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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

21º DOMINGO APÓS PENTECOSTES, 18.10.2015

Predigt zu Isaías 53:4-12, verfasst von Winfried Buchweitz

Querida Comunidade:

 

É um texto difícil. Muito denso , com muitos enfoques. Ele também é muito antigo. Fala de um tempo em que o povo israelita estava preso na Babilônia, uns 2500 anos atrás. Passei trabalho até decidir o que, em 20 minutos, eu compartilharia com vocês. Pergunto-me como vocês se sentem após ouvi-lo uma única vez, mesmo que o conheçam de outros cultos ou de sua leitura da Bíblia em casa. Querem que leia de novo? Posso ler, ou alguém de vocês pode ler, mais uma vez? Querem?

Escolhi alguns enfoques:

O texto fala, no versículo 6, de um personagem que Isaías chama de servo. No versículo 11 Isaías mostra Deus falando em “meu servo”. O servo é um servo de Deus, está a serviço de Deus. Outras informações sobre a identidade do servo a Bíblia não fornece. Vários teólogos exegetas que interpretam o texto chegam a conclusões diferentes sobre quem seria este servo. Alguns concluem que o servo é um profeta. Outros pensam que é um rei. Ainda outros defendem que o servo é o povo de Israel. Israel coletivamente desempenhando o papel de um servo. E há os que entendem que na situação de muito sofrimento do povo israelita Isaías está apontando para Jesus Cristo, está profetizando que virá um salvador que, hoje nós sabemos, é Jesus Cristo. E a figura que Isaías descreve cabe como uma luva no Jesus Cristo que conhecemos do Novo Testamento.

Em todo o caso este servo sofre por alguém, sofre por um povo, sofre por uma comunidade. Ele é castigado, maltratado, preso, condenado, levado para ser morto, dá a sua própria vida. E ele aguentou tudo humildemente e não disse uma só palavra. Num primeiro momento o povo interpreta isso como castigo pela culpa do próprio servo. Pensa que o servo tem tanta culpa que precisa passar por aquele sofrimento. Num segundo momento o povo descobre que não, mas que o servo está sofrendo por causa dos pecados e maldades deles mesmos, do povo, porque cada um deles seguia o seu próprio caminho. E num terceiro momento o povo descobre que foi Deus quem impôs todo aquele sofrimento ao servo para levar a culpa de muitos.

Não dá para não pensar na vida, paixão e morte de Jesus Cristo quando a gente lê este texto. Mas talvez não devêssemos ter tanta pressa assim. Também existe sofrimento e, às vezes até morte, por outras pessoas ou por uma causa nobre em nossas vidas. Penso, por exemplo, em mães e pais que sofrem por seus filhos, filho ou filha doente, muito doente, filho ou filha drogada. Mães e pais assumem sofrimentos indizíveis por filhos, a vida toda se for necessário. Filhos e filhas assumem sofrimentos cruéis por mãe ou pai. E ninguém se queixa. E não é um sofrimento parado. É um sofrimento cheio de ação e enorme criatividade. Pessoas assumem sofrimento por sua comunidade e igreja, por seu país, por sua empresa, pelo meio ambiente, natureza, água. Pessoas fazem sacrifícios, grandes sacrifícios. Não pensam apenas em si. Às vezes correm perigo de se esquecerem de si mesmos. O sofrimento, quando criteriosamente assumido quer ser construtivo, pode ser enormemente construtivo e, nestes casos, pode ser da vontade de Deus. Pode ser até mais que isso, pode ser uma missão com que Deus incumbe pessoas ou famílias ou comunidades, como no caso do servo em nosso texto. Ele doou sua vida até a morte para outros, o povo, serem sarados pelos ferimentos que ele recebeu. O servo sofreu e morreu para que outros, o povo, pudesse viver. Existe também um sofrimento que destrói e que não é da vontade de Deus, e que precisa ser evitado, mas este não é contemplado em nosso texto.

