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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

DIA DE ANO NOVO, 01.01.2016

Predigt zu Números 6:22-27, verfasst von Gottfried Brakemeier

 

Prezada comunidade!

O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante seu rosto e te dê a paz.” É nesses termos que conhecemos a assim chamada bênção sacerdotal de Arão. Com ela encerramos os nossos cultos e despedimos pessoas em ocasiões especiais. Nós a compartilhamos com a comunidade judaica e agradecemos por essa herança comum. Nada mais oportuno do que ouvi-la também no início de um novo ano. O ano de 2016 estará sob a bênção de nosso Senhor. Isto significa consolo, estímulo, ânimo. E é de ânimo que estamos precisando.

Enquanto o final de um ano convida para retrospectos, a abertura de um novo lança os olhares para frente. É momento de fazer planos, de desenvolver projetos, de tomar embalo para novas iniciativas.Ao mesmo tempo, porém, uma virada de ano inspira temores. Que é que 2016 vai trazer? Surpresas boas ou más? A incerteza estimula especulações. É do que cartomantes e demais futuristas tiram proveito. Procuram atrair clientes com a promessa de revelar algo do que será amanhã. Afirmam estar em posse de receitas, respectivamente de técnicas, que lhes permitem predizer a sorte. É um negócio dúbio. O futuro a Deus pertence, diz o provérbio. E, com efeito. Não há como desvendar o mistério que o cobre.

Creio que nesta virada de ano os motivos para temores são especialmente fortes. Vivemos imersos em grave crise econômica e política. Os fantasmas da inflação, do desemprego, do empobrecimento voltam a assustar. Por ora não se enxerga saída dos impasses. Ademais, estão se agravando os problemas mundiais. Já não se controla a proliferação da violência tanto em nosso país como mundo afora. As mudanças climáticas com suas consequências nefastas causam pavor. Será que as medidas de contenção do aquecimento global chegarão a tempo? Ou então pensemos na avalanche dos fugitivos que abandonam seus países de origem e buscam uma nova pátria em lugares mais seguros e mais prósperos. Grupos estrangeiros estão batendo na porta inclusive do Brasil. Às vezes parece que estamos vivendo em épocas apocalípticas. Este nosso mundo, será que ainda tem futuro? É uma pergunta angustiante que neste início de ano se coloca com particular insistência.

Então, vamos nos entregar ao pessimismo? Seria a solução mais fácil. E ela parece ter lógica. Os problemas são de tal magnitude que o esforço individual parece ser inútil. Que grande engano! Quem pensa dessa forma, torna-se culpado de colaborar com a ruína deste mundo. O ser humano carrega responsabilidade pelo seu mundo, sim. Ele é responsável tanto pelo seu próprio bem-estar quanto por aquele de seu entorno social. Quem não cuidar da saúde, será vítima fácil de doenças. Quem não preservar o meio ambiente, não terá o que comer amanhã. Quem não se interessar por política vai ter que conformar-se com a política feita por outros. A ação do ser humano de modo algum é irrelevante. Ela determina sua sorte, pode prevenir desastres, define o rumo de sua vida. O filho pródigo não soube administrar seus bens. Cedeu à tentação da gastança, e acabou na miséria. O mesmo vale para governos e estados. Exige-se deles comportamento responsável. O desperdício de recursos públicos é pecado em relação ao cidadão fiel no pagamento de seus impostos. Então, nós mesmos é que decidimos sobre o nosso futuro, tanto em termos individuais quanto coletivos. Convém não minimizar a participação humana na condução do que chamamos “destino”.

E, no entanto, existe um resto que não controlamos. Prevenção não é capaz de garantir de fato imunidade contra a enfermidade. Por maior que sejam os cuidados, não há como evitar que adoeçamos. Prevenção não é receita mágica. Da mesma forma não existe seguro capaz de eliminar o risco de acidentes de trânsito. Basta sair para a rua para podermos ser atropelados. Portanto, a qualquer momento pode atingir-nos a desgraça. E ainda, qual a proteção contra os efeitos devastadores de uma hiperinflação imposta por forças alheias à nossa vontade? Dependemos de decisões tomadas em outras esferas e por outras instâncias. Enfim vale lembrar que ninguém conhece a hora de sua morte. E é bom que assim seja. Pois o desconhecimento nos livra de obsessões e angústias inúteis. Tudo isto mostra que não somos os donos absolutos de nossa vida. Ela não é nossa propriedade da qual pudéssemos dispor a bel-prazer e que esteja entregue às nossas manobras e aos nossos comandos.

