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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

SEXTA-FEIRA SANTA, 25.03.2016

Ausência e presença de Deus
Predigt zu Salmo 22:, verfasst von Elisandro Rheinheimer

 

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Por que ficas tão longe? Por que não escutas quando grito pedindo socorro? Meu Deus, durante o dia eu te chamo, mas tu não respondes...” (Salmo 22.1,2). Estas palavras expressam toda a agudeza do sofrimento humano, que não conhece raça, classe social ou credo. Estas são as palavras de alguém muito piedoso, que anda nos caminhos de Deus e tem de lidar com o abandono, a ausência e o silêncio de Deus. As palavras do salmista são palavras conhecidas na boca de toda a humanidade e de todos nós quando sofremos ou vemos alguém sofrer. E quando isso acontece, paira no ar uma pergunta muito sincera universal e atemporal: “Onde está Deus?”.

- onde estava Deus quando houve o Holocausto?
- onde estava Deus quando navios negreiros partiram da África para o Brasil, e quando indígenas foram escravizados?
- onde estava Deus quando, no ano passado, 21 cristãos coptas foram degolados por grupos extremistas na Líbia?
- onde está Deus quando um casal perde seu filho em atropelamento ou em chacina?
- onde está Deus quando alguém recebe do laboratório a biópsia que diz: maligno?
- onde está Deus quando uma mulher se vê mutilada pelo câncer?
- onde está Deus quando um homem perde o emprego?

“Onde está Deus”? Possíveis respostas:
 a)    Estará Deus lá em cima no céu, olhando de seu trono para a terra retribuindo bem e mal às pessoas conforme suas ações? Que Deus carrasco!
 b)    Estará Deus fora do seu universo criado, como um ser transcendental de forma tal que despreze tudo o que é matéria, inclusive sua criação? Então por que criou?
 c)    Estará Deus dentro de mim, nas profundezas de meu ser? No entanto, quando eu mergulho no meu interior e faço uma análise sincera vou perceber, pela bagunça que aí está, que faz um bocado de tempo que Jesus não anda por aí!  

Enfim, Deus está no céu? Lá fora? Aqui dentro do coração? Lutero diria, a partir do Magnificat de Maria, em sua cosmovisão medieval, que Deus está lá nos céus, sim, mas que “o Deus, que se revela em Jesus Cristo, não é um Deus que fica esperando que o homem venha até ele, altivo. Não, o Deus que se revelou em Jesus Cristo é um Deus que desce e ele só pode ser conhecido embaixo, lá onde ele se revelou. Deus se mostra a nós na cruz”. (conforme Martin Dreher no artigo “Temer e amar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas). Ou seja: Deus não é alguém passivo, mas alguém que ativamente vem socorrer o salmista (v.23-31), a mim, a você e todas as pessoas que sofrem na mais profunda miséria humana de suas vidas. A cruz é o modelo essencial. Na cruz de Cristo, Deus se torna solidário com os crucificados, pois sofre todo o mal e a malignidade dos pecados da raça humana. Na cruz de Cristo os promotores da morte são desmascarados, afinal, não foi Deus quem bateu os pregos na mão de Jesus. Na cruz, a mão sob os pregos encravados era a de Deus. Deus, portanto, é inocente e não pode ser contado entre os que promovem morte, violência e dor.

Na prática, é como se Deus dissesse a nós que sofremos: “eu não te faço sofrer, eu não mando doenças e desastres para ti, estes são fruto de contingência, são fruto da fragilidade e do exercício viciado da liberdade humanas, mas eu te socorro em meio ao sofrimento e te dou novidade de vida”. Agora sim podemos reconsiderar as situações mencionadas no inicio desta pregação:

- no holocausto Deus não esteve ao lado dos algozes, mas junto das vítimas (Dorothee Sölle);
- nos navios negreiros e na escravização de indígenas, Deus não esteve ao lado dos traficantes de escravos, mas junto dos escravizados;
- na Líbia Deus não esteve ao lado dos degoladores, mas sofrendo o degolamento com as vítimas;
- num atropelamento, Deus não é aquele que atropela o filho, mas é aquele que está junto sentindo toda a dor que sente aquele que é vitimado, bem comoacolhendo a revolta que os pais sentem;
- no resultado de malignidade em uma biópsia, Deus não está na doença como quem a envia, mas junto daquele que recebe um laudo desses para poder se levantar cheio de esperança e prosseguir, bem como junto das opções de tratamento criadas pelos dons que Ele deu a pessoas neste mundo;
- na mutilação do câncer, Deus não está na doença como quem retribui um mal feito ou um pecado, mas no retomar da vida;
- no desemprego, Deus não está operando castigo algum, mas está do lado da pessoa que luta para conseguir honestamente seu sustento;

Por fim, você deve estar deparando-se com pelo menos três situações:
 a)    “Eu sou um crucificado, o que Deus vai fazer por mim?”. Bem claramente vou dizer que Deus não vai matar o teu crucificador, pois esta não é a índole de Deus – Jesus ensinou a amar os inimigos e oferecer a outra face. Mas Deus quer te acolher na igreja, na comunidade das pessoas que não vivem mais somente para si mesmas, mas que vivem para Deus e ao próximo com o amor de Cristo. Isto significa que estas pessoas vão fazer com você o mesmo que a igreja de Jerusalém fez em Atos 2.44-46, a saber: oração, comunhão, partilha e no ensino da sua palavra. Assim Deus vai te consolar e te libertar com abraço cuidador.
 b)    “Eu sou um crucificador, o que Deus vai fazer por mim?”. Confesse a Deus todo o teu pecado e receba o perdão em nome de Jesus. Confesse a Deus as situações nas quais você promoveu a morte: quando feriu e agrediu; quando sentiu raiva, ódio e caiu na tentação em fazer justiça com as próprias mãos; quando agiu com desamor dentro da família de fé e da própria família de sangue.
 c)    “Eu sou alguém que me entendo um crucificado consolado e um crucificador resgatado, o que Deus vai fazer por mim?”. Nesse caso você é aquele que vai ser a mão misericordiosa de Deus ajudando e amando os crucificados empenhando os teus bens e a tua vida, como também será a palavra profética de Deus que vai abrir os olhos dos crucificadores.

Portanto, saber que Deus está conosco “embaixo” e nos busca na mais profunda miséria humana é o elo que liga a experiência da ausência e do silêncio de Deus com a experiência de confiança do salmista que afirma: “Deus não desprezou a dor do aflito, nem ocultou dele o seu rosto, mas o ouviu quando gritou por socorro” (v.25).  Eis um salmo de esperança em Deus. Amém!

 



Pastor Elisandro Rheinheimer
Tangará da Serra – MT
E-Mail: ieclbtangaradaserra@hotmail.com

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