Eu nunca consegui me definir em que direção ler o texto de Isaías, se na direção de ver no personagem do servo uma figura histórica, um profeta, um rei ou o coletivo Israel, como alguns exegetas enxergam ou se Isaías, inspirado pelo Espírito Santo, olha para frente e profetiza a vinda de um Messias para salvar Israel de seus pecados e dos sofrimentos frutos deste pecado. Na minha maneira de ler a Bíblia cabem as duas possibilidades. Mas nós, que lemos Isaías depois do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo e quando confessamos o segundo artigo do Credo Apostólico, não podemos deixar de ver e crer que O Servo de Deus, com letra maiúscula, é Jesus Cristo. Nosso Servo de Deus é Jesus Cristo. Para nós Ele é O Servo de Deus. E nós podemos aplicar para Ele todas as palavras que Isaías usa para o servo de Deus de seu tempo: Ele carregou o nosso sofrimento. Ele suportou a nossa dor. Ele sofreu por nossos pecados. Ele foi castigado por causa de nossas maldades. Os castigos que Ele sofreu nos curaram a nós. Os ferimentos que Ele recebeu nos sararam a nós. Ele sofreu o castigo que nós merecíamos, porque cada um de nós seguia o seu próprio caminho. Ele foi maltratado, mas aguentou tudo humildemente e não disse uma só palavra. Ficou calado como um cordeiro que vai ser morto, como uma ovelha quando cortam a sua lã. E o texto de Isaías continua por aí afora. E termina dizendo: Ele levou a culpa dos pecados de muitos e orou pedindo que eles fossem perdoados. E Isaías cita Deus dizendo: O meu servo não tem pecado, mas ele sofrerá o castigo que muitos merecem e assim os pecados deles serão perdoados. Por isso eu lhe darei um lugar de honra; ele receberá a sua recompensa junto com os grandes e poderosos. E esta última frase nós, pessoas cristãs, lemos como Deus dizendo: Eu O ressuscitarei no terceiro dia ou, como nós confessamos no segundo artigo do Credo Apostólico: Ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus, Pai todo-poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.

E agora este Servo de Deus ressuscitado, que por ofício é servo de Deus, mas que por natureza é Filho de Deus, Ele nos inspira em dois sentidos: Ele nos inspira no sentido de termos liberdade para confessarmos nossos pecados. Nós somos um povo pecador como era Israel. Aqui também cada um de nós segue seu próprio caminho. Também somos um povo pecador. Somos uma igreja pecadora. Mas o Servo e Filho de Deus nos dá a liberdade e a capacidade de nos arrependermos e pedirmos perdão, de queremos voltar ao caminho que Ele nos abriu e onde Ele anda a nossa lado, muitas vezes nos carregando no colo. Podemos voltar a ser um povo, uma igreja e pessoas salvas e livres para uma nova vida. E agora o Servo e Filho de Deus nos dá a liberdade de sermos servos também, servos e filhos de um Deus misericordioso e servos e servas de pessoas e do mundo a nossa volta, servos gratos e alegres e confiantes em nossas vidas e em nossos mundos. Lutero diz que podemos ser pequenos Cristos, pensar como Cristo pensa e fazer como Cristo faz. Também podemos oferecer nossa vida . Em nossas famílias podemos fazer isso. Em nossa comunidade podemos fazer isso. Em nosso trabalho. Não precisa mais cada um, cada uma, seguir seu próprio caminho. Podemos andar juntos. Eu quero ser servo, servidor para pessoas na minha volta. E pessoas na minha volta são servas, servidoras, para mim. Eu sou servo para outras pessoas e outras pessoas são servas para mim. Esta é a proposta cristã. E isso pode acontecer de mil maneiras. Na realidade é importante que isso seja estudado, avaliado, constantemente adaptado e renovado em cada nova situação e oportunidade. Mesmo quando eu sou um líder eu posso ser servo. No meu papel de liderança, de chefe, de presidente, de coordenador eu posso ter, na visão de pessoa cristã eu devo ter, um espírito de servir, de ter a vocação de seguir o caminho junto com e dentro de uma comunidade e de um povo. Os maiores líderes tem a oportunidade de serem os maiores servos se eles tiverem espírito para isso. Na visão cristã os maiores líderes têm responsabilidade de serem grandes servidores, de terem espírito de serviço, muito espírito de serviço e amor. Isaías põe na boca de Deus a seguinte palavra quando fala do servo de seu tempo, Deus diz, falando do servo: Ele ofereceu sua vida como sacrifício para tirar pecados e por isso terá uma vida longa...ele será feliz...eu lhe darei um lugar de honra. Com a graça de Deus também hoje podemos ter a fé de que Ele abençoa cada serviço feito e vivido no Espírito deste texto. Amém



Pastor Winfried Buchweitz
São Leopoldo/RS
E-Mail: wbuchweitz@gmail.com

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