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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

PRIMEIRO DOMINGO NA QUARESMA, 14.02.2016

Predigt zu Deuteronômio 26:1-11, verfasst von Osmar Luiz Witt

 

Oremos: Querido Deus, fonte de discernimento! A tua Palavra é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos. Concede-nos, por teu Espírito Santo, disposição para te ouvirmos e abençoa a pregação da Tua Palavra entre nós. Em nome de Jesus, Amém.

 

Prezada comunidade de Jesus Cristo!

Qual é o tempo oportuno para invocarmos a Deus? Quando passamos por situações difíceis, ou quando nos sentimos fracos e fracas, estamos mais abertos a buscar a ajuda que vem de Deus. É grande o nosso sofrimento se Deus parece silenciar justo quando mais precisamos Dele! De outra parte, quando a vida nos permite a sensação de que já conquistamos “nossa terra prometida”, se estamos felizes, facilmente esquecemo-nos que Deus caminhou conosco, assim como acompanhou Israel na saída da escravidão no Egito para a terra prometida, aquela que dá leite e mel. Nas dificuldades não nos esquecemos de invocar a Deus e nas tentações também não! Deuteronômio nos convida a invocarmos a Deus e a renovarmos nosso compromisso com Ele, no dia da festa e da celebração dos primeiros frutos.

Os textos bíblicos que nos são oferecidos à reflexão também tratam da busca por Deus em diferentes momentos e situações da vida. A carta aos Romanos (10.8b-13) menciona que todas as pessoas podem provar a bondade e a graça de Deus mediante a invocação do seu nome. “Toda a pessoa que invocar o nome do Senhor será salva” escreveu o apóstolo Paulo, citando a profecia de Joel (3.5). O Evangelho de Lucas (4.1-13) nos apresenta Jesus em seu retiro no deserto – lugar de avaliação e de gestação de um novo rumo para a vida, tanto pessoal quanto coletiva. As reações de Jesus às tentativas de afastá-lo da missão de vivenciar o Reino de Deus, mostram que também ele conheceu a fonte de onde provém auxílio na hora da tentação.

O texto de Deuteronômio, que ouvimos, apresenta um resumo da história do povo hebreu com Deus: a origem peregrina, a experiência da escravidão no Egito, da exploração, da humilhação e, sobretudo, de ter sido ouvido em seu clamor dirigido ao céu: Deus ouviu o clamor do seu povo! Essa foi uma experiência decisiva na vida daquele povo de escravos e escravas. E isto não deveria ser esquecido em Israel, razão porque a festa das primícias da colheita deveria recordar que Deus foi e é fiel. A festa dos primeiros frutos - do começo da colheita, servia ao propósito de mostrar aquilo que Deus fez pelo seu povo. O fruto da terra e do trabalho, partilhado com o estrangeiro, a estrangeira, a migrante e o levita, pessoas despossuídas de terra. A terra prometida é lugar de inclusão e de misericórdia!

A Quaresma, período em que ingressamos nesta semana, é conhecida como um tempo de recolhimento, de silêncio, de jejum e de oração. O tempo litúrgico nos convida para fazermos um exame de nossas vidas e de como anda nossa relação com Deus, com as outras pessoas, com o ambiente a nossa volta. Mesmo a Campanha da Fraternidade Ecumênica, que iniciou nesta Quarta-feira de Cinzas, nos estimula a olharmos para a nossa Casa Comum, em razão das catástrofes que temos presenciado e das que se anunciam. Ninguém poderá se isentar da responsabilidade pelo que nos reserva o futuro. É tempo de clamar a Deus e pedir sua misericórdia e ajuda.

O texto de Deuteronômio (26.1-11) nos ensina a clamar a Deus, quando o egoísmo, a ganância, a corrupção e os interesses de poder colocam em risco os projetos que defendem vida, inclusão, justiça e paz. Manter viva a memória dos acontecimentos do passado e atualizá-los por meio da celebração dos primeiros frutos ajudou o povo a "não cair nas armadilhas da lógica da concentração das riquezas e do poder." (Proclamar Libertação 40, p.83). Da mesma armadilha fugiu também Jesus, ao não se deixar vencer pelas ofertas de abandonar sua missão. Preferiu firmar-se no compromisso com Deus que ouve o clamor das pessoas oprimidas.

O tempo quaresmal é dádiva e convite para o nosso comprometimento com o Reino de Deus. Em fidelidade ao Reino Jesus deu a sua vida ao ser crucificado pelos poderes constituídos, em Roma e em Jerusalém. Como filhos e filhas do Reino de Deus, recebemos a promessa de novos céus e nova terra, onde até mesmo a morte será vencida, mesmo que aqui e agora ela ainda nos faça sofrer. Comprometer-se com essa causa é poder celebrar já a vitória - como o faremos à mesa da Comunhão. Mas, também é "não esquecer de que há muitas pessoas que vivem na dor". Assim como Deus está atento ao clamor de quem sofre, também a comunidade de Jesus terá olhos, coração e mãos para quem fica esquecido ou esquecida à beira do caminho. A festa das primícias da colheita recordava ao povo de onde ele vinha, qual sua história com Deus, e qual era sua tarefa na construção de relações sociais justas. A Quaresma é tempo sempre oportuno para invocarmos o auxílio de Deus. Ela nos recorda que fomos amados e amadas com radicalidade por Deus. E nos convida a perseverarmos com radicalidade nesse amor inclusivo e que trilha o caminho da justiça e da paz.

A paz de Deus, que é maior do que o nosso entendimento, guarde vossas mente e corações em Jesus Cristo. Amém.





P. Osmar Luiz Witt
São Leopoldo – RS (Brasilien)
E-Mail: olwitt@est.edu.br

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