, ele lança a culpa em outro, imiscuindo-se de sua responsabilidade própria. Isto pode ser visto nas crianças, que culpam seus colegas ou irmãos da “arte” que cometeram, no marido ou esposa que jogam a culpa um no outro pelo fracasso do casamento, nos sócios ou colegas de trabalho que se acusam mutuamente pelas dificuldades nos negócios, nas nações que consideram os governos culpados por todas as suas mazelas, e até mesmo em povos que atribuem toda sua ruína a outros povos, como a Alemanha nazista, que atribuiu o seu colapso político e econômico no início do século XX aos judeus.

 

Aliás, embora o termo ainda não existisse, o primeiro casal da história já lançou mão deste artifício para se eximir de culpa. É sobre isso que lemos no texto bíblico proposto para a nossa reflexão hoje. Após criar um mundo perfeito e nele colocar o ser humano, para que o cultivasse e guardasse, Deus estabeleceu a única proibição a Adão e Eva: de todos os frutos que se encontram no jardim eles poderiam se servir, menos do fruto da árvore que estava no meio do jardim, a árvore do conhecimento do bem e do mal. Caso eles comessem deste fruto, eles morreriam. Todavia, o desejo de ser como Deus, levou Adão e Eva a se renderem à tentação da serpente, e eles comeram o fruto proibido. Desobedeceram, assim, ao único limite determinado pelo Criador. E esta desobediência levou à queda do ser humano que, desde então, nasce com a marca do pecado e da morte. Diz o nosso texto, que enquanto Deus passeava pelo jardim, ele procurou por Adão, que estava escondido e com vergonha do Criador por conta do erro que tinha cometido. Quando o Senhor pergunta a ele se havia comido do fruto proibido, o que faz Adão? Procura um bode expiatório, Eva: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (v. 12). Igualmente, quando Deus pergunta para Eva sobre a sua atitude, ela também procura alguém em quem jogar a culpa: “A serpente me enganou, e eu comi” (v. 13). Como já foi dito, a expressão “bode expiatório” ainda não existia, mas, de fato, esta foi a primeira vez na história que tal subterfúgio foi usado. Mais tarde, os homens vão continuar lançando mão desta “técnica” até para subjugar as mulheres.

 

Em si, nem Adão nem Eva mentiram para Deus. Adão comeu o fruto porque Eva lhe ofereceu, e Eva fez isso por ter sido iludida pela serpente. No fim das contas, é possível dizer que tudo começou com a serpente, e que ela é a verdadeira culpada. Neste caso, somente a serpente é que deveria ser punida pelo Criador, e não o casal. Por que, então, Deus pune também a Adão e Eva? Porque embora a tentação tenha partido da serpente, Eva e Adão cederam às suas investidas e, mesmo conhecendo os limites estabelecidos pelo Senhor, optaram deliberadamente por transgredi-lo. Ou seja, todos tiveram a sua parcela de culpa e, por isso, todos tiveram que arcar com as consequências de suas escolhas.

 

E assim, prezados irmãos, todos pecamos e carecemos da glória de Deus (Romanos 3.23). É inútil procurar por bodes expiatórios para nos isentar de culpa. Tal como Eva e Adão, também nós somos tentados diariamente, e se não resistirmos às tentações, somos tão culpados quanto aquele que nos tentou. Mais que isso: é inútil buscar bodes expiatórios para os problemas que enfrentamos como pessoas, famílias e sociedade. Qualquer um que for honesto consigo mesmo há de reconhecer que em conflitos, seja entre cônjuges, entre irmãos, entre colegas ou sócios, ou até mesmo entre nações, ambas as partes têm sua parcela de responsabilidade, e que de nada adianta eximir-se de sua parcela, lançando a culpa sempre no outro. A solução de muitos impasses passa pelo reconhecimento da própria culpa, pelo pedido de perdão e pela disposição em mudar. Vale dizer que isso também se aplica no âmbito maior de nossas cidades, estados e país. Embora os governos certamente são responsáveis pelas adversidades que acometem nosso povo, o próprio povo também deve assumir sua culpa. Vociferar contra os desmandos dos governantes, enquanto a corrupção graça em nossas casas e em nossas relações, manchadas pelo “jeitinho” e pela mentira, é um despropósito. Mais: cruzar os braços diante de todas as injustiças que nos cercam faz-nos pecar por omissão.

 

Logo, ao invés de procurar por bodes expiatórios, que levem sozinhos a culpa por todos os problemas, faça um autoexame de sua vida. Procure descobrir onde foi que também você errou. Você vai encontrar. Aliás, este exercício torna-se ainda mais necessário, quando lembramos que em toda a história houve, de fato, um bode expiatório. Na verdade não um bode, mas sim um cordeiro: “O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29), Jesus Cristo, aquele que não conheceu pecado, mas que Deus o fez pecado por nós (2 Coríntios 5.21). Jesus, sem ter cometido um único delito, assumiu a culpa que pesava sobre nós e levou o castigo que nós merecíamos. Ele é o bode expiatório que pagou com a própria vida pelos nossos equívocos, mas que quer ver em nosso coração arrependimento e ouvir de nossos lábios uma sincera confissão. Com isso, Jesus nos reconciliou com Deus. E ensinou que a reconciliação entre nós, depende de não lançar a culpa no outro, mas assumir cada um a sua própria responsabilidade. Queira o Senhor Deus nos dar humildade e coragem para isto. Amém.     



P. Marcos Henrique Fries
Lages, SC
E-Mail: mhenriquefries@yahoo.com.br

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