Por isto dirigimos a Deus o pedido por proteção. A maioria das pessoas sabe que segurança, por mais que por ela devamos trabalhar, não é produto humano. Para tanto é típica a fala no “anjo da guarda”. Ele é símbolo da mão invisível de Deus que guarda o ser humano do mal. A ele são atribuídos até mesmo casos de salvação milagrosa. Acontecem coisas inexplicáveis que escapam da explicação racional e científica. Em tais casos resta somente responsabilizar um poder sobrenatural. Dizem haver mais gente que acredita em tal anjo do que gente que acredita em Deus.Seja como for, segurança necessita de amparo divino. Somente nas mãos de Deus não precisamos ter medo. Explica-se assim o grande apreço da bênção. Pois bênção inclui proteção, cuidado, bem-estar. Não é por acaso que na bênção sacerdotal de Arão a guarda esteja em primeiro lugar. “O Senhor te abençoe e te guarde...” Proteção é o supremo bem que o ser humano pode desejar.

Mas ele não é o único. Fazendo resplandecer o rosto sobre nós, Deus traz luz ao nosso cotidiano. Ilumina nossa vida e afugenta a escuridão. Mostra o caminho a seguir, precavendo-nos contra tombos e percalços. A face de Deus indica por onde andar. E ele tem paciência. Não se irrita com as nossas fraquezas. Sabe perdoar, é tolerante, misericordioso. Enfim, levantando seu rosto sobre a criatura, Deus a identifica como filho e filha sua e lhe concede paz. Nesses termos bênção é sinônimo de salvação. Ela se destina a pessoas em situação difícil. Isto foi o caso no tempo de Arão, mas permaneceu assim até hoje. Originalmente o livro de Números se chamava “No deserto”. Tinha por destinatário um povo a caminho da terra prometida. Sofria sob privações, perigos, dúvidas. Não sabia se iria alcançar a meta, razão pela qual não raro se rebelava contra Deus e o líder Moisés. Mas Deus não entrega este povo difícil à sua sorte. Ele o abençoa nos termos do texto de nossa prédica. Promete-lhe salvação. Assim também hoje. Deus abençoa sua igreja, a cristandade, todos e todas que a ele se dirigem com a prece por socorro.É bom ouvir isto justamente no início de um novo ano.

Aliás, proíbe-se abusar desta bênção como se fosse fórmula mágica. Ela não produz efeitos automáticos ou mecânicos. Bênção não é garantia de prosperidade, segurança ou cura milagrosa. Nós não podemos forçar Deus a nada. Ficamos a mercê de sua graça. Deus dá conforme o seu agrado e ele abençoa quando e onde lhe apraz. Qualquer tentativa de manipulação do sagrado merece repúdio. Deus também pode negar o seu auxílio. E, no entanto, podemos ter a certeza de que Deus quer o nosso bem. Podemos confiar nele, aguardando proteção, misericórdia, orientação, paz.

Chama atenção que o nome de Deus é mencionado três vezes. A cristandade viu nessa tríplice referência um indício do trino Deus. Deus nos abençoa e guarda, Deus faz resplandecer sua face sobre nós e tem misericórdia de nós, Deus sobre nós levanta seu rosto e nos dá a paz. Assim age Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A referência é indireta, não direta. E, no entanto, para a igreja cristã ela é suficientemente clara. É o trino Deus quem assim nos abençoa, que grava o seu nome em nós e que vai estar ao nosso lado. Na carta aos romanos o apóstolo Paulo pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (cap. 8:31) É lógico que a resposta seja: ”Ninguém”! Se Deus é por nós podemos adentrar o novo ano tranquilamente. Deus é mais poderoso do que qualquer infortúnio.

Com a bênção desse nosso Deus desejo a todos e todas um feliz ano de 2016.

Amém!



P. Gottfried Brakemeier
Nova Petrópolis( RS, Brasil)
E-Mail: brakemeier@terra.com.br

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